31.7.02

Eu juro que tentei sair com a tal blusa hoje. Mas, claro, esfriou pacas e eu acabei me enrolando em uma coisa mais quente (e já vai ter gente levando por trás...) e voltei cedo pra casa. Já estou aqui. Pronta para despejar mais bobagens nessa tela. Agora eu vou ali escrever uma carta e depois volto.

PS: Eu juro que Murphy está pendurado na cortina do meu quarto, rindo.

A camisa
(mode futilidade on)
Eu não resisti. Comprei mais uma camisa. Não foi exatamente uma compra, já que minha mãe vende roupas (eu nunca tinha contado?) e eu sou sua maior cliente. E com a maior conta, claro. Mas o fato é que eu comprei a camisa. Duas, na verdade. Lindas. Uma preta e uma vermelha, só pra variar um pouco. E vocês não têm nada com isso, mas eu tenho que dizer.

Meu deus, que decote é aquele? Não, pára tuuuudo. Ela me olhou da sacola de roupas, com aquele ar sedutor. Eu ainda não conhecia seu "eu interior". Me aproximei dela, interessada... abri a sacola... tirei do saquinho... ahhhhhhhhh. Não pude resistir àquele decote. Levei as duas para o quarto, ela e sua irmã gêmea.

E agora eu tenho um problema. Tenho dois, na verdade. Sim, eles, os peitos. Tenho quatro, se contarmos a outra camisa. E hoje é quarta-feira. E eu vou sair. E não é uma camisa que possa ser usada em uma noite fria. Mas eu sou obsessiva e é com ela que eu vou. Não sei se uso a preta, que é meu passaporte para o sucesso, ou se uso a vermelha, que é meu passaporte para a degradação do meu bom nome. As duas coisas são muito interessantes. Eu só não posso beber demais, sob risco de parar na cadeia por atentado violento ao pudor. Oh céus, eu não era assim.

PS: Esse post é dedicado à Silvia, companheira de "eu vou me arrepender por dizer isso aqui".

(mode futilidade off)

É, eu tenho essa mania de me apaixonar por roupas e comprar logo três, de cores diferentes. Às vezes nem a cor muda...

E quando a vida ficar desinteressante demais, troque o som do seu celular. As fortes emoções são garantidas: no primeiro toque, você "garra" no teto com facilidade. Isso já foi testado.

Mas também, o que vocês esperavam de uma pessoa cujo primeiro namoradinho passou Liquid Paper no dente da frente pra esconder uma cárie? Bah.

Como pedir um homem em casamento usando o cérebro - 1ª lição
Juliana diz:
Eu to dizendo... a gente tem é que casar, mesmo... imagina a perfeição genética de um filho nosso. O sujeitinho seria completamente dominante...
Juliana diz:
E sobre o filho, pensa bem... seria um daqueles exemplares que o povo quer pra procriar, sabe? Tipo gado... características fortíssimas... é que nem quando a gente cria cachorro, é até bom cruzar dois irmãos pra fazer uma raça mais pura...
Juliana diz:
E pra pegar mais pesado ainda nas nossas semelhanças, o sexo entre a gente seria ótimo. Porque provavelmente você gosta das mesmas coisas que eu. Olha que beleza!
Juliana diz:
Nós somos uma experiência. Seremos analisados pelo Inmetro pra testar a qualidade. Nossa trepada será veiculada em rede nacional.

É óbvio que ele não aceitou. Vou ali cortar os pulsos e já volto.

30.7.02

E o povo ainda fica aqui lendo blog... tsc, tsc.

Utilidade pública
"Além de ser prazeroso, o beijo traz uma série de benefícios físicos e emocionais. O toque ardente dos lábios movimenta 29 músculos, provoca a pressão de até 12 quilos de um rosto contra o outro e eleva os batimentos cardíacos: eles saltam de 70 para 150 batimentos por minuto. Esse bombeamento sanguíneo aumenta a oxigenação das células, estimula as funções circulatórias e diminui a insônia e as dores de cabeça. A cada beijo de língua, trocam-se 250 bactérias junto com a saliva, o corpo queima 12 calorias e a produção de hormônios aumenta. O nível de serotonina, substância química que dá a sensação de euforia e relaxamento, cresce. Por isso, beijar na boca acalma, ajuda a liberar sentimentos reprimidos, reduz o complexo de rejeição e alivia o estresse. Tudo em questão de instantes."

A explicação do Nishi para surtar depois do banho
"Perco a camada de sebo que protege o meu cérebro. Porque ninguém me tira da cabeça que o monte de furinho por onde saem os cabelos, também serve para irrigar nosso cérebro em dias de chuva ou num chuveiro, por exemplo. Ou nadando, sei lá. Aí, tipo sem o sebão, o meu cérebro, que é meio dromedárico e não tá acostumado com água, acaba se embriagando de H2O e acaba me fazendo falar esse monte de coisa idiota que não serve pra nada senão cansar a sua vista e os meus dedos, provavelmente. Até secar, agora... acho que eu, na verdade, sou um aparelho eletrônico."

A propósito, nas duas ou três horas que eu consegui dormir essa noite, sonhei com ratos. Hamsters (é assim?) criados em Mogi das Cruzes. Eu decidia comprar uma família de hamsters em Mogi das Cruzes e seguia para lá. O detalhe é que só se chegava na cidade escalando. E o Agnaldo Timóteo ia comigo, reclamando do caminho árduo e do cheiro dos hamsters (isso na volta).

Mas o mais grave ficou para o final do sonho. Eu jogava o Titi lá do alto do morro. Ele e os hamsters. Morriam todos e eu vivia feliz para sempre, sem ratos fedorentos e sem o rei do brega para me infernizar. Podem chamar a ambulância do Charcot, que eu tô prontinha.

E sim, ontem eu fiz o que tinha que fazer. Já me arrependi, mas isso é parte do processo, certo? Eu nunca vou estar absolutamente segura do que é certo ou errado.

E agora voltamos às atividades (a)normais desse blog.

Aviso aos navegantes
A partir de hoje, tô em tratamento médico para uma ligeira disfunção (não, não é no cérebro) e posso surtar descontroladamente a qualquer momento. Da última vez que tomei esses remédios malucos, eu arremessei um açucareiro na cabeça de um infeliz. Tudo bem que ele devolveu um prato de kibes (o que me emputeceu de verdade, já que os malditos kibes eram caros). Então, tenham paciência comigo. Insônia, irritação e mania de perseguição fazem parte dos efeitos colaterais. Se eu chegar aqui dizendo "vão todos tomar no rabo", não me obedeçam. Esperem só um tiquim porque o calmante já vai fazer efeito...

29.7.02

Escuta, será que cês podem parar de entrar aqui procurando fotos do Nishi pelado? De novo, porra? Chega! Esse blog é meu.

Ah, só pra constar: eu ainda não fiz aquilo que disse que faria ontem. Tá, eu sei que ficou confuso, mas o lance é que eu não fiz. Mas hoje à noite eu faço.

Mil novecentos e guaraná com rolha, show do Faith No More no abecê, uma adolescente apaixonada pelo Mike Patton, um irmão segurança na porta do camarim. Eu, sabendo que existia uma chance de ver de perto o meu ídolo, me informei sobre a banda paralela (Mr. Bungle) do Mike e fui para o show, disposta a conversar sobre algum assunto diferente do habitual "me dá um autógrafo". É claro que eu rezei por umas duas horas antes do show para que ele não acreditasse realmente que eu sabia algo sobre o tal Mr. Bungle. O vexame seria enorme caso ele perguntasse alguma coisa.

Então eu tinha que convencer meu irmão mala a me deixar entrar no tal camarim. Suborno, claro. Arrumei uma sacolinha com aqueles suplementos de vitaminas e fui pro show. Meu irmão não resistiria. Meu plano seria um sucesso. E foi o que aconteceu. No fim do show, fui arremessada para dentro de um camarim cheio de homens suados e lá estava ele, o ídolo, com uma camiseta "cor sim, cor não" azul e branca. E lá estava eu, a fã, com uma roupa preta meio destruída pelos puxões e encontrões durante o show. E um furo nas costas, feito pelo cigarro de uma amiga.

O diálogo abaixo se passou em duas línguas: inglês e um dialeto estranho que eu inventei na hora. Não ouso reproduzir a parte em inglês, até porque eu pouco entendi daquela conversa toda além do básico. Me aproximei do Mike e...

