30.6.02

E por falar em estética, descobri hoje que o trabalho da sexta-feira rendeu frutos: eu agora tenho um braço moreno e o outro branco-bigato. Da próxima vez que tomar sol pela janela do carro, tenho que lembrar de dirigir de costas.

Poucas pessoas já me viram com o cabelo solto. E quem viu comprova: é um cogumelo. Ou um bonsai. E por falar nisso, tá na hora de chamar o jardineiro...

O cúmulo da vaidade é criar um blog confessional oculto e divulgar o endereço. Eu já fiz isso. A minha sorte é que não tenho um blog confessional. São pelo menos quatro e dois deles são totalmente desconhecidos. E não aceito suborno: o que é oculto vai continuar assim.

Tem um lado meio emotivo meu que me impele a fazer essas coisas... então lá vai a confissão: a cena do Cafu ao subir naquele pedestal e levantar a taça foi pra lá de emocionante. Tá bom, tá bom, eu chorei.

Um dos melhores momentos do jogo foi o segundo gol. Pensei que o Galvão Bueno fosse ter um treco. Comemorei as duas coisas: o gol e a possível morte do Galvão.

E o que é aquele juiz com nome de pasta de dente, hein? Parece um dos sete sábios, pô. Uma lâmpada. É isso, ele parece uma lâmpada.

Penta
Assisti o jogo diretamente da minha cama, sob uns cinco edredons, com um ânimo de fazer inveja a um escargot. E um torcicolo maldito me fez companhia, claro.

No momento do primeiro gol:
- Gooooaaaaahhhhh... ai, meu pescooooço...

Definitivamente, eu não tô em condições de comemorar nada, hoje.Talvez quando eu conseguir endireitar meu pescoço eu pense nisso.

29.6.02

E se alguém tiver uma boa sugestão de onde assistir o jogo amanhã, eu tô dentro. Não aguento mais ficar em casa.

Ah, nem é tão interessante assim. Eu saí pra comprar as malditas calcinhas e, na pressa, peguei uma estampada sem prestar a menor atenção aos detalhes. Ao chegar em casa, olhei com um pouco mais de atenção e lá estavam eles, os ETs. Espalhados por toda extensão da calcinha. É o primeiro passo rumo ao sexo interplanetário. Se eu desaparecer, tô lá em Urano passando uns tempos, belê? Não me tragam de volta.

E talvez eu conte sobre a calcinha com motivos ufológicos (essa palavra existe?) mais tarde.

Hoje, no centro de Santo André, tinha um sósia do Ronaldinho Gaúcho fazendo um show e pedindo moedas. É só mais uma prova de que o povo nessa cidade é feio pra cacete. Vê lá se aparece um sósia do Edward Norton e, se aparecer, manda pra cá com um laço vermelho no pescoço. Eu agradeço.

Eu rezo todos os dias para que ninguém tenha a idéia de colocar uma câmera escondida no meu quarto. Não que eu faça algo muito sujo entre essas quatro paredes, mas não gostaria de saber que alguém viu minha imitação de Eddie Vedder cantando Even Flow e Kurt Cobain cantando All Apologies, ontem à noite. Tudo bem que minha filha é a Frances Beam, mas eu não sou o Kurt e nem a Courtney-vaca-Love.

Acabei de ficar sabendo que uma das crianças da festa acabou caindo mesmo do segundo andar, em cima de uma senhora que assistia o assassinato da música "Codinome beija-flor". O criminoso era um influente político da região... ah, se isso cai na mão dos inimigos...
Ah, é mesmo, a criança. Ela sobreviveu. A senhora foi internada em estado grave no Charcot. É compreensível. Afinal de contas, não é todo dia que uma criança cai do céu...

28.6.02

Passando pelo centro de SP, hoje, eu vi uma figura interessantíssima. Um sujeito vestindo a camisa do Brasil, com um apito vermelho (!!!!) na boca e os cabelos mais estranhos que alguém pode ter. E ele mancava de uma perna. Mas o interessante era o cabelo. Lembram da Marge Simpson? Era ela, só que com cabelos pretos. E depois ainda dizem que EU sou anormal.

Talvez eu crie coragem para desenhar o rapaz e colocar aqui. Veremos.

Alguém sabe me dizer onde foram parar os restos mortais da Madre Paulina? Sim, porque sempre que eu passava em frente ao São Marcos, tinha lá uma placa "aqui repousam os restos mortais da Madre Paulina". E hoje a placa era diferente: "aqui viveu e morreu a Madre Paulina". Será que depois que ela foi "promovida", colocaram seus ossinhos em um lugar melhor? Religiosos de plantão, me expliquem!

Mas também, o que você poderia esperar de uma pessoa cujo tio andou por toda a avenida São João no capô de um carro, na Copa de 70? E pelado, o que é pior. Fiquei sabendo disso hoje.

A prova cabal de que você não está bem é quando só descobre depois de uma hora e meia que há algo te incomodando. E só então percebe que é a música da Roberta Miranda no repeat, no carro da sua mãe.

27.6.02

Essa overdose de posts não acontecerá sempre, belê? É que amanhã eu só postarei à noite, então...

Momento emotivo de hoje
Logo que a Frances ficou doente e passou a dormir no meu quarto, tive um pouco de dificuldade para conviver com um estranho hábito dela: os roncos. Minha cachorra parece um motor de fusca e eu não suporto barulho ao dormir. Levou quase uma semana até que eu me acostumasse a isso.

Hoje o ronco dela já é parte da minha vida. De vez em quando eu deito em minha cama e fico observando a carinha dela ao dormir, ouço o ronco e me sinto bem por tê-la por perto. Pode parecer estranho, mas é um sinal de vida. E sinais de vida partindo da Fran são muito bem vindos.

Essa noite eu tive uma crise de choro pensando em quanto vou sentir a falta desses barulhinhos que ela faz. O ronco, a respiração pesada, o barulho dos dentinhos dela coçando as patas, o jornal amassado sob as patinhas dela, ela se arrastando até a porta... no dia em que não puder mais ouvir isso, não sei o que será de mim, não.

Perguntas que recebo via e-mail, ICQ, telefone e outros meios de comunicação

É verdade mesmo tudo isso que você conta?
- Quase tudo. Que eu enfeito as coisas, isso é fato. Geralmente a verdade é bem mais podre. Mas tenha em mente uma coisa: se há uma situação constrangedora, eu sou a responsável. Tudo que faço é para destruir a minha reputação. Minha vida não é um conto de fadas, então tenho que me divertir um pouco, às vezes. E não há nada mais divertido que isso. Mas eu entendo a dúvida de quem não me conhece. Até os que me conhecem às vezes ficam chocados com os absurdos que eu faço.

A minha sorte é que há testemunhas de tudo isso, então, quem quiser a confirmação dos fatos, pergunte a ela, que já me viu rolando uma ladeira de pedra com uma mala nas costas. Ou a ela, que já me viu atropelando escadas na cozinha e destruindo geladeiras. Ou a ele, que nunca me viu fazendo nada disso, mas também é sócio de Murphy e ontem me fez uma proposta quase irrecusável para conquistar (ou destruir, à escolha) o mundo com essa nossa habilidade.

Ahn... eu contei que comi o enfeite da bandeja? É. Tinha um tucano feito de cenouras e eu, que sou louca por cenouras, achei que fosse mais um canapé. E por muito pouco eu não comi o cisne feito de maçãs...

A festa - parte 3
A primeira coisa que fiz ao chegar na tal festa foi tropeçar em uma criança. A menina, com seus sete ou oito anos, corria de um lado para outro sem nenhuma supervisão de pais ou ao menos uma focinheira para prevenir acidentes. Pensei logo em uma vingancinha suave e sugeri que ela fosse brincar lá em cima, no segundo andar. E ela obedeceu.

Peguei o Reinaldo (amigo pau-pra-toda-obra que me acompanhou nessa aventura) pelo braço e subimos as escadas atrás da garota. Chegando lá, um bando de crianças catarrentas brincava de pega-pega. Olhei para o Reinaldo, olhei para as crianças, olhei para o Reinaldo de novo e... "cé acha melhor jogá-las por ali em cima do palco ou fazê-las rolar a escada?". Ele me olhou assustado e me puxou para o andar de baixo. E acabou com a única possibilidade de diversão que eu teria naquela festa.

Depois de todos os acontecimentos já relatados, decidi ir embora da tal festa. Saí pelos fundos, para não ter que me despedir daquele mundo de desconhecidos, entrei no carro e abri minha bolsa para pegar a chave de casa. E foi então que eu vi. Lá estava ela, a boina. Uma boina preta na minha bolsa!

Não tenho a menor idéia de quem colocou esse troço lá. Sei que a boina agora repousa sobre a minha televisão, esperando que o culpado, quer dizer, o dono se manifeste. Suponho que seja de algum dos carecões que estava sentado ao meu lado, contando piadas previsíveis e bebendo como um estivador. Aceito sugestões quanto ao destino da boina, caso o proprietário não apareça.

Estava eu observando outras pessoas pagando o mico do videokê quando pára uma senhora ao meu lado. No palco, um sujeito cantava La Barca a todo vapor. Não, a barca não tem nada a ver com o vapor, esqueçam.

Ela - Ai, que música linda...
Eu - Seria mais linda ainda se esse homem parasse de miar no palco...
Ela - Eu gosto de ver meu marido cantando. Por quê?
Eu - ... !!! ... Com licença... vou ali...

A festa - parte 2
Pulem os dois primeiros parágrafos. É puro saudosismo.

Para começar, o local. A festa aconteceu em um centro cultural (?) que antigamente era uma danceteria estranha. Lembro os detalhes da danceteria porque foi ela a responsável pela minha primeira expulsão de casa, lá pelos 14 anos.

Não lembro de muita coisa sobre o fim da noite, que é a melhor parte, a não ser que dormi no jardim da danceteria, em um banco de pedra, com a roupa todinha manchada de verde (conseqüência de um banho de pipper), olhando para o céu e dizendo "ele está voando, ele está voando!!!". O "ele" em questão era um amigo meu que decidiu se pendurar no muro. O "ele" também foi o responsável pelo banho de pipper. E hoje, depois de tantas aventuras, aquilo lá virou um centro cultural...

Bom, mas vocês não têm nada a ver com isso. O importante mesmo é que eu odeio empadas. Odeio. E uma delas veio parar na minha mão, ontem. E, como sempre, eu a derrubei no chão. E um garçom pisou. E quase fomos todos ao chão, eu e meu uísque, ele e sua bandeja.

