8.6.04

Minha ausência não significa um novo abandono do blog. Apenas sofri um pequeno acidente doméstico envolvendo um varal de apartamento, uma churrasqueira elétrica, dois sacos de farinha de trigo e uma cachorra (nem pergunte...) e ainda estou me recuperando, psicologicamente abalada, é claro. Mas pensando bem, eu nunca estive diferente.

Eu comprei uma câmera digital. Sim, eu realizei meu sonho de infância, porque embora na minha infância não existissem câmeras digitais, eu já tinha sonhos estranhos e um deles era uma máquina fotográfica onde coubessem trocentas mil fotos e eu pudesse deletar imagens em que meus três queixos davam o ar da sua graça.

E, putaquepariu, com a maldita câmera fotográfica na bolsa eu não tive como tirar uma foto do mendigo cagando em plena Avenida Portugal. Foi a cena mais linda de todos os tempos, aquele farrapo humano agachado no chão, fazendo força, e depois levantando com o sorriso mais satisfeito do mundo.

E o melhor de tudo é que isso esclareceu uma daquelas questões que me faziam perder o sono: onde os mendigos cagam.

31.5.04

Talvez eu deva fazer um acústico desse blog. Se funciona para bandas que morreram, deve funcionar para blogs que morreram, também.

29.5.04

Aceito doações de leiautes e afins para recomeçar esse blog. Ah, e por favor, se não for difícil, tentem deixar seus nominhos nos 215 comentários que eu espero para esses posts. Apesar de imaginar quem são os anônimos, minha neurose precisa de absoluta certeza das coisas. Ou então eu corto os pulsos.

Óquei, óquei. Vamos aos fatos. Algumas coisas mudaram na minha vida nesses últimos tempos, mas a minha maior diversão continua a mesma: passear na 25 de março em pleno sábado. Entre camelôs e japoneses (e às vezes camelôs japoneses), passo horas pechinchando mercadorias e não levando nada no fim. Hoje até que o dia foi produtivo e voltei para casa com duas sacolonas gigantescas que não couberam no porta-malas, claro, e vieram confortavelmente acomodadas sobre minha mãe. Que por sinal, é a figura central desse post.

A minha mãe ou ah, minha mãe

Ela continua louca. Só piorou um pouco no grau, mas de resto ela continua discutindo com pedestres, cumprimentando árvores e enlouquecendo vendedores e hoje a criatura resolveu ir comigo à 25. Certa de encontrar problemas na aventura, passei a noite em claro imaginando o que poderia dar errado e, claro, pela manhã mal conseguia abrir os olhos de tanto sono.

Depois de algumas horas andando e andando e andando pela fatídica rua, percebi que a distinta senhora discretamente vestida de vermelho não estava mais ao meu lado. Preocupada, olhava por todos os lados procurando um tomate saltitante abarrotado de sacolas em meio às barracas e nada. Então, fui abordada por um camelô simpático, disposto a me ajudar.

- Tá procurando o quê, dona? CD's, DVD's, meias...
- Tô procurando a minha mãe.
- É pra já. Alguém aí viu a mãe dela? Atenção, atenção. Estamos procurando a mãe dela!!!

E me apontava freneticamente, enquanto eu tentava me esconder atrás de uma kombi que tocava músicas do Edson Cordeiro. E nisso surge a minha mãe, atraída pelos gritos do camelô. Vestida de branco, só para me confundir.

E depois ainda perguntam por que diabos eu saí de casa...

15.5.04

Teste.

27.1.04

Tudo zoado. Só porque eu tentei atualizar as instruções dos comentários. Agora eu tenho que achar alguém, qualquer pessoa, pra comentar aqui. Bom, depois eu tento consertar essa caca.

26.1.04

Puta merda, lembrei minha senha. Não acredito. Credo, que blog estranho. Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? Respostas no próximo capítulo.
Blog novo? Oba, blog novo. Vou ali criar um novo e já volto. Dentro de uns seis meses, se eu lembrar a senha.

20.3.03

Getúlio
Eu já devo ter falado por aqui sobre o meu problema com os japoneses chamados Getúlio, não? Falei sim, tenho certeza. Mas vamos lá. Conheci, quando eu era do tamanho de um Yakult, um japonesinho chamado Getúlio. Me apaixonei por ele e o enfiei no porta-malas do carro voltando de uma viagem para Serra Negra (isso eu tenho certeza que já contei aqui). Pensei que fosse uma homenagem dos pais de Getúlio (o japonês) ao outro Getúlio (o Vargas), algo a ver com a imigração da família e tal, sei lá.

Até hoje não conheço muita coisa da história recente do Brasil, mas supus que Getúlio (o Vargas) havia facilitado as coisas pro pessoal de olhinhos puxados, porque algum tempo depois de conhecer Getúlio (o japonês), conheci outro Getúlio japonês, meu vizinho.

Há dois meses, atendi no banco um senhor já com uma certa idade. Era Getúlio, o japonês dono da quitanda. Isso levou a minha tese a respeito do fanatismo getulial das famílias de Getúlio (o japonês) e Getúlio (o vizinho) para o buraco. A menos que a família de Getúlio (o quitandeiro) tivesse o dom da premonição e soubesse que um dia Getúlio (o Vargas) se tornaria um ícone japonês e resolvesse antecipar a homenagem, esse novo Getúlio (o quitandeiro) era uma farsa.

E hoje conheci um outro Getúlio japonês (o bancário), o que me fez elaborar uma nova teoria. Não acredito mais em homenagens. Creio que os Getúlios japoneses formam uma sociedade secreta e na verdade se chamam Eduardos, Ricardos ou Marcelos. E quando os chamamos de Getúlio, eles exibem aquele risinho superior que nunca sabemos o que quer dizer, se eles estão rindo porque não entenderam o que dissemos ou se estão rindo de nossa inocência, porque eles vão dominar o mundo.

E até hoje eu tenho as minhas dúvidas se Getúlio (o Vargas) se suicidou mesmo ou na verdade comeu um pastel estragado na barraca de feira de Getúlio (o feirante).