Eu - Oi! (originalíssima, eu)
Ele - Oi. Você gosta de carambolas?
Eu - Gah... (já entrando em alfa)
Ele - Carambolas. Eu não sei porque diabos eles nos torturam com frutas estranhas. Eu nem gosto de frutas!
Eu - Gahhhh...
Ele - É verdade, em todo país que você vai fazer um show, servem umas frutas típicas com gosto de terra. Nesse caso a terra ainda é azeda.
Eu - Gahhhhhhhhhhh...
Ele - Você está se sentindo bem?
Eu - Gah... gah... gah...
Ele - Alguém! Ela está passando mal. Deve ser o calor...
Eu - Gahhhhhhhhhhhhhhhhhh...
Ele - Eu acho melhor te levarem embora...
Eu - Gahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh... uma foto! Só uma!
Ele - Ah, sim, melhorou. Uma foto. Bem, alguém pode bater essa maldita foto?
Eu - Aqui, aqui, aqui. (grudada no pescoço do Mike, entreguei minha máquina a um sujeito e pedi que batesse a tal foto)
Ele - Gostou do show?
Eu - Gahhhhhhhh...
Ele - Ih, começou de novo.
Eu - Gahhhhhhhhhhhhhh....


E foi assim que eu fui arrastada para fora do camarim, sem a foto, sem o autógrafo e sem o Mike. Ao sair, cerca de quinze amigos meus rodeavam as escadinhas por trás do palco. Fui levada até um carro e passei cerca de três dias dizendo "carambolas", sem que ninguém compreendesse. Minha mãe acha que eu sonhei. Meu pai tentou me internar. Eu não vejo a hora de encontrar de novo com o Mike Patton e entregar uma cesta de carambolas de presente para ele.

28.7.02

A frase da noite
Fabrício, na lavagem de roupa suja do Big Brother Brasil:
"O que aconteceu na casa foi um acontecimento que aconteceu."

Porque eu sou podre e assisto essas coisas, sim.

Motivos para acordar amanhã
- O latido fino da Fran
- O Chandelle na geladeira
- O gravador de CD que eu vou ganhar da Pa
- O carinho do meu melhor amigo
- O meu novo emprego que não saaaaaai
- As minhas músicas prediletas gravadas por ele especialmente para mim
- O latido rouco da Maria
- O desejo de matar a Ivete Sangalo
- A Bohemia nossa de toda quarta-feira
- Esse blog
- A vontade de tomar o primeiro vôo para a Terra do Nunca
- O resto da calda de ameixas, esperando por mais um manjar

Engraçado que todos os meus motivos têm a ver com amigos, cachorros, comida ou assassinatos. Eu deveria colocar a morte da Ivete em primeiro, sabe? Ia rolar uma feeeesta...

Onde foi parar o sexo selvagem? Bah!

Apaguei as cartas enviadas, as recebidas, as palavras soltas. Rasguei os bilhetes espalhados pelas gavetas. Escondi as fotografias, os presentes, até mesmo os livros. Tentei recomeçar do zero. Ouvi Smiths e procurei algum sentido oculto nas letras das músicas. Não consegui perceber se elas eram feitas para mim ou se era apenas mais uma viagem maluca de quem procura nos detalhes alguma razão...

Passei o dia buscando motivos para continuar... motivos para encerrar esse ciclo e começar outro, que não me leve a apertar o tal botãozinho da auto-destruição. E decidi mudar, decidi resolver as pendências, começar de novo. E eu nem ia falar sobre isso aqui, mas preciso de testemunhas. HOJE, impreterivelmente, eu vou tirar as idéias do bloco de notas e torná-las reais. HOJE eu vou mudar tudo. Eu quero ler esse post amanhã e saber que fiz o que pretendia. Eu quero não ter medo de chutar o balde.

Se eu me arrepender? Não será a primeira vez. Se eu quebrar a cara? Eu conserto. Se eu não conseguir? Ao menos eu tentei. Fui longe demais em uma história que quase me destruiu. Agora é hora de juntar os pedaços espalhados do meu ego, sem ter que usar outras pessoas para isso. Sou só eu. É comigo, ok? E por via das dúvidas, deletei as músicas que me traziam lembranças. Menos Interlude. Porque essa é um sinal dos novos tempos.

"Who knows if it's real,
or just something we're both dreaming of..."

27.7.02

Página inicial do UOL
- Queda de caça mata 78 pessoas
- Agassi elimina Guga do Torneio de Los Angeles
- Enchentes deixam quase 300 mortos
- Barco vira em lago e ao menos 29 morrem

O que é isso? A bruxa tá solta, é? A melhor notícia (a única boa notícia, eu diria) é:
- Casal gay nos EUA tem quadrigêmeos

Lembrei de um sonho. E como não tenho nada melhor para dizer, vou falar sobre ele. Eu sonhei que uma louca tentava arrancar meu piercing. Ela puxava e eu gritava. As pessoas em volta ficavam assustadas e tentavam tirá-la de perto de mim, mas se a puxassem, minha sobrancelha iria junto.

Vejam onde chega o delírio de uma pessoa. Eu já acho perfeitamente possível que existam fãs meus, que eles tentem arrancar pedaços de mim e coisas assim. Por via das dúvidas, decidi contratar um segurança.

E nos meus piores momentos eu ouço Lisa Stansfield e Seal. Pronto, confessei.

E tem a minha prima... isso sim é "postável". A Lu é médica (ou diz que é, né) e desastrada. Não pode se aproximar de uma garrafa de coca-cola sem quebrá-la. Os brinquedos dela não sobreviviam à primeira noite. Os meus também não, mas isso não vem ao caso. Mas então outro dia tocou o telefone na casa dela e era a mulher de um paciente que morreu.
A mulher - Alô, por favor, eu posso falar com a Dra. Luciana?
A mãe da Lu - Quem fala?
A mulher - Aqui é a esposa de um paciente dela...
A mãe da Lu - Hein? O que ela fez? Anda, me conta!
A mulher - Não, é que meu marido ficou os últimos dois meses de vida na mão dela e...
A mãe da Lu - E você deixou?
A mulher - ...
A mãe da Lu - Louca. Mas então, ela tá no plantão, eu posso ajudar?
A mulher - Ah, diga para ela que eu preciso de um documento, blá, blá, blá...
A mãe da Lu - Ah, tudo bem. Eu digo sim.
A mulher - Olha, sua filha é um amor, viu?
A mãe da Lu - Hein?
A mulher - É, a Dra. Luciana é um amor. Cuidou muito bem do meu marido.
A mãe da Lu - A Lu???
A mulher - Isso. Quando ele morreu, eu chorava de um lado e a Dra. Luciana de outro.
A mãe da Lu - Você tem certeza que estamos falando da mesma Luciana? Ó, o sobrenome dela é...
A mulher - É ela, sim. Um doce de garota. Tão delicada...
A mãe da Lu - Gasp, gasp, gasp... desculpe, eu não tô me sentindo muito bem. Eu peço para a Lu te ligar, está bem?
A mulher - Obrigada, Dona Sônia. Até mais. Mande um beijo para a Dra. Luciana.
A mãe da Lu - Mando, mando sim... e mando a própria para a sua casa, embalada para presente, na semana que vem...

Foi a minha vingança. A Lu sempre foi meu orgulho. Se ela conseguiu ser alguém, eu também vou conseguir. Mas não se preocupem, eu não levo jeito para a Medicina.

Eu tinha um monte de coisas para escrever ontem e fiquei com preguiça. Acordei agora e não consigo imaginar o que tanto eu tinha pra dizer. Se mamãe estivesse aqui, diria que não era nada importante. Eu, como sou pretensiosa, prefiro acreditar que é minha memória que não anda lá essas coisas. Logo eu estarei andando com um bloquinho para anotar minhas idéias geniais, como uma velha que anota o horário dos remédios e das novelas. Alguém pode fazer o favor de me dar um tiro na cabeça? Um só, não. Vários, que é pra garantir.

26.7.02

Se meus três leitores pudessem ver minha foto nesse exato momento, sairiam correndo daqui e não voltariam nunca mais. Só para destruir ainda mais a minha imagem, aqui vai uma breve descrição:

- Cabelo solto, parecendo o Rei Leão, olheiras imensas, duas espinhas tamanho família no rosto, blusa de lã roxa, calça corsário (aquela curtinha, no meio da perna) azul marinho, meia do Mickey até o meio da canela e havaianas azuis. Um charme.

Que venham os pretendentes!