Aguardem a terceira parte dessa saga em instantes.

26.6.02

E deixem de ser preguiçosos. Leiam (e comentem) os posts longos também.

Lembrete para amanhã
- A boina
- A empada
- O marido
- As crianças

O mala
Em toda festa sempre há um mala. E quando você quiser encontrá-lo, é só me procurar porque eu serei o alvo dele. Dessa vez o mala veio na forma de um senhor sorridente que me conhece há pelo menos quinze anos e todas as vezes que me encontra, decide contar toda a história da sua vida. E eu ouço tudo sorrindo nas horas apropriadas, chorando quando ele conta do filho que fugiu de casa, sendo solidária quando ele conta que está desempregado há dois anos. Sim, porque além de mala, ele é pobre, assim como eu.

O mala me acompanha por todos os lados. Quando eu consigo despistá-lo, é apenas por poucos minutos. Não adianta entregar o copo com uísque na mão do cara e pedir “segura pra mim um instantinho?” e sair correndo. Ele logo vai te encontrar. Tentei essa estratégia e me tranquei no banheiro. Cerca de vinte minutos depois, saí do banheiro e dei de cara com o mala plantado na porta, o gelo do copo já totalmente misturado ao uísque. E já que eu citei o caso, vamos ao banheiro.

O banheiro
Se há um banheiro com problemas na descarga ou uma torneira espanada, pode estar certo de que eu é que vou descobrir o defeito. O mesmo acontece com as portas. Entrei no banheiro, fechei a porta, fiz o número um e saí. Quer dizer, eu tentei sair, porque a porta não abria.

Então eu fiz uma oração rápida para que não existissem câmeras ali dentro, arranquei minhas botas (sempre elas), as arremessei para ou outro lado, me pendurei no vaso e pulei a porta. Ou melhor, teria pulado caso a minha maravilhosa blusa de tricô-não-sei-das-quantas não tivesse enroscado no batente. Meu primeiro pensamento foi “oh céus, e se alguém entrar?”. Maldito pensamento. A esposa do aniversariante entrou e me pegou literalmente no pulo. Sem as botas e sem dignidade alguma. Mas dignidade é um capítulo à parte. Vamos a ele.

A dignidade
A nossa dignidade pode ser perdida em uma piscina, em um quarto sujo de um hotel vagabundo no centro (né, Van?) ou em uma festa. Não, dignidade não tem nada a ver com aquela bobagem que vocês estão pensando. É apenas uma forma sutil de dizer que você pagou um mico daqueles que nunca mais esquece. No meu caso, esse mico tem nome e sobrenome: Videokê Raf Eletronics.

Uma das “atrações” da festa era o tal videokê. Tomei o cuidado de passar bem longe dessa área, mas minha mãe não me deixaria escapar ilesa. Lá pelas tantas, ouvi meu nome: “e agora quem vai cantar é a Julianaaaaa” e eu nem sabia mais se o vexame aconteceria caso eu me recusasse a cantar ou se me degolariam por assassinar uma música em cima de um palco. E eu fui. E cantei. E aplaudiram. Mas eu duvido que tenham gostado.

Ainda tem mais uma porção de coisas dignas de nota, mas eu vou poupá-los dos detalhes escabrosos. Sobre o lugar, que era uma danceteria gótica nos tempos em que os góticos não eram apenas uma lenda, sobre os garçons, sobre os convidados e sobre a minha mãe. Qualquer dia desses eu termino esse relato.

Caramba, tinha um "vezez" em um textinho aí e ninguém me avisou. Comé que pode? Ninguém viu?

Ah, que maravilha. Acabei de ser informada que hoje à noite tem exposição de gado e eu fui convocada. Não, nada de bois e vacas passeando entre fazendeiros e curiosos. É só uma festa de políticos e amigos onde eu posso beber de graça e fingir que sou simpática para um bando de velhotes gorduchos, carecas e tarados. Quem convidou foi uma amiga da minha mãe. Abaixo, o diálogo.

A amiga - Oi. A Ju vai fazer alguma coisa hoje à noite?
Minha mãe - Ela nunca faz nada, você sabe.
A amiga - Será que ela quer ir à festa de aniversário do (censurado)?
Minha mãe - Sei não... pode ser. Tem bebida?
A amiga - JW...
Minha mãe - Ah, então ela vai.
A amiga - Ótimo. O futuro dela está nessa festa.
Minha mãe - Como assim? Um emprego, você quer dizer?
A amiga - Ah, também... mas eu tava pensando em casamento, mesmo.
Minha mãe - ...


Como vocês podem ver, até as amigas da minha mãe se preocupam com o meu futuro. Acho que vou ali fazer uma escova no cabelo para conquistar meu futuro marido na festa de hoje.

E eis que surge a gripe anual. Como em todas as vezes anteriores, ela chega sem aviso e toma conta de mim, trazendo seus companheiros inseparáveis: os espirros, a tosse, a dor de garganta, o cansaço, as dores no corpo e o mau humor. Pelas próximas três semanas eu não sou humana, ok? Obrigada pela compreensão.

Copa do Mundo
Abri os olhos e vi um ser debruçado sobre mim. Naquele quarto escuro, não consegui identificar as formas e esperei por um som, um cheiro ou qualquer sinal de quem se tratava. E então ele veio. Ele, o som.

- Fuóóóóóóóóóóó

Grudei no teto com o susto, mas logo percebi quem era: ela, a mãe. Com uma corneta na boca e uma bandana verde e amarela na cabeça. Nas costas, como uma capa, ela carregava uma bandeira do Brasil. E vestia uma camiseta da Copa de 70.

- Não vai ver o jogo? Hein? Hein?

Aí eu perdi a paciência e entendi perfeitamente a expressão "dormindo com o inimigo". Ela era uma ameaça e estava me fazendo perguntas. Porra, todas as pessoas normais sabem que não devem me perguntar nada antes do meio dia. Acordar, tudo bem. Perguntar, jamais.

- Ah, meu, vai se f... *piiiiiiiiiii*

Virei para o lado e voltei a dormir. De cinco em cinco minutos a louca voltava ao meu quarto e dava duas cornetadas.

- Fuóóóóó. Fuóóóóó. O jogo!

No meio disso tudo, entrei em uma viagem maluca que misturava realidade e ficção. Lá pelos 15 minutos do primeiro tempo eu ouvi um gol da Turquia. É sério. Ouvi o tal gol e decidi que então não assistiria mesmo o maldito jogo. Acordei para comer um pedaço de pão aos 25 do segundo tempo e só então soube que o Brasil estava ganhando.

- Ué, mãe, cadê o gol da Turquia?
- Que gol, Juliana? Tá louca?
- Não, mãe. Eu VI - notem o VI - a Turquia fazendo um gol. E eles estão jogando bem melhor, pô.
- Cala a boca, Juliana. Por que você não volta a dormir?


E só então eu reparei na figura encolhida no canto da cozinha. Era ela, a veterinária. Vestindo uma camiseta amarela, com uma corneta na boca e uma bandana na cabeça, também.

- Doutora, essa camiseta...
- O que tem? Bonita, né?
- Pequena, né?
- É que eu não tinha nenhuma camiseta amarela... peguei a do meu filho emprestada...
- Ah... com licença.


Voltei a dormir. O espírito de Copa do Mundo já está em mim, mas adormecido. E eu acho mesmo que a Turquia tinha que ganhar aquele jogo. O gol foi lindo, pô.

25.6.02

Isso não era pra ser escrito aqui. Mas agora já foi, dane-se.

Impressionante como meu humor consegue ir de um extremo a outro em meia hora. E a cabeça dói, quase funde de tanto pensar em tudo que tá acontecendo... você conhece isso bem demais, né?

E agora? A "oportunidade da minha vida" praticamente caiu no meu colo. As chances de tudo dar certo são muito grandes e se eu fosse um pessoa livre, se eu não tivesse a quem prestar contas, se eu não tivesse compromissos reais assumidos com total consciência, eu poderia topar a idéia e, com um pouco de sorte, encontrar a tão almejada felicidade.

Acontece que eu não acredito mais na sorte. Ao mesmo tempo que mergulho de cabeça em situações tão absurdas que nenhuma pessoa sensata poderia sequer cogitar, tenho medo de acreditar na minha sorte e cair do décimo quinto andar. Geralmente, é isso que acontece. Eu não acredito nem mesmo que alguém esteja hoje me oferecendo as oportunidades que eu perdi há quase dez anos. É inconcebível, é absurdo, é estranho quando alguém me estende a mão. Eu tenho medo do preço que isso vai ter.

Por outro lado, receio fazer as escolhas erradas (como de hábito) e ter que voltar à estaca zero com o rabinho no meio das pernas. Não, obrigada, o fundo do poço é um lugar que eu conheço bem demais... e não pretendo voltar. O meu medo de apostar e perder é bem maior do que a minha vontade de ganhar algo com isso. E é por isso que eu não saio do mesmo lugar há séculos.

O molho
Eu vivo comentando por aqui o quanto gosto de cozinhar, cuidar de casa, esses servicinhos que geralmente as pessoas desprezam. Pois é. Vez ou outra eu me aventuro na arte milenar de assassinar pessoas pela gula e costumo me sair bem. Mas ontem... ah, ontem eu quase virei o prato principal da minha mãe.

A idéia era fazer um molho de macarrão para um almoço meio especial no dia seguinte (hoje). Compramos os tomates, a carne e tudo mais e mãos à obra. A receita era a da macarronada da vovó Giza e nem era tão complicada assim. Primeiro passo, refogar a carne. Nessa parte eu nem tive tantos problemas assim. Apenas queimaduras leves e uma crise de nervos porque a carne não corava nem por decreto.

O problema começou quando fui bater os tomates. Parte em quatro, joga no liqüidificador, bate um pouquinho e joga sobre a carne. Eu fiz isso. Conforme os tomates iam sendo destruídos, eu jogava mais um pedaço e o molho ia aumentando, aumentando, aumentando até que... PLÁ. Um jato de molho de tomate voou diretamente no meu olho. É, eu tirei a tampa do aparelho com o mesmo ligado e fiquei literalmente "molhada".

Rosto devidamente lavado, vamos à próxima etapa: jogar o molho sobre a carne. Estaria tudo bem se não fosse a minha velha conhecida, a falta de coordenação. Metade daquele purê de tomate foi parar na parede, a outra metade conseguiu cair dentro da panela.