Eu tenho que me desculpar com algumas pessoas que pediram autorização no ICQ nos últimos dias. Não preciso citar nomes, vocês sabem quem são. Eu não tô dando a devida atenção a todo mundo, mas é que a vida tá meio complicada e eu não gosto de ficar conversando em etapas, interrompendo toda hora ou mandando mensagens assépticas. Vou tentar me organizar pra conversar melhor com vocês todos na semana que vem, certo? Enquanto isso, fiquem com nossos comerciais.

Ah, eu sou obrigada a aderir... mais uma campanha perfeita.

E tem mais: nunca me peça para abrir o bocão e engolir o copo. Eu imito o cara do filme À Espera de um Milagre direitinho. Só enfrento problemas na hora de comer um sanduba (X-Bacon) da Canoa de tamanho exagerado. Parecia uma Casa do Norte: alface pendurada, queijo pendurado, bacon pendurado...

E o Mava costuma comer palitos, sabe... pude presenciar uma verdadeira guerra dele contra o palito que segurava o lanche. Crianças... será que ele sabe amarrar o cadarço do tênis?

A parte interessante é que ele é bom pra ajudar na cozinha. Me ajudou a sujar o fogão, a queimar os bifes, a quase quebrar minhas tigelinhas de sopa....

E agora que eu voltei ao (a)normal, tô podendo falar sobre o assunto. Acabou a melancolia. As fotos ficaram lindas demais. Mesmo que a Van tenha dito que eu fiquei com cara de meiga. Dá um desconto, pô. Eu tava sob efeito de álcool e carinho em excesso, só podia ficar meiga. E não venham com a piadinha óbvia, por favor. E não, eu não vou postar as fotos aqui. Ia assustar os meus três leitores.

Pelo MSN
Mava diz:
ah, não... to sendo realista... o latido dela (da Frances), se eu estivesse dormindo por perto, seria MUITO chato, mas aguentável... não dá vontade de sair dando tiro... já o poodle - ou TODOS os poodles - é um inferno, mesmo... vc acorda e fica se moendo de raiva daquilo...
Juliana diz:
Eu odeio poodles... são cachorros tarados e viados. E eles grudam na nossa perna fazendo "bobagem" e olham com cara de safados. Poodles foram feitos para participar de filme pornô.

Chegaram aqui procurando por "tartaruga mississipi". Alguém sabe me explicar o que é isso?

E post nada a ver com nada:
Nick Cage, será que você pode me abraçar forte? Tô precisando, sabe...

Mas não é só isso (porque eu vendo facas Ginsu nas horas vagas): o que se pode esperar de uma pessoa que ao te ver pela primeira vez, se abaixa, ergue sua calça até o joelho só para analisar a sua bota e depois cai na gargalhada ao descobrir que você usa meias do Mickey. E quando você explica que as meias são roubadas, essa pessoa ri mais ainda?

Aos poucos eu vou tô lembrando de uma coisinha ou outra do final de semana. Ontem lembrei que a pessoa que esteve aqui pode destruir minha reputação contando que eu tenho (ai) bichinhos de pelúcia no meu quarto. Sim, porque há uma explicação para isso. Eles não são meus, eu os odeio e tal. Só que não há outro lugar em que eles se sintam bem além do meu quarto.

Lembrei também que sob efeito de Absinto e cerveja, eu contei que pretendi casar grávida aos 16 anos, de vestido vermelho, ao som de The Power, do Snap. E a minha escola inteira sabia desse desejo. Todos torciam por mim e negociavam convites para o tal casamento no mercado negro.

Ainda sob efeito do Absinto e da cerveja, eu e ele cantamos So Hard, do Pet Shop Boys. E ele sozinho cantou Straight Up, da Paula Abdul, assim que eu confessei GOSTAR de Blowing Kisses in the Wind, o melô mais chato da cantora-bailarina-arroz-de-festa baranga. E eu tenho algo a dizer: a Paula Abdul é a Mariah meus-peitos Carey dos anos 80.

Tudo isso e eu ainda acredito que tenho uma reputação...

25.7.02

Pessoas normais não apagam o cigarro na vasilha de comida do cachorro... ou será que apagam?

Coquetel de lançamento de um jornal em que eu trabalhava. Tinha tudo para ser um desastre e eu tentei, juro que tentei, escapar a todo custo. Aleguei falta de tempo, de vontade, de roupas e de sanidade, mas me forçaram a marcar presença e sorrir com cara de tonta para os futuros anunciantes.

Então tá. Eu fui, mas levei meu companheiro de casa, o velho e bom Pikachú. Afinal de contas, eu precisava de um segurança. Enfiei a maldita bota salto nove e saí, crente que estava arrasando. Com a minha reputação, claro.

Chegando lá, a colunista social fazia as vezes de recepcionista, com seu cabelo “penetrei num furacão e sobrevivi”. O poderoso chefão bebia uísque barato e ria, satisfeito. Os jornalistas corriam de um lado para o outro procurando personalidades para entrevistar. E eu pensava nos canapés.

Em cerca de quinze minutos meu pé começou a dar sinal de vida. Sinal claro, doloroso e terrível. Ele latejava e eu procurava uma cadeira onde me jogar, rezando para que a festa não se transformasse em uma missa, com sermões e levanta-senta. Achei a cadeira, que estava ocupada.

Enquanto a cadeira não vagava (algo como um estacionamento rotativo: um levantava, o outro se acomodava), resolvi me apoiar em um canto e aliviar a pressão sobre os pés. E, claro, fui direto em direção àquele coqueiro magnífico da recepção. Encostei. O coqueiro balançou. Dois segundos intermináveis até que ele se inclinasse perigosamente sobre o centro do salão.

Mas o mundo é muito justo comigo e um dos vendedores (que tinha cerca de 1,95m de altura) conseguiu segurar o tal coqueiro antes que ele fosse ao chão, junto com a minha cara. E nessa hora o Pikachú me empurrou para uma outra cadeira, bem distante de qualquer objeto quebrável, e me entupiu de uísque. Eu sou menos perigosa quando estou sedada.

"All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm"

24.7.02

Querido diário,
Hoje eu vi um cachorrinho da "marca" pinscher voando. Ele voou pela janela de um Fiat Uno branco e aterrissou às 14 horas e 4 minutos em frente à Padaria Doçura. A próxima escala é no céu dos cães.

Só para matar de inveja aqueles que não estiveram aqui em casa nos últimos quatro dias, aqui vai a lista das coisas que o Mava comeu:

- Bolo de fubá, bolo de batata, bracholas (sim, em português meeeesmo), manjar branco, macarronada, bife à milanesa, caldo de feijão, bife de forno, merengue de morango e torta de frango.

Acho que ele sobreviveu. E deve faltar alguma coisa nessa lista. E faltou o chocolate quente prometido, mas fica para a próxima visita.

Hoje o telefone tocou aqui em casa e eu acabei ficando por dentro de uma situação das mais esquisitas: o que fazer com os ossos de vovô? Sério. Atendi o telefone e era uma moça do cemitério Curuçá, querendo falar com a minha mãe. Passei o aparelho à louca e fiquei escutando o lado de cá da conversa:

- Já desenterrou? Sei... e a perna? Cabe numa caixinha? Pode transportar em carro normal? Se a polícia parar não tem problema? Ah, tá bom, brigada.

Desenterraram o meu avô, colocaram os restos mortais em uma caixa e nós temos que dar um fim nisso. E minhas tias não compraram "vaga" em outro cemitério ainda. E agora minha mãe foi buscar a tal caixinha e vai trazer aqui pra casa. Só espero que a Maria José não pense que se trata de uma caixa de areia para fazer xixi.

23.7.02

Mas que tá foda, isso tá. Amanhã eu prometo que esse blog voltará às atividades normais.

Quatro dias com o Mava
Foram quatro dias estranhos. Carinho, bobagens, risadas, lágrimas, saudade antecipada, mudança de planos, comida, bebida, declarações de amor eterno (tá, essas sob efeito de muita cerveja), lavagem de pratos, latidos da Frances Beam, lambidas da Maria José, frases iniciadas por um e completadas pelo outro, mais carinho, mais saudade e uma certeza: esse cara é essencial.

Não, eu não tenho um caso com ele, antes que perguntem. Mas eu quero (e preciso) desse cara na minha vida, rindo comigo (e muitas vezes de mim), me abraçando forte, me dando colo e existindo. Só isso. Só por isso já vale a pena. E suportem minha melancolia essa semana: eu acostumei com essa presença aqui na minha vida e agora vou sentir uma falta absurda, pelo menos até começar a fazer planos para um próximo encontro. Desejo a todos um terço do carinho que recebi nesses quatro dias. É mais que suficiente pra fazer a vida valer a pena. E aos pouquinhos eu vou contando as coisas boas que fizemos nesses dias. Só não vou contar nada a respeito das noites de sexo selvagem (hahahahaha), que isso é particular.

Eu teria muito mais a dizer sobre ele e sobre o final de semana e sobre o resto da minha vida, mas agora não dá. Tá muito foda suportar a saudade, a falta que ele me faz. Na verdade eu comecei a escrever esse texto ontem e pretendia dizer coisas engraçadinhas, apenas, mas não tô com o menor ânimo de ser engraçadinha agora. Eu só quero dormir, acordar amanhã cedo e encontrar com ele saindo do quarto de chinelão e meias, descabelado e com cara de sono, como nos últimos quatro dias.

Obrigada por tudo, Mavinha.

PS: Sim, isso é pessoal e meloso e meio bobo e etc., mas vocês vão ter que me engolir.

22.7.02

Eu não tô fazendo nada disso. Esse puto me paga por destruir a minha reputação. Ainda não fizemos sexo. Caso isso aconteça entre hoje e amanhã, prometo que conto aqui.

Amanhã respondo os comentários e volto com as novidades desse final de semana prolongado em que pude abraçar, apertar, beliscar, arranhar, beijar e morder meu melhor amigo. Tudo isso no bom sentido, claro.

Atenção: Dona Juliana mandou dizer que está ocupada e que não poderá cumprir o prazo estabelecido anteriormente. Afinal, eu, el MAVA (o dono do PMD, lembra?), é que estou mantendo a senhorita em cárcere privado (na masmorra erótica, HAHAHAHA) e ela tá com a boca cheia, sem poder falar.

Mas não se preocupem, depois ela volta.

20.7.02

Vejam o horário desse post. Só isso já é desculpa suficiente para destruir a concordância nas frases e assassinar a língua portuguesa. Mas mesmo assim, resolvi escrever para vocês, meus leitores. Vocês três. Sim, porque eu estou em crise existencial e não pretendo escrever aqui tão cedo. Essa é uma despedida. Deixem recado após o sinal. *Piiiiiiiii*.

Tá bom, era mentira. Eu continuarei despejando esse monte de abobrinhas por um bom tempo, pelo menos até acabar meu tratamento psiquiátrico. E ele pode acabar de três formas: internação, morte ou cura. A última é bem improvável, claro. As outras duas são mais viáveis, mas não pretendo morrer tão cedo e continuarei fugindo da ambulância do Charcot por anos e anos. Eu sou mais esperta do que eles. Yeah!

Então tá. Na semana que vem, cobrem meus posts sobre o show do Faith No More, meu estranho diálogo com o Mike Patton e o coquetel do ano passado, com seus coqueiros decorativos. Prometo caprichar. E agora vou dormir, porque já é tarde. Não, é cedo. Mas é tarde. Ah, foda-se. Nishi, tome conta da casinha, please. Até mais, caros três leitores.

19.7.02

Eu era feliz quando...
... fazia somas e subtrações em laranjas e não multiplicações e divisões em cerveja.
... minha idéia de diversão era fingir que meus sapatos eram os carros das Barbies. O conversível era o chinelo, claro.
... meu maior sonho era conseguir participar da corrida de cavalos do Bozo.
... o grande amor da minha vida era o Mike do Balão Mágico. Ou o Ritchie.
... pensava que status tinha a ver com a quantidade de bonecas que eu ganhava no Natal.
... contava os dias para a chegada das férias em vez de contar os dias para voltar a trabalhar.
... tinha orgulho dos meus hematomas e das casquinhas nas picadas de insetos.
... podia me trancar no banheiro com o chuveiro ligado (para fazer vapor), sem tomar banho.
... comemorava minha "esperteza" por mentir tão bem quando minha mãe perguntava "escovou os dentes?".
... assistia Labirinto e achava o filme mais lindo do mundo.
... me considerava moderna por usar calça verde-limão e blusa rosa-choque.
... torcia o pé para fugir da educação física.
... matava aula de catecismo para comer carolinas no parque.
... achava que os adultos eram mais felizes.

É, eu tô ficando velha.

10 coisas que podem destruir o bom nome de uma pessoa
1) Espinhas na bunda
2) Barba (em mulheres)
3) Seios (em homens)
4) Mau hálito
5) Palitar os dentes em uma mesa de bar
6) Ficar testando as posições mais confortáveis para as partes íntimas
7) Cutucar o ouvido, o nariz ou qualquer cavidade do corpo
8) “Chupar” o nariz que teima em escorrer
9) Olhar fixamente para o rosto do interlocutor, procurando cravos e espinhas para espremer
10) Espremer os cravos e espinhas alheios sem autorização

Confissão
Eu só fiz esse leiaute correndo pra aproveitar a viagem da Van. Sim, porque quando ela está por aqui, é impossível fazer qualquer coisa sem ouvir as críticas da designer, sabe? E a promessa que ela fez de criar uma página para mim entrou pra história. Caso eu desapareça na próxima terça-feira, podem saber que foi ela que me assassinou por culpa dos meus "crimes" contra o design.

18.7.02

Oh céus, como pude esquecer? A responsável pelos efeitos na imagem ao lado foi a Marina. Reclamem com ela, não comigo.

Leiaute tosco e provisório. A cor fica por conta do meu ânimo atual. Conformem-se, qualquer hora dessas eu mudo de novo.

Mava - Infarto é uma morte que dói paca, mas não faz sujeira e é fulminante...
Ju - "Não faz sujeira" é ótimo...
Mava - Pois é... nada de cortar pulsos nem de estourar os miolos.... só uma coisa de dentro que pára de funcionar sem mais nem menos e um abraço...
Ju - Ah, eu prefiro cortar os pulsos...
Mava - E eu, estourar a piolhenta, mas infarto não faz sujeira e é menos traumático pra quem fica, eu acho.... ce sai de cena meio de fininho, sem o alarde de um vigésimo andar ou de uma banheira vermelha....
Ju - Eu gostaria de morrer com um certo estardalhaço... quero aparecer nos jornais, nem que seja no dia da minha morte.
Mava - eu não... foda-se a fama post mortem.... se fosse pra ter fama - e eu não aguentaria e me mataria igualzinho o Cobain - queria agora....
Ju - Ah, meu, seria legal... imagina reunir 500 pessoas num enterro... meu maior medo é que meu enterro seja um fracasso de público.

A prova do crime

Estou chocada. Acabo de ser informada pelo Bravenet que pessoas chegaram aqui procurando por "Nishi sem roupa". E também por "Bingo Senador". Quando procuravam fotos da Vanessa do Morfina sem roupa, eu até entendia. Afinal de contas, ela é quase uma top blogger.

Mas o Nishi? Porra, o Nishi tem uma Fun Page com quatro visitantes diários: ele, a mãe dele, a irmã dele e alguém que cai ali por engano, vindo do Google. A menos que haja alguma fã enlouquecida do tarado dos comments...

Identifique-se, moça! Afinal de contas, o Nishi é coisa nossa. Ou então vá se divertir no Bingo Senador e esqueça essa paixão desenfreada, antes que você seja internada no Charcot, sem previsão de alta.

17.7.02

E para aqueles que não sabem quem é o Carlão, leiam os posts de 03/06 (deixem de ser preguiçosos, porra!) e vocês entenderão. Ou não (eu não podia perder a piada).

Constatação 3
Eu disse abaixo que sou muita esquisita (em um óbvio erro de digitação, antes que me crucifiquem), mas na verdade eu sou muito esquisita. A não ser quando eu viro Carlão. Porque aí eu sou muito esquisito. Ah, esquece, vai. Eu sou esquisita mesmo.

Constatação 2
Eu sou muita esquisita. Principalmente quando tô na TPM.

Constatação
Eu sou esquisita.

Eu preciso de fortes emoções. Minha vida anda um marasmo tão grande que a coisa mais emocionante que tem acontecido é encontrar um cocô perdido da Frances sob a minha cama. Se vier com efeitos especiais(*), então, melhor ainda. Pelo menos eu percebo que não sou um vegetal. Ou que ela não é, sei lá.