Feche a panela de pressão deixe por vinte minutos e depois deixe apurar até obter a consistência desejada. Não esquecer as azeitonas e o bacon. Eu fiz tuuuudo certinho. Só não contava com um pedaço de azeitona agitado que resolveu bater em um pedaço de carne que boiava no molho e pular em minha direção. Esse foi recuperado dentro da minha orelha. Para os mais nojentos, informo que não devolvi o pedaço à panela. Foi para o céu das azeitonas, onde hoje descansa em paz.

Depois disso tudo, o molho estava pronto. Faltava a limpeza da cozinha. Vassoura, panos e produtos nas mãos, ataquei com fúria aquelas placas vermelhas espalhadas pelo chão. Por um triz não derramei o vidro de Ajax Limpeza Pesada dentro da panela. E foi então que eu decidi que na próxima encarnação quero nascer milionária e passar o dia inteiro na beira da piscina, lendo Caras. O almoço? Foi excelente, claro. Apesar dos meus curiosos métodos de trabalho, eu ainda sei cozinhar.

E por falar em bichinhos virtuais...

... eis aqui o nosso amigo Canalhinha. Aos doze anos o putinho já dá sinais de saber o que quer. E aquela em quem ele está pensando é a Balzaquinha, da minha amiga Ju. Mas não se enganem: o sujeito deve ter pelo menos mais umas três de reserva, se for uma cópia fiel de quem o inspirou. Acho que vou deixá-lo morrer de fome.

Coisas que eu recebo via ICQ
Ju... na minha falta do que fazer, eu criei, além de Balzaquinha - que já está com 12 anos brincando de amarelinha -, o Set Satelitinho*. Um camarada que toca numa banda disco, está passando fome, comendo as apostilas para aprender que "questão" não é "questã". E ele faz covers do Roberto Carlos, também... O Set Satelitinho só estuda, que é pra aprender que a palavra "questão" não tem feminino como "anão"...
Ass: Ju


*Set Satelitinho é um bichinho virtual que representa o atual affair da minha amiga Ju. As características são as mesmas, o que me faz concluir que o controle da qualidade da Ju anda meio prejudicado. Como vocês podem ver, eu criei um monstro. Não, ela é que criou um monstro.

Opa. Boa notícia para mim. Consegui um bico para sexta-feira que vem. Já dá para garantir a grana da cerveja nossa de cada dia. Péssima notícia para o blog: sexta-feira as atualizações só serão feitas depois das 17 horas.

Pensamento posterior: puta pretensão, a minha. Achar que faz alguma diferença o horário dos posts...

Mais tarde eu volto com minha personalidade "Maria" e suas aventuras à beira do fogão. Agora vou ali comer minha macarronada, para conservar minha forma de Dantop.

Combinamos assistir o próximo jogo (amanhã) em família: eu, minhas cãs, a veterinária e as cãs dela. Os interessados em comparecer ao evento devem trazer um quilo de ossos ou ração de qualidade.

O que se pode esperar de uma pessoa que não consegue passar um dia sem ouvir a sua voz, mas não pode nem ouvir falar no kit casamento + filhos? Agora eu vou mesmo cortar os pulsos.

Não, este weblog não morreu. A pausa de 23 horas entre os posts foi absolutamente necessária para o acúmulo de novas abobrinhas postáveis.

24.6.02

E se é para acabar de uma vez com a minha reputação, eu conto. Eu tenho uma foto abraçada à dupla Chrystian e Ralf. E eu não estava com uma arma apontada para a cabeça, o que significa que eu gostei da coisa. Qualquer dia desses eu coloco essa foto aqui...

Raul
Desde que eu voltei à vida, lá para os 21 anos, e comecei a sair, tenho me empenhado arduamente na tarefa de conhecer pelo nome (e apelido) todos os garçons que me atendem por aí. Em alguns dos casos, os caras ficam até amigos e viajam conosco, como é o caso do Fer, ex-garçom do Affinit que saía pra paquerar conosco. A parte ruim é que ele sempre paquerava os mesmos caras que eu.

Pois bem. A atual "safra" de garçons é composta pelo Vander, pelo Genildo, pelo Soró e pelo Lemos. E tem os que não são garçons, também, como é o caso do Raul. Raul é o segurança/ porteiro/ gerente de um dos lugares que freqüento por aqui. E o Raul nunca foi muito simpático, até que eu levei um ex para o boteco. Nesse dia, o Raul se desdobrou em atenções conosco, nos levou à melhor mesa, ficou em cima dos garçons para nos atenderem bem e tal. E eu fiquei com aquela cara de "ué", sem entender absolutamente nada.

Então esse ex me ligou há duas semanas para avisar que estaria por aqui e me perguntou do Raul. É, ele não perguntou da minha mãe, da minha cachorra ou mesmo da minha melhor amiga. Perguntou do RAUL. Atônita, esperei por uma explicação que não veio. E no sábado eu vi o Raul. Lindo, como sempre. Sem um fio de cabelo, com um cavanhaque monstruoso e sacos de lixo de 50 litros sob os olhos. E quando o vi, não pude resistir. Perguntei "o que você tem que eu não tenho?" e ele riu. Ele RIU de mim, entende? Ele sabia do que eu estava falando. E então eu tive certeza que perdi meu namorado para o segurança do bar. E depois ainda me perguntam porque eu bebo...

O lápis
Nesse final de semana, o assunto "maquiagem feminina" foi tópico de duas conversas que tive por aí. E de tanto falar no assunto, lembrei de uma situação que quase me fez desistir de usar qualquer tipo de maquiagem. Foi mais ou menos assim...

Dia desses eu estava em uma loja de cosméticos e vi um lápis de olho cheio de qualidades. Vitamina isso e aquilo, à prova d'água, antialérgico e o escambau. E estava em promoção. Eu não resisto a uma promoção. Então me tornei proprietária de um lápis vitaminado, à prova d'água e antialérgico.

À noite, me preparando para mais um porre homérico, decidi usar o tal lápis. Era perfeito: as vitaminas seriam necessárias para a recuperação do ser quase humano que eu me tornaria ao beber. Era antialérgico, então não faria meu olho arder e se tornar uma bola de tênis. E o mais importante: era à prova d'água. Sim, porque caso vocês não saibam, eu costumo ter crises emotivas quando bebo. Choro, ligo para os amigos para dizer que amo e todas aquelas palhaçadas típicas.

E então eu passei o lápis. E eu bebi. E eu voltei para casa em estado deplorável. E eu nem lembrei de lavar o rosto ao chegar. Acordei no dia seguinte parecendo um urso panda (royalties para a Nadynne) e dei um susto em minha mãe, que pensou ter rolado uma briga no bar. Entrei no banheiro, tranquei a porta e comecei a operação de limpeza dos olhos.

Acontece que o tal lápis era à prova d'água, lembram? Pois é, eu não lembrei. E joga água e esfrega e espalha aquele borrão pelo rosto e nada de sair o lápis. Então eu virei um urso panda com dois hematomas nos olhos. Sim, porque meu desespero era tanto que acabei me machucando na operação. E o tal borrão só foi sair depois de uns três dias... enquanto isso, eu fiquei parecendo um personagem de filme de terror e não botei a cara na rua. Aliás, não botei a cara nem fora do quarto.

Essa noite eu sonhei que a Frances voltava a andar. Na verdade, ela dava dois passos e caía, mas isso já seria um presentão de Natal antecipado. Mas não, ela não voltou a andar e continua tudo a mesma merda.
--x--
Agora voltamos às atividades normais desse blog, porque sorrir quando o mundo despenca na minha cabeça é minha especialidade.

23.6.02

Às vezes a certeza de que os momentos ruins vão passar é um tanto dolorosa. Porque banaliza a dor, o sentimento, os momentos difíceis. É como se tudo isso fosse em vão. Acho que não gosto tanto assim do alívio... e aí vem a Beth Gibbons e diz "Is it all as it seems? So unresolved, so unredeemed... If I remain, how will I know?" e eu já nem sei mais se vale a pena querer coisas. Porque ao mesmo tempo que podemos ter, corremos o risco de perder. E depois começa tudo de novo...

Sem posts por hoje. Não está sendo um bom dia.

22.6.02

Não esperem grande coisa desse post. É apenas uma inserção comercial. Tô ganhando uns trocos pra dizer que aquela coisa de soja (suco?) All Day, sabor pêra, é uma delícia. Experimente você também (sorriso idiota, marido bonitão, um labrador correndo e várias crianças fazendo baderna, como em todo comercial que se preze).

Sonambulismo
Coisas que eu só fico sabendo quando acordo

Depois de uma morte temporária de 12 horas, acordei e telefonei para minha amiga.
Eu - Oi, Pa. Por que você ainda não me ligou hoje?
Ela - Porque sua mãe me ligou às dez horas e me falou que você estava dormindo.
Eu - É, eu estava. Mas você nunca se importou com isso...
Ela - É, mas eu achei que você tinha tido uma noite agitada, não quis incomodar...
Eu - Agitada?
Ela - É. Sua mãe disse que você acordou às oito da manhã, falou "Putaqueopariu, roubaram! Esse jogo foi roubado. Filhosdaputa! Cornos!", voltou para a cama e dormiu.
Eu - Que jogo, Pa?
Ela - E eu que sei?
Eu - ... Tá na hora do meu remédio. Vou ali, depois te ligo.

21.6.02

Onde eu vou assistir o próximo jogo, hein? Hein?

Em uma das minhas últimas idas ao Rio, me convidei para uma estadia em uma casa desconhecida. Peguei o endereço e me aventurei pela Dutra, com uma mala (que já foi a São Thomé das Letras e causou gargalhadas no grupo por conta do seu tamanho descomunal e sua falta de praticidade), alguns trocados e muita vontade de cair na farra.

Chegar no Rio foi fácil. Os problemas começaram na hora que eu peguei as anotações do endereço e comecei a procurar no guia. Em um determinado ponto da mensagem recebida pelo ICQ com as orientações sobre como chegar à casa, a frase: "pegue o viaduto e siga reto. Ao final dele, entre à direita". Perfeito. Que viaduto?

Tirei o celular da bolsa e liguei para a dona da casa: "que diabos de viaduto é esse?". E ela respondeu "Ah, o viaduto. Pra qualquer pessoa que você perguntar, vão te mostrar o viaduto. Fica fria". Okay. Boa vontade eu tenho, só não queria parar o carro em meio àquele trânsito caótico e perguntar. Continuei rodando até encontrar um viaduto qualquer e então parei para olhar as placas.