E é por isso que meus posts têm sido apenas sobre coisas que aconteceram há muito tempo. Eu era feliz e não sabia. Eu causei muitos problemas na minha infância. Talvez seja por isso que eu não queira sair dela. Enquanto nada acontece, vocês me suportam e me adoram e comentam e encontram alguma graça nesse amontoado de reminiscências. E eu fico feliz.

Por culpa dessa falta de emoção, hoje eu tentei fazer algo diferente: acordei cedo e me enfiei na casa mal assombrada. A casa mal assombrada é a antiga residência dos meus avós, que está abandonada há três anos. Pensei que pudesse encontrar alguma aventura por lá, mas a única coisa que aconteceu de estranho foi uma barata que decidiu caminhar sobre o meu pé.

Não fiz nenhum contato imediato, não vi nenhum fantasma, não participei de nenhum ritual satânico. Só dei as boas vindas à minha famosa alergia e me diverti separando panelas amassadas e garrafas de uísque pelo meio. Diabos, por que não pode cair um helicóptero no meu quintal?

* Cocô com efeitos especiais é aquele que vem acompanhado de ruídos e odores nada agradáveis. A Fran é especialista nisso. Adora uma escatologia, assim como a mãe.

16.7.02

A tarde de sábado
Atendendo a pedidos, vou contar aqui a história completa do encontro do último sábado.

Depois da aventura pelo estacionamento do metrô Ana Rosa (e das minhas gargalhadas ao descobrir que a Pa tinha medo de andar de metrô), chegamos ao Conjunto Nacional meia hora antes do combinado.

- Paula? Chegamos. Tô te esperando em frente ao Viena.
- Ah, legal, estamos saindo. Em dez minutos tô aí.

O que eu faria com dez minutos inteirinhos para mim? Olhar as lojas, claro. Entrando e saindo da(s) Cultura(s), pensando em tomar um café, lembrando que eu não tinha a menor idéia de quem era a Paula... acabei topando com uma lojinha de sapatos. Entrei na loja e pedi "só" cinco modelos de botas para experimentar. No segundo modelo, toca o celular:

- Ju, chegamos. Cadê você?
- Ah, tô aqui numa lojinha... dois minutos, já tô pagando.

Meia hora depois, chego ao Viena. E agora? Comé que eu vou reconhecer a Paula, o Alex e o Fábio (sem links porque eu tô com preguiça... desça a página que tem os links no post de sábado). Fui pela lógica: quais eram os grupos com uma mulher e dois homens? Achei a primeira turma.

- Com licença... você é a Paula?
- Sou.
- Ah, eu sou a Ju...

A essa altura eu já fiquei roxa de vergonha, mas cumprimentei todo mundo, apresentei a Pa e fomos comer pão de queijo. Sim, a carioca resolveu ter vontade de comer pão de queijo justamente em São Paulo. Deve ter confundido os estados. E então fomos ao sebo. Pelo caminho, devo ter dito umas quatro ou cinco palavras, o máximo que minha timidez permitia. E a Paula falava, falava, falava... e o Fábio respondia, respondia, respondia. E eu observava, observava, observava. E o Alex ria, ria, ria. Um estranho grupo.

No sebo, me perdi naquele monte de prateleiras e só desviei os olhos dos livros por alguns instantes. O suficiente para me apaixonar perdidamente pelo funcionário do local. E acabamos nem visitando os outros sebos, já que gastamos um tempão naquele. E no fim teve sessão de fotos, claro, mais risadas, mais conversa e meu tempo esgotou. Fomos todos para o metrô e então aconteceu o mico.

Eu, me despedindo do grupo que desceria na estação seguinte, soltei um "Pô, eu sempre fui sua fã" para o Alex. Não contente com isso, ainda contei que era fã da Paula e do Fábio, também. Aquela rasgação de seda. Me senti uma adolescente em um show do Faith no More. Depois disso, entrei correndo no metrô rezando para que eles entrassem em outro vagão, mas não: pararam os três na minha frente, me observando. Nem minha melhor amiga (a única normal no grupo) perdoou: ao chegar aqui, espalhou para todo mundo o meu mico. E com essa aventura, eu deixei de ser uma figura fictícia, uma lenda, e passei a existir de verdade. Oh céus, o mundo está perdido.

Os buracos para os pés
Ontem, enquanto cochilava dentro de um ônibus sacolejante rumo a Campinas, pude perceber que há um grave defeito nos ônibus: a ausência de lugares para apoiar os pés. Eu odeio andar de ônibus, seja por dez minutos, seja por dezesseis horas e posso dizer que já estive nos dois extremos. Mas ainda acho que se existissem os tais buracos para os pés, eu seria mais feliz.

Dentro do carro, ou estou com os pés apoiados nos pedais ou eles estão sobre o painel. Tente se acomodar dentro de um ônibus. Não há espaço para se escorar no banco da frente, não há a menor chance de colocar os pés sobre o banco sem correr o risco de chutar o vizinho e o único lugar onde o pé poderia viajar com algum conforto, aquela beiradinha embaixo da janela, é muito estreito.

Então vamos à beiradinha, que é o ponto de partida para os ônibus Tabajara. Tente colocar o pé lá, usar o joelho como mesa e apoiar o queixo sobre as mãos. Seu pé fatalmente escorregará e você fatalmente enfiará a cabeça no banco da frente, se não na janela. Agora imagine se a beiradinha tivesse a largura do seu pé. Que conforto! Que praticidade!

Ônibus leito, para mim, deveria vir com diversos nichos no tamanho padrão do "pé mediano classe média conservador"(*), nas mais variadas alturas. Tudo para dar ao passageiro de luxo o direito de escolher em qual buraco meter (ops!) seu pé.

Como pessoa genial que sou, tenho certeza que contribuí para o desenvolvimento dos meios de transporte. Minha sugestão vale ouro e deve ser encaminhada às empresas que detêm o controle das rodovias desse país. Variações sobre o tema também são permitidas.

* Pé mediano classe média conservador é o pé que varia de 35 a 42, para abranger mulheres e homens adultos e saudáveis. Algo como as meias de tamanho único. Em casos de ônibus SL (super luxo), os bancos poderiam trazer a opção masculino/ feminino, para facilitar ainda mais a vida do passageiro.

15.7.02

Operação-tartaruga nesse blog. Amanhã acho que posto alguma coisa que (não) preste.

14.7.02

E só porque amanhã estarei offline durante todo o dia, aqui vai mais uma das minhas aventuras em festas de criança.

Aniversário de quatro anos do meu priminho. Festa mudérna: em vez de bolo, gelatinas em copinhos com uma vela em cima. Crianças, muitas crianças. Eu. Cenário mais do que ideal para um acidente. Na hora do parabéns, os adultos acendiam as velas dos copinhos e as crianças assopravam.

É claro que eu não podia ficar quieta. Peguei meu copinho e saí pulando como um canguru pela sala. É claaaaro que eu tropecei em um banco. E é claaaaro que eu caí sobre a mesa, botando fogo na toalha plástica com estampa do Balão Mágico.

Por muito pouco eu não incendiei meu priminho meigo, que ficou como um idiota olhando bem de perto a destruição daquela mesa linda. E até que não seria má idéia. Se vocês vissem no que o priminho meigo se transformou... acho que até a mãe dele gostaria que minha tentativa de assassinato tivesse dado certo.

O estacionamento
Alguém aqui conhece o estacionamento do metrô Ana Rosa? Eu conheço. Parei meu carro lá e comecei a procurar uma saída naquele labirinto. Anda para lá, anda para cá, e nada da saída. E então eu vi a placa "saída - subsolo". Pensei que estavam me confundindo com uma toupeira, mas resolvi vestir a carapuça e descer mais um andar pela rampa. Tudo bem que a rampa era para acesso de carros e eu estava no popular pé-dois.

Bem, desci a rampa correndo e ao chegar no andar inferior, topei com uma escuridão absoluta. Era um andar fantasma. Saí correndo rampa acima, apavorada, exatamente a tempo de ver o rapaz que controlava o estacionamento pelas câmeras tendo um acesso de riso. Realmente, deve ter sido uma cena e tanto. E então eu vi o aviso "aguarde no carro para ser transportado à saída". Eu nem sei qual seria o mico maior: correr pelo estacionamento ou andar naqueles carrinhos parecidos com o papa-móvel.

As botas
Comprei botas novas. É. Eu, a desempregada, comprei botas novas e lindas e caras (isso é mentira) e pequenas. Sim, elas são um número menor que o meu. Mas era promoção e eu não podia perder aquelas botas. Mais botas para provocar tombos pelas ruas da cidade. Aguardem.

13.7.02

Ehr... o sumiço foi por um bom (ótimo) motivo. Fui ali conhecer a Paula, o Fábio e o Alex. Tenho umas coisinhas pra falar sobre o encontro, mas acabei de perder um post gigantesco com todos os detalhes e não tô com saco para escrever de novo. Fica para amanhã.

Basta dizer que foi muito bom, que fomos a um sebo excelente e que eu paguei o maior mico da minha vida na hora que fui me despedir. Esperei o último momento para dizer que era fã do Alex e ficar da cor da minha calça vermelha. Quase pedi um autógrafo. Sorte que o metrô chegou logo.

Para amanhã
- Estacionamento
- Botas

Questões formuladas pelo genial Nishi, o dono da Fun Page mais tosca do mundo
- Você compraria um carro usado de Lady Macbeth?
- Você deixaria seu filho se casar com Lady Macbeth?
- Você entraria com Lady Macbeth em uma casa escura e mal-assombrada?
- Você seria fiador da Lady Macbeth quando ela alugasse uma casa?
- Você experimentaria um drinque preparado por Lady Macbeth?
- Você daria as costas para Lady Macbeth?
- Você viajaria num avião pilotado por Lady Macbeth?

Podem responder, crianças. Eu juro que não fico brava.

12.7.02

Ó, eu já postei... juro que já postei. Não reclamem, é o Blogger que não publica.

O Bolo da Festa
Uma das minhas aventuras prediletas sempre foi estragar as festas familiares. Destruição de móveis, surras nos primos menores, pisões nos poodles champanhe, quebra de brinquedos caríssimos, strike de árvore de Natal, tudo isso faz parte do meu currículo. E isso já vem de muito tempo, eu só tenho me aperfeiçoado.

Lá pelos cinco anos de idade, fui convidada para o aniversário de um primo de segundo grau. Chegando lá, dei uma olhada nos convidados e decidi que não havia ninguém que merecesse minha atenção, então me concentrei no roubo de brigadeiros e beijinhos, como sempre. Uma coisa leva a outra e quando vi, estava na cozinha, fuçando na geladeira para descobrir de que era feito o bolo da festa.

Lá estava ele, imenso, bonito, cremoso, coberto de chocolate. E lá estava eu, a ovelha negra. Me vi em um dilema: esperava a hora do parabéns ou tacava logo o dedo no bolo para experimentar aquela delícia? A dúvida me perseguiu por cerca de vinte minutos, enquanto eu entrava e saía da cozinha, ensaiando o assalto. E então o espírito esportivo venceu o bom senso. Enfiei o dedo com gosto no alto do bolo.

É claro que Murphy e sua habilidade de se manifestar nas horas erradas já estava lá, me acompanhando, mesmo aos cinco anos de idade. E é claro que na hora que eu senti meu dedo atingir o recheio do bolo, alguém entrou na cozinha. Ao ouvir o barulho da porta, tirei o dedo correndo e me refugiei na lavanderia, lambendo aquela cobertura que nem era tão boa assim.

Voltei para a festa frustrada, sem saber se o recheio era de nozes (que eu adoro) ou de amendoim (que eu suporto, apenas isso), precisando de uma segunda prova. E então chegou a hora do parabéns. Tudo escuro na sala, uma vela brilhando no alto do bolo, um assopro cheio de perdigotos do meu primo e pronto. Luzes acesas e um "ohhhhhhhh" pela sala, quando todos repararam que havia um furo no bolo.

Se fossem só minhas impressões digitais na geladeira, eu ficaria impune. O problema foi o anelzinho delator que encontraram no buraco do bolo, com a inscrição "Juliana", seguido da minha data de aniversário. Desde então não me convidam mais para festas de crianças. O recheio? Era de amendoim, claro.

11.7.02

Fui ao meu antigo emprego hoje para buscar minha carteira profissional, presa lá há seis meses. A única coisa que aconteceu no caminho foi um atropelamento. Eu, a pé, atropelei uma moto. Droga, preciso treinar mais. Onde foram parar os dias de tombos incríveis, lojas destruídas e nuvens sobre a minha cabeça? Tô perdendo a prática...

Mais tarde, depois que eu sair do estado catatônico, eu volto. E tem a história do bolo da festa, aguardem.

Às vezes eu pareço forte, mas não sou. E se você não estivesse "aqui", eu teria desabado. Essencial é a palavra. Obrigada por existir, só isso.

10.7.02

A guerra dos Mentex
Não sei de quem foi a culpa. Se foi minha por beber aquela quantidade de vinho, se foi dos putos que inventaram a embalagem do tal Mentex Fresh ou se foi das loucas que eu tentava seguir pelas ruas de São Paulo. Entrei naquilo que eu insisto em chamar de carro e tentei, juro que tentei, fazer uma manobra. Depois de cerca de dez minutos, consegui virar o carro e seguir as loucas quase conterrâneas.

O problema é que eu não tenho lá muita coordenação motora nessas horas... ou eu presto atenção no carro à minha frente ou eu dirijo ou eu fuço na bolsa para localizar a caixinha de Mentex. E eu tentei fazer as três coisas ao mesmo tempo. Depois de quase subir em uma lixeira com o carro, achei as malditas pastilhas e as joguei sobre o banco do carro, para pensar depois no assunto.

Quando tive certeza que conseguiria controlar o carro com uma só mão, abri a embalagem e tentei pegar uma pastilha. Nada feito. Com um solavanco do carro, o Mentex foi para o chão. Esperei um semáforo fechado e recuperei a caixinha. Segunda tentativa. Mais um solavanco e três pastilhas espalhadas pelo banco, escorregando para longe da minha mão. Terceira tentativa, uma pastilha assassina voa para o vidro e cai no chão. Suspiro alto. Nunca foi tão difícil comer (chupar?) um Mentex.

Aí eu apelei. Peguei a caixinha, abri a boca e derrubei a pastilha. Eu disse A pastilha? AS pastilhas. Sim, porque caíram umas cinco ou seis pastilhas daquele troço ardido pra cacete dentro da minha boca. Uma delas foi diretamente para a minha garganta. As outras ficaram ali, me atrapalhando, até que eu mordi. E então eu chorei. Hálito fresco e lágrimas nos olhos, uma combinação perfeita. E agora o meu carro parece ter sofrido um ataque de Mentex alucinados, que se espalharam por todos os cantos e dominaram o veículo. Estou com muito medo de entrar lá.

Post cheio de links
Por onde começar? Ontem eu fui ali conhecer esse cara. Chegando lá, fui apresentada à vizinhança mais absurda que alguém pode ter. Carpe vestiu sua mais perfeita cara de pau e foi pedir uma xícara de açúcar ao vizinho do lado. Ninguém atendia. Na próxima porta, a mesma coisa. Na outra, idem. Fomos para o andar de cima. Na primeira porta, batemos "toc, toc, toc". Em segundos, a resposta: os vizinhos batem pelo lado de dentro "toc, toc, toc". Seria código Morse? Nós é que deveríamos abrir a porta? Estranho, muito estranho.

Depois que uma alma caridosa emprestou o açúcar, voltamos ao apartamento e fui então apresentada ao resto do povo. Mas como assim, resto do povo? Resto do povo, é isso mesmo. Seis pessoas que puderam conhecer a Juliana-tímida, completamente diferente da Juliana-blogueira. E foi aí que eu conheci o maravilhoso macarrão doce (maravilhoso mesmo, não riam) da Teca, a cobertura de framboesa em pedaços, a moça ligada no 220, a violenta Faerie, que afundou o olho de um coleguinha de escola, certa vez, a Mi (que ainda não tem blog) e o moço dorminhoco que já deve ter destruído a minha reputação, a essa hora.

Foi bom. E teve mais coisa. As músicas, todas elas. La Isla Bonita, versão forró. Ui. E na volta pra casa, completamente alcoolizada, enfrentei a guerra dos Mentex. Mas isso depois eu conto. Agora vou ali.

9.7.02

Não, eu não fui sequestrada por um maníaco do Netmeeting. O meu sumiço é só falta de tempo, mas eu volto em breve. Talvez amanhã, com mais histórias do meu passado escabroso.

8.7.02

Tentando descobrir comé que funciona o Net Meeting... fone de ouvido, microfone, a parafernália toda. Só faltava a webcam. Toca o telefone e eu levanto correndo. Acidente grave envolvendo fios, disquetes, uma cachorra e a sua dona. O que a gente não faz por amor, hein?
...
Tá bom, tá bom... é só curiosidade, esquece o amor.