Viaduto. Sim, a placa dizia apenas Viaduto. E então eu entendi o que minha amiga queria dizer com aquele "fica fria". O Rio de Janeiro é a única cidade no mundo que tem um viaduto com o curioso nome de Viaduto. Só isso. Depois percebi que o jeitinho carioca chega também aos túneis: encontrei um chamado Túnel. Simplicidade a qualquer preço, esse é o lema carioca.

E eu não tenho mais idade para ficar acordada até cinco e meia da matina. Hoje tenho mochilas sob os meus olhos. Mochilas roxas, lindas.

Conversas Estranhas
Ela (bêbada, já) - Ju, eu tava aqui pensando... descobri o motivo para as pessoas fracas sempre nos procurarem.
Eu - Hum? Como assim?
Ela - Assim... já reparou que todo nosso "histórico" tem pessoas dependentes e tal?
Eu - É, é verdade. Por quê?
Ela - São os peitões.
Eu - Hein?
Ela - É, peitões. Aquela coisa de peitos grandes. Eles têm a ilusão de que somos mães, saca?
Eu - Ah, nem vem, Patrícia. Me inclui fora dessa. E de mais a mais, nem são tão "ões" assim, vá lá.
Ela - Você sempre se nega a acreditar nos fatos.
Eu - Garçom, mais uma! E uma coca pra Pa.

E pior do que isso é sair do boteco, chegar no carro e ser cumprimentada com um abraço caloroso pelo tiozinho que olha os carros. E depois eu ainda pergunto onde foi parar minha reputação.

Sobre o jogo
Pela primeira vez eu fiquei acordada esperando pelo jogo. Eu poderia dizer que o jogo foi excelente, que finalmente o Brasil honrou a camisa que veste e tal, mas... eu assisti? Não. Ele me manteve ocupada durante o jogo e acabei nem reparando nos gols. Olha lá, hein... não vão pensar besteira (ah, que dúvida...).

20.6.02

Oh, descobri o problema da página. O sistema de comentários teve um piripaque e me abandonou. Então tá. Vamos aguardar mais um pouquinho antes de xingar a mãe e tal... se até a hora do jogo o sistema não voltar, eu troco. Nishi, controle-se por enquanto. Quem tiver algo a dizer, mande por e-mail ou espere mais um pouco.
E agora eu fui ali ver se a caipirinha do Moisés continua perfeita.

Por algum motivo estranho, essa página se tornou uma catástrofe durante a tarde. Demora horas para carregar, quando carrega. Diminuí o número de posts exibidos na primeira página para ver se melhora. Quem achar que deve continuar lendo o monte de abobrinhas que já passou, favor fuçar nos arquivos.

E como eu já chutei o balde hoje, mesmo, quem quiser ouvir uma música melosa e apaixonada, procure Stay, da Lisa Loeb. É lindinha. Ui, que meigo.

Também, o que vocês poderiam esperar de uma pessoa que já teve a coragem de baixar uma música da Britney Spears em mp3?
...
Pronto, falei.

Dia desses eu comentei com alguém que assistia Malhação (e gostava, o que é bem mais grave) e riram, pensando que fosse mais uma das minhas piadas. Pois bem, não é uma piada. Eu assisto Malhação, gosto e até torço para a mocinha bonitinha trepar logo com o mocinho bonitinho. De preferência na frente da mocinha má que gosta dele.

E a coisa já chegou a um nível tão complicado que eu brigo com as pessoas que me telefonam na hora da Malhação. Minha melhor amiga adora fazer isso só para me ouvir dizer "agora não dá pra falar, tá na hora da Malhação". Acho que ela tá gravando todas essas conversas para me expor ao ridículo diante dos meus amigos frescos.

Pois bem, agora eu admito tudo. E por escrito, que é para não restar a menor dúvida. Eu GOSTO de Malhação. E tem mais: a qualquer momento eu posso chorar com uma cena mais triste da novelinha que não tem cenário, não tem atores e não tem fim, também. Fiquem atentos.

19.6.02

Forró de Gérso
No ano passado me arrastaram para um pagode lá em Mauá. Como eu odeio as duas coisas (pagode e Mauá), precisei de toda ajuda possível para suportar aquelas horas e me afundei em quase um litro de uísque barato.

Na volta (a pé) para a casa do meu amigo, estava completamente bêbada e precisando desesperadamente de um banheiro. Olhei para uma placa e li "Forró de Gérso". Fui até lá, pensando que em um forró deveria ter um banheiro. Estranhei que não tinha por onde entrar e toquei a campainha. Saiu um velhinho e me expulsou de lá aos berros.

No dia seguinte, voltando para casa, passei em frente ao lugar e foi então que percebi: não era Forró de Gérso. Era Forro de Gesso e o local era uma loja de materiais para construção.

E quem pensa que isso é novidade, é porque não conhece meu tio Roberto. O cara morou por vinte anos no Rio e quando voltou pra Sampa, topou com uma faixa enorme onde leu "Reggae São Paulo". Ficou todo animado e pensou que naquela noite mesmo cairia na farra. Qual não foi sua surpresa ao se aproximar da faixa e descobrir que era apenas a campanha "Reage São Paulo", contra a violência...

E eu consegui, pela primeira vez na vida, derrubar uma prateleira inteira de sucos no supermercado. Eu não sei comé que ainda não me barraram por lá.

Ao telefone
Eu - Pô, hoje a Frances Beam conseguiu cortar o nariz.
Ele - Como ela fez isso?
Eu - Sei lá. Cheguei no quarto e ela tava com o focinho todinho machucado, sangrando.
Ele - Vai ver que ela tentou cortar os pulsos. Mas o nariz tava mais fácil, sacomé...
--x--
Eu - Sei lá, meu. Tô tão transtornada que ando pensando em dar um tiro na cabeça. Na minha e na da Fran.
Ele - ...
Eu (após alguns segundos de reflexão) - Na dela primeiro, claro.
Ele - Conclusão brilhante. Você deveria postar isso.

Atualizando: Voz de 0900 é o cacete!

Momento meditabundo
- Por que será que eu passo anos sem ouvir uma música e depois passo semanas ouvindo a mesma música exaustivamente?
- Há algo melhor que chupar (ops!) o caldinho de manteiga com sal que escorre do milho quente? E por que será que o barulho (sluuuuuuuurp!) é tão importante nessas horas?
- Por que diabos todas as vezes que eu uso reticências, acabo colocando quatro pontinhos em vez de três?
- Por que será que as sementes da melancia são tão incômodas? Não podia ser um caroção só, grande e prático?
- Por que os pais colocam nomes como Jerri Adriani nos filhos?
- Por que 99% das pessoas só conseguem ir ao banheiro com uma revista ou livro nas mãos? E por que nos momentos de emergência até a embalagem da pasta de dentes serve?
- Por que algumas mulheres adoram manter playgrounds de ácaros em suas casas (bichos de pelúcia)?

18.6.02

Quando essa que vos escreve começa a postar conversas de ICQ, podem saber: a inspiração foi ali no Forro de Gesso (que é o popular Forró de Gérso lido por dois bêbados em uma madrugada fria) e só volta na semana que vem. E por hoje é só, antes que peçam minha interdição judicial.

Da série Conversas Estranhas

Ela (que também é Ju) - Você também não acredita mais no amor?
Eu - Acredito. Mas o amor, pra mim, é muito mais complexo e não acontece quando eu quero, saca?
Acontece quando eu encontro pessoas problemáticas, comprometidas ou doentes. Às vezes, as três coisas juntas. É por isso que eu prefiro não encontrar, tendeu?
Ela - Tudo o que é bom é ilegal, imoral ou engorda. Grande Leo Jaime!

A essência é essa. E depois de chegar a essa conclusão brilhante, nós fomos alimentar nossos bichinhos virtuais. Céus. Mate-me por favor.

Está aberta a temporada das perguntas cretinas. Vamos lá. Você também pode participar. Chame seu vizinho babaca, seu sobrinho imbecil e sua sogra escrota. Todos juntos por um mundo pior.

Às nove da manhã:
Diiiiing Doooooong Zzzzzzzzzzzz. (o "zzzz" é a campainha em curto)
Eu - Ahn... ehr... huaaaaaaa... oi, tia.
Ela (bom humor nojento, coisa de quem está de bem com a vida e bebe Molico) - Sobriiiinha.
Eu - Que horas são?
Ela - Nove. Cê tava dormindo? Ah, puxa...
Eu - Não, tia. Eu estou derretendo. E isso aqui no meu olho não é remela. É meu fígado.
Ela - ...


E depois eu ainda não sei porque diabos ela me deserdou há alguns anos.

Difícil mesmo é aprender a me concentrar nos meus problemas e esquecer os alheios. Acho que no fundo eu vivo mais a vida dos outros do que a minha. Isso é péssimo, porque a linha entre o altruísmo e a idiotice é muuuuito fina. E, óbvio, eu estou sempre com um pé ali na idiotice. Mas eu me preocupo, porra.

Será que pega mal fugir de casa com essa idade? Ah, sei lá. De toda forma, aceito ofertas de hospedagem gratuita. Em troca, me comprometo a lavar a louça/roupa e cozinhar. Não me responsabilizo pela sanidade mental de ninguém e dou preferência às pessoas que têm apê no Copan.
...
Tá bom, eu entendi. Ninguém, né? Pelo menos tem uma ponte aqui em frente. Não, eu não vou me jogar. Vou só morar embaixo dela. Será que há chance de fazer um gato e botar internet lá?

17.6.02

Conseqüências
- Juliana, você estava bem ontem?
- Ahn?
- É, ontem à noite.
- Estava, mãe. Por quê?
- Pessoas normais não fazem capuccino com farinha de rosca, sabe?

Bem que eu notei que tinha algo estranho naquela xícara.

Ótima alternativa para o controle populacional: os pagodeiros. Entre atropelamentos e tráfico de drogas, logo a coisa ficará equilibrada. Mas eu ainda preferia que eles fossem exportados para a China...

Uma coisa que ainda me incomoda é a necessidade dos parentes e amigos comprarem camisetas temáticas para me presentear quando viajam. É sério. Pra que diabos eu vou querer uma camiseta com o nome de uma cidade onde nunca estive?

Algumas das camisetas são até interessantes: elas têm um tecido molinho, perfeito para usar como pijama. Mas outras... ah, parecem lixas, de tão ásperas. São camisetas preconceituosas: não encostam em você nem que a vaca tussa.

Outra característica dessas camisetas é que elas sempre furam exatamente embaixo do braço. Ventilação, sabe? E todas elas têm os escritos em alto-relevo, feitos com um material que vira pó na primeira lavagem, manchando as outras roupas. Presente de grego?