E agora eu vou ali beber uma dose de sabonete líquido e já volto.

Leitor amigo:
Qual o signo que mais te agrada? Prometo tentar mudar.

O Padre Levedo falou ontem sobre as mulheres de Escorpião. Parece que nós somos realmente odiadas por aí. Não por ele, mas pelo resto da população. O negócio é mais ou menos o seguinte: os homens não querem saber de mulheres que fumam, que têm filhos e que sejam de Escorpião.

Então tá bom. Fumar é uma coisa que eu deixaria "por um grande amor" (não riam... eu já fiz isso). Filhos, só os de quatro patas. Mas comé que faz pra mudar o signo? Hein? Hein? Será que é por isso que vivem me jogando no vento? Agora eu posso culpar a astrologia. Perfeito.

7.7.02

Era só o que me faltava!
Não bastasse eu saber que a figura o meu blog, ainda recebo pela primeira vez na vida um fansign, fanart ou seja lá o que for esse trocinho. Acontece que eu gostei e vocês vão ter que me engolir (ops!) ainda mais insuportável, agora.

Vão lá, porra! Vão lá no blógue da minha leitora. Que cês tão fazendo aqui ainda?

Só que esse lance de dez vezes por dia é mentira. Ela só entra cinco. Obrigada, Renata. Você fez da dona desse humilde bloguinho uma pessoa mais feliz. Mas vai arrumar coisa melhor pra fazer do que ler essas bobagens, pô!

Sobre ontem à noite
Foi uma noite estranha, é verdade. O plano era enfiar o pé na jaca, na melancia ou em qualquer outra fruta que causasse bastante estrago. Tudo para comemorar aquele “eu passei” ali embaixo. Começou em um bar semimorto, invadido por casais em lua de mel e senhoras de meia idade. Meia hora depois, entediadas, eu e a Pa pagamos a conta e saímos em busca de aventuras.

No meio do caminho para o outro bar, passamos em frente a uma antiga zona de meretrício. Tocava Pixies. “É aqui mesmo”, pensei. Sem coragem para entrar, fomos adiante. Fizemos o retorno e tocava Faith No More. “É aqui mesmo”, pensei de novo. E então descemos, com nossos saltinhos, nossas roupas elegantes e nos enfiamos naquele ambiente estranho, obscuro. Soturno, diria meu pai. O ex-puteiro virou um bar “crasse A” e nós não sabíamos.

Em meio a camisetas rasgadas, fumaça e pinga com mel, eu me contorcia de vontade de ir ao banheiro. Fui caminhando pelo meio da multidão até que encontrei um espaço vazio e pude, enfim, respirar. E só então percebi que estava sobre o palco, de frente para o cantor, que me olhava como se eu fosse uma fã enlouquecida. Enquanto isso a Pa se divertia com um Toni Garrido desgarrado (tá, isso foi horrível), amigo do amigo do amigo que surgiu do nada em nossa mesa.

A noite seria daquelas que podem ser definidas como perfeitas, não tivesse eu esquecido o meu carro no bar, na hora de ir embora. Empolgada com a “carona”, só percebi meu lapso na hora que desci do carro da "carona". Gritei para que ele voltasse, ele voltou e me levou ao bar pra buscar o carro. E a Patrícia. Eu tinha esquecido a Pa. Mas o importante é que eu consegui recuperar o carro (e a amiga) sem maiores problemas.

6.7.02

Aos cinco anos eu pensava...
... que frango xadrez era uma galinha com roupa quadriculada.
... que podia matar um cachorro a grito literalmente. Tentei várias vezes.
... que o leão tinha sido eleito por maioria de votos.

Ehr... e eu nem ia contar por aqui, porque tem gente dizendo que eu tô (mais) insuportável, mas vou contar. Eu passei. Só isso. Passei. Porra, eu passei. Ninguém vai falar nada?

Continuação da conversa do piercing
Eu - É sério. Eu tenho que limpar? Enfio de novo? É normal ficar vermelhinho?
Eu - Jogo anti-séptico?
Eu - Lavo?
Eu - Fervo?
Ela - É normal ficar vermelho. Lave com sabonete anti-séptico e coloque novamente.
Eu - Tá bom. Então pra quê eu tirei? Só pra brincar?
Ela - Só. Não tinha que ter tirado, eu te falei.
Eu - Merda. Que sem graça. Eu vou lá, então.

Perguntas que não querem calar
- Por que quando eu durmo seis horas, acordo disposta e quando durmo dezesseis, acordo "só o aro"?
- Por que a novela das oito começa às nove?
- Por que os cães gostam de lamber orelhas?
- E por que alguns homens também?
- Por que convencionou-se que churrasco de rodoviária é feito de gato? Por que não são utilizados ratos, cães, etc.?
- Por que os programadores são garotos-chokito* (royalties para a Van)?
- Por que o mundo é cruel?
- Por que a farinha de rosca é feita de pão e não de rosca?
- Por que algumas pessoas não aceitam que são especiais?
- Por que eu tô fazendo essa lista de perguntas?

* Garotos-chokito, para os que não entenderam, são aqueles meninos com alta incidência de espinhas e cravos pelo rosto.

5.7.02

A mãe da Déa foi viajar no meio do ano passado e deixou o apartamento para ela, a filha, cuidar. No primeiro dia, fui para lá tarde da noite com uma garrafa de vinho embaixo do braço e duas fitas de vídeo dentro da mochila. Sem roupas, sem escova de dentes, sem nada. E lá estava, junto com a Déa, o Pikachú (Rodrigo). Eu já falei sobre ele? Não? Bom, ainda não chegamos a esse pedaço.

Acontece que o que era pra ser uma viagem de dois dias da mãe dela, acabou virando uma viagem de um mês. E o que era pra ser uma noitada de vinho, pizza e filmes, acabou virando um casamento. Eu, Déa e Pikachú convivendo em um apartamento de dois quartos. Aos poucos, outros foram se agregando à turma: Marcinha e Barbie (que também era Rodrigo) chegaram em uma tarde chuvosa de sábado, trazendo cobertores e cerveja. Foram acolhidos com amor por todos nós e assim vivemos por um bom tempo.

O problema começou quando descobri, depois de uns três dias, que não havia comida na casa. Todos os pacotes de miojo foram consumidos nos primeiros dias. A geladeira tinha três limões, um pote de alho e cervejas. A despensa parecia um deserto. Juntamos os trocados e fomos ao supermercado. Mais vinho, mais miojo e uma idéia brilhante: vou fazer um risoto. Idéia aprovada, compras no carrinho, fomos para casa. Enquanto Pikachú e Barbie lavavam o banheiro, eu e Marcinha cuidávamos da cozinha. A Déa entretinha a vizinhança curiosa com aquele monte de gente no apê da dona Jô.

Por vários dias a sobra daquele risoto alimentou os habitantes da casa. A Marcinha, única desempregada na época, comia pratadas e mais pratadas do troço diariamente, até que percebemos que o risoto tinha uma aparência meio azulada, já que ninguém lembrou de guardá-lo na geladeira. Minha mãe ligava no celular e perguntava quando eu voltaria... eu passava em casa e pegava duas mudas de roupa, dizendo que era só mais um dia. Os Rodrigos passavam o telefone da Déa para as namoradinhas dizendo "é minha casa".

Pois é... só que o tempo causa estragos até mesmo nas melhores famílias. E na nossa não foi diferente. Logo começaram as divergências sobre quem tinha bebido a última lata de cerveja, sobre quem fez xixi na tampa do vaso, sobre quem derrubou um varal de cuecas, sobre quem quebrou o vaso da dona Jô... E começamos a ter problemas profissionais por conta disso, também. Chegávamos todos os dias com olheiras fenomenais no serviço. Problemas de concentração nos atacavam. A preocupação com o jantar daquela noite era mais importante do que a edição do dia seguinte do jornal. Eu e a Déa (que trabalhava comigo) tivemos que explicar porque eu publiquei uma foto do Ronaldo Nazário se o texto falava do Ronaldinho Gaúcho... coisas assim.

E então nos separamos depois de 23 dias de convivência. Há fotos desses dias em algum lugar dentro do meu quarto. Talvez eu encontre mais tarde, durante a faxina. Alguns de nós conseguiram conservar a amizade. Outros partiram para o sexo entre amigos. Eu saí ilesa. Ou quase. Como a prova de convivência deu certo, acabei convidando o Pikachú (que eu havia conhecido naquele final de semana) para morar comigo em minha casa nova. Mas isso já é uma outra história...

O Blogger se recusa a publicar qualquer coisa. A única coisa que me consola é que todo mundo está sem publicar, também. Não é nada pessoal. Mas tudo bem, eu vou deixar um post pendurado aqui, pra quando o troço voltar ao normal.

4.7.02

Agora é sério: eu não tô com vontade alguma de escrever aqui. Se eu sumir, paciência. Eu volto.

Infidelidade
Fui lá no Chopis ver esse filme. Não esperava muita coisa, mas até que é bonzinho. Pra resumir, é tudo uma grande sacanagem. Literalmente. Principalmente aquela mulher com dois homens maravilhosos e eu aqui, escrevendo em um blog. E sacanagem maior ainda é levar uma pessoa nas minhas condições pra assistir um filme desses... aí não dá, pô.

Diálogos
Eu - Van, consegui tirar o piercing. O que eu faço agora?
Ela - Hahahahahah! Tenta engolir com um copo de leite.


É bom poder contar com os amigos. Não, eu não engoli.

Mas isso não é nada quando pensamos em uma pessoa que preferia brincar de Barbie a sair com seu primeiro namoradinho. Eu ainda arrumo coragem para contar aqui as estorinhas que eu criava para minhas Barbies e Bobs. E tenho uma revelação macabra: eu tive uma boneca chamada Escarolinha. Brinde da Tupperware.

Essa coisa de voltar à infância me fez lembrar do meu Ding Bô. Alguém lembra o que era o Ding Bô? Era um robozinho vermelho e branco que andava um pouquinho, parava e fazia piu-piu. É sério. Ele piava.

Pois então. O Ding Bô tinha até um jingle na propaganda... para o azar de vocês, meu três leitores, eu lembro desse jingle. Era assim, ó: "Ding Bô, Ding Ding Bô... anda pra cá e pra lá, bate e volta... conversa sozinho e continua a procurar!". E ficava nessa frase o comercial todinho, para desespero dos pais estressados.

Pois bem, eu tive um Ding Bô. E eu era apaixonada por ele. E um dia meu pai pisou no meu Ding Bô. Foi uma tentativa clara de homicídio, mas o Ding Bô sobreviveu. Não por muito tempo, é verdade. Quando eu já estava com 15 anos, minha mãe jogou meu Ding Bô no lixo e eu fiz um escândalo. Chorei, reclamei, ameacei, mas não adiantou nada. Hoje o meu Ding Bô descansa em paz no céu dos robôs.

3.7.02

Vontade incontrolável de falar "eu teeeenhoooo, você não teeeeem" pra todo mundo. Voltei à infância e o próximo passo é comprar uma Barbie.

Assim que eu conseguir parar de ouvir meus dois CDs novos, de ler a minha carta e de sorrir que nem uma tonta, esse blog será atualizado. Isso é uma promessa.

Papai do céu:
Da próxima vez em que você quiser que eu sonhe com abelhas e sexo em uma só etapa, me avise com antecedência, belê? Essas coisas são muito estranhas para virem assim, numa porrada só.
Obrigada,
Juliana

PS: E não faça com que um blogueiro que eu nunca vi apareça no meio do meu sonho, do nada. E também não faça com que ele sonhe com abelhas. Isso me assusta. Muito.

2.7.02

Ligeira alteração no nome que assina esses posts. Como todo mundo já sabia que Lady Macbeth era a Juliana, não fazia mais sentido. E eu estava ficando confusa com esse lance de dupla personalidade. Agora eu sou eu. Não, não sou. Ela é que não sou eu mais. Ah, sei lá, não faz a menor diferença.

Ansiedade, sua alcunha é Juliana. Enquanto meu CD-novo--presente-mais-que-especial-de-pessoa-mais-que-importante não chega, vou colocar minha cadeirinha de praia ali no jardim. Espero que o carteiro não atrase. Sirvam um JW, please.

Eu achei que fosse piada, mas não é que o lance do Paulo Ricardo dublando cavalos em um filme é verdade? Bem apropriado, eu diria.

Eu tenho que contar da minha estréia no mundo artístico. Quando eu tinha uns nove anos, a minha turma de escola resolveu encenar um espetáculo que misturava as estórias de Branca de Neve e os Sete Anões, Cinderela e Bela Adormecida. É claro que a idéia original era bem mais simples: pegar uma dessas estórias, escolher os atores e ponto final. Mas eu (claaaaro... quem mais poderia complicar a vida de todo mundo?) sugeri criar uma nova estória, todos concordaram e botamos a idéia em prática.

Não tenho muitas lembranças do roteiro em si, mas recordo que era algo meio modernoso. A Bela Adormecida era meio piranhona, os anões tinham desvios de comportamento, a bruxa era bem parecida com a Ana Maria Braga, com mania de cozinhar e viciada em tortas de maçã e o príncipe era gago e mal conseguia se equilibrar sobre as pernas, de tão trapalhão. Preciso dizer que quem reescreveu a estória fui eu? Então tá...

Pois bem... no dia de escolher os papéis, eu faltei na aula e só fiquei sabendo no dia seguinte que fui eleita para três papéis diferentes: eu seria um anão alérgico e passaria o tempo todo me coçando, eu seria o padre que casa a Bela Adormecida com o príncipe no final e eu seria o espelho. Ahn... vocês não sabem que o espelho representa? Representa, sim. Dá um show de interpretação.

É claro que eu não fiquei nem um pouco satisfeita com esses papéis secundários. Eu queria ser a bruxa para poder me acabar naquelas tortas de maçã. A Bela Adormecida (ou seria Cinderela?) era muito chatinha, bonitinha e tal e esse papel estava fora de cogitação... então resolvi incrementar minha atuação. Na hora de responder à pergunta da bruxa "existe alguém mais bela do que eu?", respondi que não sabia, que era um espelho gay e não estava apto para avaliar. Levou cerca de 10 minutos para a bruxa pensar em uma resposta apropriada e então seguimos com a peça.

Mas eu não estava satisfeita com o destaque obtido. Eu queria mais. Eu queria a fama. Eu queria ser comentada por todos os meus coleguinhas. E então, na hora que os anões saíam correndo pelo jardim da escola (e eu no meio, me coçando), arrumei um jeito de dar uma topada em uma muretinha e estraçalhei a ponta do meu dedão do pé. Grito (meu), desmaio (de uma professora que não podia ver sangue) e correria (de todos os outros). A peça foi suspensa por causa da necessidade de pontos no maldito dedo e eu quase fui linchada pelos outros alunos. Mas eu consegui: fui o assunto do ano naquela escola.

1.7.02

E eu ia postar aqui a tal foto minha ao lado de Chrystian e Ralf, mas o Mava (hoje sem link porque o blog dele tá em recesso) me proibiu, então... contentem-se com as informações que ele próprio pode passar sobre a veracidade dos fatos.

Oh céus (ato falho: ao digitar esse "céus" eu esqueci a letra E), lá vem a nova (velha) novela das duas. Eu ainda estou meio inconformada por ter perdido o último capítulo de História de Amor, sabe... esqueci de gravar, esqueci de assistir e esqueci comé que acabava. E agora já era.

E lá vem a próxima. Insatisfeitos com a overdose de Regina Duarte em História de Amor e Desejos de Mulher e sua invariável carinha de madalena arrependida, os putos reprisarão agora Por Amor, com a nossa Regininha sofrendo como sempre e chorando um oceano inteiro para milhões de brasileiros.

Mas como na Grobo também tem facas Ginsu, preparem-se: ao comprar uma Regina Duarte no papel principal você leva inteiramente grátis a sua miniatura, Gabriela Duarte! E não é só isso: você ganha também a Susana Vieira (impecável como sempre) com seus olhinhos quase fechando de tanto delineador e rímel. E além disso tudo, você poderá desfrutar do Antonio Fagundes desfilando sua mais recente plástica para remoção de papada e pés de galinha.

Como vocês podem perceber, vale a pena ver de novo! Mas eu bem que preferia um emprego...

Obs: Nada contra os atores citados, à exceção da dona Gabriela. Pelo contrário: no festival de expressivos deuses acéfalos na TV, é uma benção assistir um Paulo José arrancando lágrimas no papel de um bêbado rejeitado pela filha e humilhado pela esposa. E eu adoro novela, sim. Por quê? Vai encarar?