Há alguns anos recebi de presente uma camiseta azul marinho com um "New York" gigantesco escrito em dourado. A vantagem é que ela brilha no escuro e todas as noites que durmo com ela, consigo chegar ao banheiro sem provocar nenhum acidente.

Na semana passada ganhei uma camiseta de umas tias que foram para Natal. Branca, dura e com escritos em verde-limão, além de golfinhos amarelos estampados. Só falta agora descobrir qual o benefício que ela pode me proporcionar.

Eu achei que meu vizinho me acordaria para o jogo. Mas não, ele não me acordou. Deve ter ouvido minha sugestão de enfiar aquela corneta no rabo e por conta disso eu quase perdi esse espetáculo de jogo. É pra rir.
--x--
Sabe aquela história de borboletas no estômago? Aqui há morcegos. Um monte deles.

16.6.02

Bebe, filhadaputa, bebe! Depois não reclama.
--x--
A partir de amanhã não entra mais uma gota de álcool aqui. E tenho dito.
--x--
Se alguém disser que eu não tenho palavra... ah...

15.6.02

Sobre o cão
Esse post vai ser meio sem sentido para algumas pessoas. Para outras (as que me conhecem bem), vai ser bem realista. E para uma pessoa em especial talvez sirva como ponto de partida para algo novo, assustador e muito, muito bom.

Desci do ônibus e vi um cachorro. Uma cadela, na verdade. Uma mistura de Benji com um gremlin. Era um animalzinho feio, feio, feio, mas com olhos tão doces que me comoveram de forma absurda. Me aproximei daquela coisinha, estendi a mão e a cachorrinha correu, assustada. Tentei novamente e ela venceu aquele medo todo, provavelmente adquirido às custas de pontapés e outras crueldades, apenas para receber um afago na cabeça.

Não havia comida e ela tinha fome. Sabe-se lá há quantos dias não comia nada e só esperava pela caridade de alguém, por um pedaço de pão, por um pratinho de sobras de comida. Quando percebeu minhas mãos vazias, se afastou e foi procurar outra pessoa que pudesse alimentá-la. Não encontrou e voltou para mim, com aqueles olhos imensos a me torturar. Vim embora sofrendo por ela, pela descrença dela nos humanos, pela fome dela, pela solidão.

E me senti um pouco como ela quando pensei no quanto nos machucamos e no quanto temos medo de confiar novamente em pessoas, porque as pessoas machucam, porque as pessoas podem ser cruéis, porque a fome não é só de comida. Às vezes um carinho basta.

É preciso aprender a vencer esse medo, a correr riscos e a viver cada uma das situações, porque mesmo que demore, sempre vai aparecer a mão para nos afagar e alimentar. Bloquear a vida por receio de ser mais uma vez machucado não traz nenhum tipo de consolo. Vale a pena, sempre vale a pena tentar de novo.

Cheguei! Não, não consegui encontrar o Daltony e suas rosquinhas. Em compensação, fui resgatada (com um certo atraso, é verdade) por esse cara aqui quando já entrava em desespero. Tudo indicava que meu futuro seria dormir nas escadarias da rodoviária.

Depois de atropelar um motoqueiro, seguimos para o outro lado da cidade, onde eu tive uma das melhores tardes dos últimos tempos, com direito a almoço e café da tarde, além de um anfitrião que já viajou por outras galáxias. Ou seja, eu estava em casa.

Depois do almoço, ainda recebemos a visita de um outro ser anormal, que às vezes assina comments como Papai do Céu. Foi bom, sim. Eu ri e conversei como há muito não fazia. Eu fiz pessoas passarem vexame na rodoviária. Foi perfeito. E os pais dele nunca imaginaram que haviam criado, educado e alimentado seu filhinho para encontrar pessoas estranhas como eu...

14.6.02

E então amanhã eu vou para Campinas tentar encontrar o Daltony. Se eu não voltar, já sabem onde me procurar.

Fui, pela primeira vez, à rodoviária da minha cidade. Confesso ter sentido falta do bom e velho Tietê, com seus churrasquinhos de gato e suas velhotas atrapalhando o tráfego. Ao chegar no estacionamento, uma dúvida: onde estava o vigia? Procurei, procurei e nada de encontrar o sujeito. Eu tinha que pagar dois reais, mas não tinha a quem pagar essa grana.

Depois de uma boa caminhada entre os carros, achei um guichê com um homem dentro. Corri até lá e enfiei a cabeça dentro do guichê: "uno verde, placas...". E aí eu respirei. E quando respirei, fui intoxicada por aquele odor maravilhoso de rabo de galo. Oh, céus, será que meu carro está seguro?

Percorri o caminho entre o estacionamento e a rodô com uma certa pressa e percebi que as pessoas me olhavam fixamente. Como já estou habituada a isso, continuei andando, tomando um certo cuidado para não tropeçar (coisa à qual eu também estou habituada).

Só que os olhares começaram a me incomodar. Por todos os lados as pessoas riam de mim. E então eu entendi. Sobre o meu corpo, lá estava o magnífico pijama amarelo com um ursinho estampado na frente. E, céus, pernas cobertas de ursinhos. Sim, eu tomei o cuidado de vestir um tênis, mas não lembrei que estava de pijama. E ainda tem gente que diz que eu sou normal....

Frase do dia
"Eu já sou intelectualmente gostoso, tenho que ter algum ponto ruim"

Fisioterapia da Fran é sempre algo divertido. Quando não é a pontaria certeira dela na hora do xixi (geralmente direcionada à veterinária), são as tentativas de suicídio (pulando da mesa ou algo assim). Hoje não foi diferente: primeiro ela marcou o território na maravilhosa camisa de seda da doutora. Eu nem me desculpo mais. A doutora já se acostumou.

Só que hoje teve terapia na água. Eu, que já passei por essa experiência com a Fran algumas vezes, vesti minha roupa mais velha e me preparei para a guerra. A doutora, inocente que é, acreditou que um mero aventalzinho resolveria. Enchi a banheira e entrei, carregando a cachorra. Logo no primeiro exercício, Frances Beam já mostrou o que nos esperava: jogou metade da água da banheira sobre a calça da vetê.

Meu constrangimento por ter uma cachorra tão... tão... estabanada foi indescritível. Resultado: já que estava com a imagem completamente destruída, a doutora resolveu entrar também na banheira. Cena: eu, a Frances e a vetê nos movendo com certa dificuldade dentro da minúscula banheira.

O telefone toca e é a Pa, minha amiga. Minha mãe atende e diz: "ela não pode atender porque está na banheira com a veterinária". Maravilha. Já posso imaginar todos os meus amigos cochichando em uma mesa de bar "nossa, ela assumiu o caso com a doutora...". Não que eles sejam preconceituosos, mas a vetê não faz meu tipo, pô.

13.6.02

Conversa entre mamãe e uma amiga de infância
Mãe - Oi, Ziiiiiita... como é que você descobriu meu telefone?
Zita - Eu perguntei para a comadre da bisavó do meu sobrinho e ela tinha!
Mãe - Nossa, menina, comé que cê tá?
Zita - Tô bem... casei com o Décio.
Mãe - O Décio, primo do Jabuti? Aquele homem lindo?
Zita - Isso. Aquele canalha. Me largou com dois filhos e foi morar com a secretária. Tentei o suicídio duas vezes.
Mãe - Ahn... ehr...
Zita - Mas vamos falar de coisas boas. Como está sua filha? Já cresceu?
Mãe - Assim... ela está boa. Boa para jogar em um poço. E cresceu, sim. Chegou a 1,60m.
Zita - E ela é bonita?
Mãe - Bonita, bonita, não... mas é educada, simpática...

Nessa hora eu arremessei a panela de pressão na cabeça dela. Estamos correndo para o hospital. Se a Zita ligar de novo, anotem o recado, belê?

Sobre o jogo
Os fogos do primeiro gol me acordaram. Na verdade, eu coloquei a TV para ligar às três e meia, mas eu já não sou mais a mesma. Antigamente, a TV podia ligar sem som e já era suficiente para me acordar. Hoje, com um pouco de sorte eu acordo se jogarem o aparelho sobre a minha cabeça. Então eu não vi o primeiro gol.

Quando o segundo gol aconteceu, eu estava no banheiro. No terceiro, eu havia perdido a vontade de assistir e estava dormindo. Dessa vez, nem os fogos me acordaram. No quarto gol acordei com a corneta do vizinho. Ou seja, também não vi. No quinto eu estava sob a cama, tentando resgatar uma cachorra paralítica enfiada entre a caixa do Atari e a parede. É claro que eu ergui a cabeça para ver o gol. E é claro que eu agora tenho um galo que mais parece um avestruz na minha cabeça.

Alguém aqui ainda vai se arriscar a perguntar se eu pretendo assistir o próximo jogo?

Sonho/ Felicidade/ Ilusão/ Esperança/ Realidade/ Choque/ Medo/ Tristeza/ Pesadelo

Há anos eu tenho seguido esses passos. Acredito em algo apenas para vê-lo desmoronando. As coisas simplesmente não dão certo e eu não tenho nenhuma explicação ou responsabilidade sobre isso. Faço a minha parte (sempre), mas existe algum momento em que a maionese desanda e vai tudo para o espaço.

Agora não é diferente: um guindaste me tirou do fundo do poço... só para me jogar lá do alto depois. Já nem dói mais. Só incomoda. Incomoda porque a vontade de gritar "até quando, porra?" é absurda. E a última coisa que eu quero é me acostumar com a dor. Quero lutar por mim, quero acreditar que há saída, mesmo quando as provas indicam que eu vou desmoronar de novo.

Foda mesmo é perceber que sempre pode ser pior. E rir disso, porque achar graça em um caminho tão árduo é acomodar-se na merda. Não quero mais, belê?

Voltamos às atividades normais desse blog.

12.6.02

Coisas que devemos fazer no dia 12 de junho

- Entrar em sites como esse e fazer uma oração;

- Simpatias. Todas elas. Uma delas diz que você deve escrever o nome de três pretendentes em um papel, cortar, dobrar tudo e jogar em uma bacia com água na noite do dia 12 para o dia 13. O que amanhecer aberto no dia seguinte é o seu futuro amor. Não sacaneie: com Murphy à solta, nada de meter nomes como Said ou Zein nos papéis ou pode ter que conviver com uma versão real dos personagens e isso não vai ser tão legal assim;

- Beber até cair e acordar no dia seguinte em uma cama desconhecida.

Se nada disso der resultado, adote um bichinho virtual. Como já tentamos as três alternativas anteriores, eu e minha amiga Ju adotamos um casal de bichinhos virtuais. Eles fazem quase tudo que um bom namorado deve fazer: sorriem para nós, brincam, tomam banho, se alimentam e estudam. E morrem logo, o que é ainda mais útil.

Na imagem à esquerda, temos o Canalhinha. É o meu bichinho virtual e tem esse nome por motivos óbvios. Na imagem à direita, temos a Balzaquinha, a filhota da Ju. Aliás, acho que devo apresentar a Ju. Ela é bonita, legal, inteligente, etc, etc, etc. E tem apenas quinze minutos para encontrar o homem da sua vida. Portanto, rapazes, escrevam correndo. Só serão analisados os homens que tenham um irmão mais velho disponível.

Coisas que só acontecem na minha vida
Doze de junho de dois mil e dois. Dia dos namorados. Telefone toca às nove da manhã.
- Alô?
- Juliana?
- Eu.
- Temos uma mensagem para você. Aguarde um momento por favor.
- Tá.

Roberto Carlos ao fundo cantando "Como é grande o meu amor por você". "Hoje, neste dia tão especial, quero falar da imensidão do meu amor. Quero falar do brilho do sol, do colorido das flores, de todas as coisas que ficam ainda mais belas quando você está presente."

Nesse momento eu comecei a gritar "Voooooolta, moça. Isso não é para mim, nãaaaaaaaaao". E nada da mulher desligar aquela mensagem nauseabunda. Ouvi até o fim e quando ela voltou para perguntar se eu tinha gostado, fui bem honesta. Então ela disse que quem tinha mandado a mensagem era o Vinicius e desligou na minha cara.

Perfeito. O único Vinicius que eu conheço é um primo mala que eu só encontro nos casamentos e velórios. E duvido que ele tenha meu telefone. Resta a chance de alguém ter lido aquele meu apelo logo abaixo e decidido me sacanear com a mensagem. Van, foi você?

Não, acho que não. O mais provável é que tenha sido um engano e uma puta coincidência. Afinal de contas, ligações às nove da manhã, em plena madrugada do Dia dos Namorados, com mensagens bregas são coisas que acontecem na minha vida.

Não terminei de contar minhas aventuras durante a faxina da casa. Depois que limpei o micro, decidi lavar o carpete com o tal de Vaporetto. Levei cerca de duas horas para encontrá-lo e descobrir como é que funcionava.

Trouxe o aparelho para o quarto, enchi de água e acoplei mangueiras e escovas. No primeiro puxão, senti que o troço ficava leve: eu tinha arrancado a mangueira. Ótimo. Mal posso esperar pelo esporro de mamãe.

Depois de consertar tudo com fita adesiva, continuei o trabalho. É lógico que eu não poderia sair dessa sem lesões físicas. Então eu direcionei a mangueira cuspindo vapor para o vão dos meus dedos. E agora eu posso servir meus dedos do pé no jantar, porque eles foram cozidos em vapor, com um método revolucionário que conserva as propriedades benéficas e elimina as gorduras.

Posso dizer que, no fim da brincadeira, todos sobreviveram. O Vaporetto repousa em sua caixa com apenas uma mangueira destruída. Meus dedos estão quase abandonando o tom rosado e voltando à cor branca original. E o carpete está, enfim, limpo. Podem me contratar.

11.6.02

Dia de faxina em casa. Resolvi aproveitar para fazer com que meu micro voltasse à cor original e abandonasse aquele tom azulado da mistura de fungos, poeira e secreções.

Comecei pelo monitor. Peguei o produto caríssimo que tira todo tipo de manchas e ataquei bravamente cada fresta da bundinha do dito cujo. Foi praticamente um procedimento cirúrgico: cotonetes e líqüidos estranhos se espalhavam pela mesa de forma caótica.

Demorou, mas cheguei à tela propriamente dita. Qual não foi minha surpresa ao perceber que estou enxergando bem melhor agora, depois que eliminei a camada de sujeira que distorcia as letrinhas à minha frente. Nem vou precisar dos óculos, mais. No drive A, encontrei meu CPF perdido. Como ele foi parar lá, eu não tenho a menor idéia.

A parte mais emocionante dessa aventura foi o teclado. A tecla Enter destoava das outras pela cor marrom. As teclas Ctrl, Alt e Del estampavam minhas digitais com perfeição. E eu encontrei (oh, que felicidade) um pedaço de azeitona ressecada no vão entre as teclas A e S.

O trabalho terminou depois de algumas horas e percebi que minha máquina ficou bem menos espaçosa depois que retirei os quilos de sujeira acumulada. Já posso até ver a marca do meu mouse, de novo!

10.6.02

Homenagem

Oh céus. Acabei de receber um cartão virtual de uma grande amiga. Fiquei tão emocionada que nem sei o que dizer, mas tinha que registrar aqui o quanto apreciei esse gesto de carinho.

É por isso que as pessoas são tão importantes para mim. Eu não saberia viver sem essa linda imagem do grande Titi. Sim, porque somos íntimos. Ele só é Agnaldo Timóteo para os desconhecidos. Para mim, é Titi e tenho dito. Quem quiser ver a imagem em tamanho real e ler a emocionante dedicatória, é só clicar aqui.

Obrigada, Van. Você fez as lágrimas brotarem nos meus olhos. E quem quiser me enviar cartões virtuais ou telemensagens, aproveite! Está aberta a temporada de sacanagens com a Juliana. No bom sentido, claro.

Aos quinze anos eu me apaixonei perdidamente por um vendedor de cocos da Praia da Sununga, em Ubatuba. O menino era lindinho, mas muito estressado. Passamos uma semana brigando e eu achava que aquilo era a maior prova de amor que alguém poderia dar.
Na hora de voltar para a cidade, entrei no carro e chorei copiosamente, enquanto minha mãe tentava me convencer que eu tinha escapado de um destino cruel: quando o cara se irritasse, pegaria minha cabeça, deitaria em um tronco de árvore e a cortaria fora, como se eu fosse um coco.
O que vocês têm com isso? Nada. Esse é só mais um capítulo da minha estranha vida.

PS: Ainda tem o periquito, o ceguinho e o cara do Liqüid Paper. Aguardem.

9.6.02

Convite ao homicídio em massa
Dia desses o Mava escreveu que depois da bomba atômica, só restarão as baratas e os Rodrigos. Devo dizer que restarão as Julianas, também. Hoje, ao chegar ao prédio em que seria realizada a prova, topei com uma lista de nomes e suas respectivas salas. Olhei a primeira folha, oitenta e cinco nomes. Oitenta e cinco Julianas. Olhei a folha seguinte, mais oitenta e cinco Julianas. E assim foi por pelo menos mais umas dez folhas até que eu localizasse meu nominho perdido lá no meio.

Chegando na sala, entreguei o RG para o fiscal e notei o desespero do sujeito em meio a tantas Julianas. Na hora de entregar a prova, eles nos chamavam apenas pelo sobrenome. Seria simples se eu não tivesse um sobrenome começado com P. Acontece que eu estava lá, logo depois das Pereiras, que eram cerca de 80% do grupo.

E no meio de tantas Pereiras, existiam duas Pereira de Lima. Os fiscais entraram em pânico ao perceber que as provas tinham sido trocadas. Isso sem falar no Juliano que se perdeu na minha sala e só descobriu isso no último minuto... Oh, céus, eu não quero mais encarar essa concentração absurda de Julianas por metro quadrado.

Bom mesmo é ouvir uma sirene na rua e acreditar que vem de dentro do meu micro. Acho que estou impressionada com o velho Lentium aposentado. Ele tinha um cooler voador que quase arrancou um pedaço do meu dedo.

Procuro
Pessoa com habilidades manuais para massagem nas costas sem compromisso emocional ou sexual. Não pago nada, mas serei eternamente grata.

Confirmada a morte do jornalista Tim Lopes. Elias Maluco é como é conhecido o responsável por essa crueldade. E agora? Como punir o assassino? Eu acredito que a forma correta seria queimá-lo vivo em praça pública, para que servisse como exemplo.

Eu nunca acreditei que a violência devesse ser combatida com mais violência, mas a coisa ficou insustentável. Não dá para culpar a miséria por isso. Nada justifica um crime desses. Quantos assassinatos mais precisarão acontecer antes que alguma providência seja tomada? Até quando vamos continuar vivendo esse holocausto?

Estou com nojo desse país. Nojo.

8.6.02

E no fim das compras, fui à Casa do Pão de Queijo tomar um café. Chegando lá, fui atropelada por uma vassoura. É sério. O cara estava varrendo o local e simplesmente não me viu. Acabamos os dois estatelados no chão, com dúzias de pessoas em volta, rindo de nós.
Mas tive um consolo: o atendente da loja era um pouco mais desastrado que eu. Em menos de dois minutos conseguiu quebrar uma xícara, derrubar um pão de queijo, prender o dedo na geladeira e se queimar na máquina de expresso. Acho que vou voltar lá pra pedir o cara em casamento. Ele é minha alma gêmea.

No sebo
Tarde de espirros e risadas contidas naquele depósito de poeira que eu tanto amo. Não comprei nada que preste, à exceção de Ciranda de Pedra e A Disciplina do Amor (da velha e boa Lygia). Os outros são romances de autores desconhecidos e alguns livros de psicobiologia (nem pergunte...).
Pronto, agora chega de "querido diário". Vamos ao que interessa: os micos. Para começar, eu entrei no sebo e perguntei a um homem onde estava o "seu" Nelson. Ele respondeu que era ele mesmo e só então eu notei que o rosto era conhecido. O que faltava era a peruca ruiva que o dono do sebo costumava usar.
Não contente com isso, eu tive que tentar consertar a coisa. É óóóóóóobvio que a primeira coisa que falei foi "ah, o senhor está diferente... alguma coisa nos cabelos..." e o homem quase me fuzilou.
Menos de cinco minutos depois, a gafe maior: disse para o homem que havia deixado um crédito lá com a mãe dele. E ele responde: "é minha esposa". Definitivamente, é melhor que eu só saia de casa com a boca devidamente lacrada.

Momento querido diário
E hoje eu estou me sentindo pequena. Muito pequena diante de tantas coisas grandes e incompreensíveis. Sem direção, confusa e abalada pra cacete. Eu sinto que fiz algo errado e não sei como consertar, sabe? Ao mesmo tempo, acho que não estou tão errada assim e que um pouco de conversa resolveria tudo. Mas a decisão não está na minha mão e acho que isso é o que mais me agride: a impotência.
É muito difícil conhecer os limites das pessoas. É muito difícil perceber que talvez a coisa seja supervalorizada de um lado e nem tanto do outro. Ainda assim, o risco compensa. Creio que faria tudo de novo simplesmente porque NÃO SEI viver pelo meio. Eu dou valor às pessoas que fazem parte da minha vida e não saberia me distanciar o suficiente para que isso não machucasse.
Talvez eu deva aprender muito mais da vida e das relações humanas. Não me peçam conselhos: eu sou um fracasso.

Sobre o jogo
O jogo ainda não acabou, mas tenho que aproveitar que me acordaram cedo para escrever alguma coisa por aqui. Como minha imaginação foi ali e não voltou mais, falemos sobre o jogo.

- E a Argentina, hein?
- Se o jogo era às oito e meia da manhã, por que diabos estão soltando fogos desde a noite passada?
- Tem um vizinho meu pendurado no telhado tocando uma maldita corneta amarela. Eu acho que ele não entendeu quando eu disse que enfiaria aquela corneta em algum orifício bem apropriado do corpo dele.
- Os carros buzinam e as pessoas gritam. Por que esse espírito não consegue tomar conta de mim? Eu gosto de futebol, porra, mas assim já é exagero. São dez da manhã! Absurdo!
- Tá tudo muito legal... quatro a zero pra selecinha (royalties pro Ruy) e tal... mas eu quero ver é quando pegar um time de verdade. Sim, porque é até engraçado ver os chineses sem rumo quando a bola cai acidentalmente no pé deles.
- Na Copa das zebras, a maior zebra vai ser se o Brasil ganhar.
- E a Itália, hein?


Agora eu vou ali terminar de ver o jogo. Cadê minha bandana verde e amarela?

7.6.02

Impressionante como nos tornamos desnecessários de uma hora para outra. O que falta? Educação ou sentimentos?

Domingo tem outro daqueles malditos concursos e eu não tenho a menor noção de como chegar lá. Se por acaso algum paulistano avistar uma figura com um aspecto estranho (algo como duas olheiras com um rosto em volta) perdida no metrô às nove da manhã, sou eu. Seja gentil e ofereça uma carona para o boteco mais próximo.

Eu sou a prova viva (viva? não exagere) de que uma noite inteira ouvindo a mesma música (How soon is now? - Smiths) causa grandes estragos. É, eu não dormi. É, eu não comi. É, eu não sou normal.
--x--
Eu pedi colo. E o colo vem hoje à noite até Maomé. Podem me chamar assim, de agora em diante. Lady Maometh.

6.6.02

Papai do céu
Da próxima vez que o dia for ruim assim, favor fazer com que eu tropece nas havaianas, caia, bata a cabeça na parede e desmaie até o dia seguinte antes mesmo de sair do quarto, belê?
Um mero tombinho no banheiro não resolve a minha situação.

Atenciosamente,
Juliana

No meio da madrugada, toca o telefone e é a dona mãe diretamente do Bingo Senador.

- Ju, tô ligando só pra avisar que saquei 10 reais da sua conta.
- Como assim? Mãe, como é que você sacou 10 reais da minha conta?
- Simples, com o seu cartão.
- Mas... mas...
- Eu não trouxe o cartão da minha conta... acabou o dinheiro... já viu, né?
- Mãe! Cê tem noção que eu tô na lama? Você gastou o meu único dinheiro no BINGO? Eu te maaaaaaatoooo...
- Tu...tu... tu... tu...


E foi assim. Agora eu não tenho mais os meus dez reais para segurar as pontas até o dia 20. Só tenho cinco que escondi embaixo do colchão. Então, eu não sou gente. Não me convidem para NADA, porque eu não tenho dinheiro.
E amanhã podem procurar alguma notícia sobre matricídio nas páginas policiais. Estou aguardando a chegada dela com um facão... ops... ouvi um ruído. É ela. Vou lá.

As pessoas não tomam cuidado com o que dizem... por que eu fico tão preocupada com o que EU digo? Lembrei daquele "Ao desconcerto do mundo", agora.

Aproveitei essas horinhas com o braço arrebentado para dar uma olhada nos livros que resgatei lá na casa da minha avó. Tudo ótimo, se não fosse aquele livro sobre distúrbios de personalidade e o outro com dez testes de níveis mentais. Descobri que não há salvação para mim.

Como assim? Dee Dee Ramone morto? O que está acontecendo com meus ídolos da adolescência, pombas?

Um pouco de paciência, pessoal... eu consegui a proeza de me estabacar no chão do banheiro hoje cedo e torcer o braço. Agora digito só com a mão esquerda. Eu sempre disse que é perigoso me acordar antes das onze. Sempre.

5.6.02

Putz... o repertório de histórias sobre ela é grande. Eu começo a contar um "causo" e logo lembro de outro... mais um, em forma de diálogo.
- Vó, cê ligou pra tia Cleide?
- Eu não vou ligar nunca mais para ela. Aquela moça que atende o telefone é muito mal educada.
- Que moça, vó? A Graça? (pensando tratar-se da moça que fazia a limpeza)
- Não é a Graça. Eu não sei o nome dela. Eu pergunto as coisas e ela não responde.

Algum tempo depois, perguntei à tia Cleide quem era a tal moça. Era a secretária eletrônica.

Mais uma dela: dois anos antes de morrer, estávamos todos reunidos na cozinha (eu, minha madrasta, meu pai e minhas irmãs) enquanto minha avó cochilava no sofá. De repente, nós ouvimos um grito "Cróvinho (meu pai), pára de brigar com ela! Isso não é coisa que se faça!". Corremos para a sala e lá estava ela, de pé, com o dedo encostado na TV, discutindo com o Antonio Fagundes...

Outra coisa que vovó fazia era enganar os filhos quanto aos remédios que deveria tomar. Não foram poucas as vezes em que a vi jogando os remédios em vasos de samambaia. E viveu até os 90...

Lembrei da minha santa avó, falecida há seis anos, agora. Figuraça. Vivia se metendo em encrencas por conta de sua independência. Aos 80 anos, surda e meio capenga, resolveu dar uma volta pelo bairro. Foi vista do outro lado da cidade, discutindo com um feirante, após ter andado cerca de cinco quilômetros.
Na volta, sofreu um acidente. Andando pelo meio da rua, a velhinha atrapalhou o trânsito por horas e horas, até que um motorista de caminhão decidiu buzinar. Ela, que não tinha notado o veículo grudado em sua bunda, tomou um susto absurdo, tropeçou e acabou rachando a cabeça no muro. A sorte é que ela já estava em frente à própria casa e era uma vaso ruim daqueles. Subiu as escadas e telefonou para minha casa pedindo socorro.
Até hoje os médicos não sabem como ela sobreviveu... vovó era dura na queda.

Quando alguém faz uma brincadeira pela primeira vez, é divertido. Na segunda já não tem tanta graça, mas você ri para não perder o amigo. Na terceira você não ri mais: ignora. Na quarta você pensa em assassinato. Mas o que você deve fazer quando uma brincadeira idiota se repete por cerca de quinze vezes? Bah. Pessoas sem senso de ridículo, que não me conhecem e acham que eu tenho senso de humor... cuidado, tá? Eu perco a paciência rapidinho.

4.6.02

Então... aí teve o lance da partilha dos bens da minha avó e eu, claro, fiquei com os livros e fotos. O livro de receitas eu já tinha roubado há anos (sou conhecida na família por arrecadar todos os livros de receitas do povo que morre), mas hoje peguei o restante do "legado" cultural.
E agora o meu quarto está um pouco mais confuso: tem a cachorra, os livros, o computador, a TV e eu, em um espaço minúsculo. Então eu vou ali dormir no banheiro e volto amanhã, se encontrar o caminho para a cadeira.

Beijão pro Moe, que passou por aqui esses dias e eu só descobri por conta do bendito Sitemeter e tem um blog-bar bacana. Apareça sempre por aqui, menino.

Ê lasqueira... eu sempre esqueço que ninguém lê posts longos. Ah, tudo bem. Eu também não leio meus posts.

A taróloga
Parte 2 - Como ser pega no pulo

Era uma noite escura e fria de julho quando eu resolvi fazer os "trabalhos" que a taróloga havia indicado. Então peguei as velas e procurei esquecer os chutes errados que a mulher deu sobre a minha vida. Como ela tinha pedido que eu não falasse para ninguém das tais simpatias, fui sozinha ao local indicado, uma represa.
Estacionei o carro e fui caminhando na escuridão, morrendo de medo. Tropecei em uma pedra e quase arremessei as velas dentro da represa. Vale lembrar que eu não tinha uma maldita lanterna, instrumento fundamental para uma caminhada no meio do mato, à noite.
E então eu coloquei as tais velas na posição indicada, falei as "palavras mágicas" e fui saindo de costas, seguindo a tradição. No terceiro passo em marcha ré, um esbarrão, dois gritos e uma surpresa: lá estava a Andréa.
- O que cê tá fazendo aqui, porra?
- Pô, Ju... eu vim... eu vim...
- Cê veio fazer o trabalho, né?
- Como é que você sabe?
- Óbvio. Eu também vim fazer o trabalho. Fala uma coisa... ela disse que tinha que ser em uma quarta-feira, à meia noite?
- Disse!
- ...

Desde então eu não acredito mais em tarólogas que fazem convênio com jornais. Não, eu não acredito em tarólogas e ponto final. Dei uma carona para a Andréa, que tinha ido para lá de ônibus (!!!!), fomos para minha casa e passamos a madrugada inteira, bêbadas, calculando quantas cervejas nós deixamos de beber para pagar aquelas consultas.

PS: Esses dois últimos posts são dedicados ao "comentador" Doidim, o empresário da taróloga de Brasília, a Dona Madalena. E que todas as tarólogas vão para a Dona Madalena que pariu (royalties para a Van).

A taróloga (em dois capítulos)
Personagens:
Andréa (vendedora), Valdir (depto. financeiro), Juliana (eu), Claudete (jornalista) e Claudete (taróloga)
Parte 1 - Como perder a sua dignidade dentro de uma empresa

Eu trabalhava lá naquele jornaleco e um dia a Andréa apareceu com a novidade:
- Ju, nós fechamos um convênio com uma taróloga.
O primeiro pensamento foi que meu amado chefinho descobriu que só o esoterismo poderia nos salvar. Ri da situação estranha de fazer um convênio com uma taróloga, mas logo lembrei que a gente já tinha uma permuta com uma assistência funerária... bem sugestivo.
- Legal, Déa. Ela é boa?
- Excelente. Eu já testei os serviços. Funciona assim: você paga metade da consulta e a outra metade sai em anúncios.
- E onde fica essa taróloga, Andréa? Sacomé... tô precisando de uns conselhos...
- Esse é o melhor da história. Não fica. A consulta com a Claudete é por telefone.

Aí eu me assustei. Já não sou lá muito adepta dessas práticas esotéricas... e por telefone? Isso não estava cheirando nada bem. Resolvi esclarecer a coisa no dia seguinte, ligando para a Clau (sim, ficamos íntimas).
Montamos uma verdadeira operação de guerra. Meu amado chefinho não passava cinco minutos sem chamar meu nome e a tal consulta só poderia ser feita quando ele estivesse em alguma reunião ou saísse do jornal.
Na primeira tentativa, um susto: após passar meus dados pessoais para a mulher, o chefinho que tinha saído voltou. Tinha esquecido o notebook em cima da minha mesa.
Da segunda vez, correu tudo bem. Ouvi as previsões, duvidei de todas elas e voltei ao meu serviço, pensando em como fazer os "trabalhos" que a taróloga tinha me passado (veja parte 2).
No dia seguinte, toca o telefone e é a taróloga, cobrando o depósito da grana que a Andréa deveria ter feito no dia da consulta. Anotei o recado e esperei minha amiga voltar do almoço para dar a notícia.
- Andréa, a Claudete ligou e perguntou se o dinheiro foi depositado.
- Passa pro seu Valdir, ué.
- O seu Valdir vai pagar nossa taróloga?

Silêncio na redação. A Andréa pensou que eu estava falando da Claudete jornalista, claro, e ficaria tudo bem se meu chefinho não tivesse entrado na sala exatamente naquele minuto. Creio que foi ali que eu assinei a primeira letra do meu nome em minha rescisão contratual. A segunda letra veio quando eu chamei a filha do chefe de Pokemon cor de rosa (e a mãe da criança ouviu).

Aguardem a continuação.

10 motivos para vocês me odiarem
- Eu já tive um caderno encapado com a foto do Axl Rose
- Eu já achei que o Skid Row era a coisa mais perfeita do mundo em termos musicais
- Eu já chorei em um show do A-ha
- Eu já segui um menino bonitinho na rua
- Eu já marquei um encontro a partir de um engano telefônico (mas não fui)
- Eu já matei umas três tias para faltar no serviço
- Eu já desfilei em uma escola de samba (isso foi ridículo)
- Eu já fui expulsa do catecismo
- Eu já usei calça pescador verde limão com mini blusa rosa choque

Se você se deu ao trabalho de contar, percebeu que só existem nove motivos para me odiar. O décimo fica por conta da casa.

Pessoas sem um pingo de bom senso telefonam para mim às oito da manhã. Eu só tenho uma coisa a dizer: não me responsabilizo pelas agressões. Às oito da manhã eu nem sou humana.

E hoje foi dia de partilha dos objetos na casa da minha avó. A casa está abandonada há anos e hoje fomos até lá para dividir os bens (algo como um Atari das minhas tias e algumas xícaras velhas) e limpar o local. E isso me fez lembrar da partilha dos bens da minha outra avó, há sete anos. Qualquer hora conto sobre isso.

Você passa a vida inteira tentando acertar. Tentando não prejudicar ninguém, buscando soluções para a sua vida, tomando rasteiras e levantando em seguida, porque o show tem que continuar. E um dia você começa a questionar isso. Por quê? Por que tem que continuar? Qual é a obrigação que eu tenho de achar graça em cair, bater a cabeça, ralar o joelho? Nenhuma.
E esse é o ponto em que o desânimo te domina. Você acorda e não quer saber de levantar. Você sente fome, mas não tem vontade de comer. Você faz uma lista dos dez motivos para estar vivo e só consegue lembrar de três, quando lembra. A necessidade de corresponder às expectativas, ser forte, agradar a todos, sentir que a resposta para todos os seus problemas está bem ali e você não consegue enxergar... isso tudo vai minando suas forças.
Mas sempre há o lado bom, mesmo nas piores situações. Onde você conserva seu inferno particular é também onde você encontra um pouco de ânimo para viver. Pessoas que te fazem perceber que uma palavra simpática pode salvar a sua vida. Pessoas, sempre pessoas. Nada mais que isso. Você não precisar de nada além disso. As pessoas certas, que te enxergam como você é de verdade, e não como gostaria de ser. Pessoas que vêem mais em você. Mais do que acredita merecer.
Não existe uma conclusão para esse desabafo. É só que a vida não é uma constante fonte de gargalhadas. Às vezes você se deixa dominar pela euforia, porque é mais fácil, mas essa euforia é sempre uma máscara, uma maldita máscara que esconde a insegurança, o medo, o pessimismo e outras drogas similares. Então, aqui está o ponto de equilíbrio para os momentos de euforia. Porque eu também preciso sentir que sou humana, falho e tenho medo.

PS: Isso é para você, que tem me mostrado que a vida pode ser dura para nós. E para você, que acha que está no fundo do poço e não sabe como continuar. E para você, que alegrou meu dia ontem com palavras bonitas. A sua felicidade pode estar em outras pessoas, sim. Ou ao menos parte dela. Obrigada a vocês por fazerem parte da minha vida.

3.6.02

Frase da noite II
"Depois que a gente parou de brigar, a conversa ficou legal, mas eu tenho que dormir."

Nota: Paramos de brigar nos dez minutos finais de uma conversa de mais de quatro horas. Ah, esses meus amigos...

Frase da noite
"A gente vai acabar se matando ou conquistando o mundo de mãozinha dada."

Acho que prefiro o suicídio coletivo, mesmo.

Tem uma amiga minha colecionando as frases que eu digo quando estou meio alterada. Essa mesma amiga já planejou escrever um livro sobre a minha vida. Qualquer dia eu copio algumas dessas frases para cá... e aí todos terão certeza que eu já perdi completamente a noção do ridículo. São coisas muito degradantes e eu ainda tenho uma reputação. Não sei por quanto tempo, mas tenho.

Diálogos
- Van, antes de fazer qualquer merda, fale comigo. Eu te aconselho. Mande e-mail, telefone, faça qualquer negócio.
- Belê, Ju. Quando eu estiver no 19º andar do edifício, querendo pular, te mando um telegrama. ESTOU NA LAMA PT VOU PULAR PT PRECISO DE AJUDA PT
- Isso. Aí eu corro pro prédio e te encontro esperando minha resposta pendurada lá...

Confissão

Olha, nos meus momentos de Carlão eu posso dizer com a cara mais sacana do mundo: essa mulher é uma coisa do outro mundo. Puta merda. Que boca. Que olhos. Que peitos. Que tudo. Tomanocu, viu...
Como eu disse para o Mava ontem, até eu comeria essa mulher!
(roendo as unhas de inveja desse monumento, Laura Elena Harring)

Relevem os posts abaixo. É sono.

E se nesse exato momento eu disser para vocês que a Juliana não existe? Que eu sou o Carlão, coço "as partes" e cuspo pelo canto da boca? Alguém vai cortar os pulsos?

E já que aqui ninguém mais comenta nada, vou fazer uma ameaça: tô avaliando o fanatismo dos meus quatro leitores. Conforme for, paro de escrever aqui e me mudo para um local escondido. E vocês vão chorar lembrando dos meus CDs bregas, das minhas bebedeiras, da minha mãe, da Frances e de todas as coisas que sabem a meu respeito. E nunca mais terão notícias minhas. Chegará o dia em que duvidarão até da minha existência.
...
Tá, eu sei que não colou.

Por um momento eu até torci pelo Brasil, hoje. Foi ali naquela hora do gol... gente, o que é aquele Ronaldinho? O cara tá há anos capengando e chega na Copa, dá uma corrida daquelas e marca o gol. Palmas para o manquinho.
E depois eu comento sobre o mullet do outro Ronaldinho, o dentuço. Tá, os dois são dentuços, mas esse aí do mullet é pior, pô.

2.6.02

E se eu dormir em cima da prova no próximo concurso, como aconteceu hoje, não me acordem.

Malditos sejam todos os fiscais de concursos. Eles também têm medo de mim. Eles pensam que eu vou colar na prova. Ledo engano, meus caros. Eu não tenho saco para isso. Não perderia meu tempo anotando teoria em bilhetinhos. Prefiro errar tudo e continuar na lama a agir como se eu estivesse na oitava série.
Não venham com suas piadinhas escrotas para cima de mim: vocês nunca vão conseguir me agradar com isso. Aprendam que a terceira fila de carteiras entre cinco é apenas a fila do meio. "A terceira daqui pra lá" é a maior burrice que eu já ouvi e foi exatamente por isso que eu comecei a gargalhar no meio da sala.
E não precisam me tratar como se eu tivesse algum dano irreparável no cérebro. Podem falar com suas vozes normais, não precisam ser meiguinhos, belê? Eu odeio todos vocês de qualquer jeito.

Hoje eu tive a certeza de que as pessoas têm medo de mim. É verdade. Pode ser minha aparência estranha, minha cara antipática ou simplesmente um pressentimento de que elas devem me temer, mas isso acontece sempre.
As pessoas não querem que eu fique nervosa. Ao menor sinal de tensão, elas dizem "calma, tá tudo bem... pronto, já passou", como se eu fosse pular no pescoço delas dando violentas mordidas.
A minha próxima aquisição será uma focinheira. Assim todos passarão a mão na minha cabeça sem medo.

1.6.02

O que eu ia contar mesmo? Ah sim. Já consegui tirar as botas. Eu fui ali ver aquele filme fodão de novo. E não estranhem se eu disser que semana que vem vou ver de novo. Eu sempre fui obsessiva.
--x--
Voltando, já prejudicada, duas coisas ótimas me esperavam. Esses meus amigos ainda me matam do coração. Vocês dois são muito especiais, viu?

Ai. Será que no Google tem como achar um site que explique como livrar-se de um par de botas? E será que tem o curso avançado, para usuários com problemas de coordenação motora agravados pela ingestão de substâncias etílicas?
Eu sempre acabo dormindo calçada.

Devo contar? Devo.
Sonhei que meu quarto era invadido pelos Teletubbies. No início tive medo, mas depois ficamos amigos e a coisa acabou em pizza. Literalmente. Eles comeram toda a pizza que eu tinha guardado pro café da manhã e isso gerou um conflito entre nós. O fim do sonho foi meio confuso, mas lembro bem dos corpinhos estendidos no chão.
Será que eles foram para o céu das cabras, Van?