30.8.02

Bom, mas o importante é que a coisa lá do emprego foi confirmada hoje. Começo no dia nove. Rezem para que eu não tropece no fio do telefone logo no primeiro dia e caia de cabeça no chão.

Centro de São Paulo, onze e meia da manhã. O semáforo fechou e eu vi um garoto atravessando a rua. Em um piscar de olhos ele estava ao meu lado, querendo levar meus míseros reais.

Ele - Tia, passa dez reais aí agora, senão eu te mato.
Eu - Eu não tenho, menino. Sinto muito. (o quê? eu "sinto muito"? vá à merda)
Ele - Vai, vai, vai. Passa logo a grana, senão você morre.
Eu - Eu não tenho, porra. (já perdendo a paciência)
Ele - Você vai morrer.
Eu - Tchau, hein...


O semáforo abriu e eu fui embora.

Centro de São Paulo, onze e trinta e cinco da manhã. A cena se repete, cerca de quinhentos metros depois. Só que aí eu já estava puta da vida com a falta de segurança, blá blá blá, mudei de tática. O moleque se aproximou da minha janela e...

Eu - Moleque, me dá vinte reais, senão eu te mato.
Ele - Tia...
Eu - Vai, vai, vai. Não enrola. Me dá vinte reais, senão eu te dou um tiro. (atenção à minha cara ameaçadora de quem foi "corrompida pelo sistema")
Ele - Ahn...


E saiu correndo. Mas eu ainda pego aquele menino e consigo os vinte reais.

PS: Isso seria engraçado se não fosse trágico. É inadmissível ter que andar enjaulada em um carro, ter que entregar um dinheiro suado pra cacete na mão de filhos da puta que usam a situação brasileira como justificativa para viver na marginalidade. Eu sei o que é não ter dinheiro. Eu sei o que é viver em condições miseráveis. Acreditem, eu já vivi em casa de piso "vermelhão" e telha quebrada de Brasilit. Eu já me alimentei apenas de mingau de maisena porque era a única coisa que tinha em casa. E nem por isso eu saí assaltando seja lá quem for. E se eu tivesse um revólver à mão naquele minuto, os dois pequenos delinquentes que tentaram me assaltar estariam mortos, à essa hora.

29.8.02

E eu queria mesmo saber o que diabos vem escrito naquelas malditas cartilhas que ensinam os atendentes de convênios médicos a trabalhar. É só você mudar uma vírgula do que eles estão acostumados e o povo entra em pânico. Blergh.

Hoje eu vi que a Van tinha razão: o churrasco grego aumentou de R$ 0,50 para R$ 0,70 no centro de São Paulo. Mas você ganha dois copos de suco ao comprar a iguaria. Satisfação garantida ou seu estômago de volta.

É, eu tô sem assunto. Creio que minhas idéias saíram do corpo junto com as calorias que eu abandonei lá naquela maldita esteira da academia. Ô troço ruim, pô. Além de cansativo, perigoso. Eu avisei pro cara que eu ia cair. Eu juro que avisei. Mas ele insistiu. Depois de trinta minutos, perdi o pique e quando vi, a esteira tinha me jogado longe. Foram me resgatar grudada na parede lá atrás. Deve ser um bom negócio vender seguro de vida em academias.

Hoje eu consegui acertar uma bolsada no meu próprio olho esquerdo. Formidável.

Coisas que eu vou fazer ainda esse ano mesmo que um raio parta a minha bunda em quatro pedaços irregulares
- Comer tapioca até passar mal
- Ir ao show do Red Hot
- Colocar outro piercing
- Pagar metade das minhas dívidas
- Passar um final de semana no Rio
- Mandar minha velha tia tomar no rabo
- Assassinar um pagodeiro

28.8.02

A psiquiatra
Não, eu não consegui escapar. Tive que passar por um exame psquiátrico (sim, psiquiátrico) para penetrar (ops!) de vez no emprego, doce emprego. E, claro, sentada naquela cadeirinha conversando com aquela mulher com cara de quem acabou de fugir do Charcot, não pude deixar de pensar nas consequências daquele exame, caso eu resolvesse ser franca. Abaixo, algumas das perguntas. Colocarei entre parenteses a resposta franca que eu gostaria de ter dado.

Ela - Você se adaptou bem ao seu emprego anterior?
Eu - Sim, claro. (O resto da empresa é que não se adaptou a mim.)
Ela - Você tem um bom relacionamento familiar?
Eu - Excelente. Eu me dou muito bem com meus pais. (Especialmente quando eles estão amordaçados.)
Ela - O que você gosta de fazer nas horas vagas?
Eu - Ah, eu gosto de ler, ouvir música, ir ao cinema, brincar com minhas cachorras... (Sexo. Mas não, obrigada, eu não tô a fim de você.)
Ela - Você fuma?
Eu - Uns dois ou três cigarros... (Por hora.)
Ela - Você bebe?
Eu - Não. (O que você tem pra me servir?)
Ela - Já usou drogas?
Eu - Não. (Hoje, ainda não)
Ela - Você tem namorado?
Eu - Não. (Ele me jogou no vento no mesmo dia em que eu perdi o emprego. Por quê? Algum problema? Qualé?)
Ela - Você enfrentou bem a separação dos seus pais?
Eu - Ah, sim... no começo foi difícil, mas depois eu me adaptei. (Até porque, eu não aguentava mais aquele filhodaputa me dando ordens. Foi ótimo não ter que olhar mais para a cara dele.)
Ela - Você acha que se daria bem lidando com o público?
Eu - Sim, claro. (Com um revólver na mão, eu consigo me relacionar muito bem com as pessoas.)
Ela - Você já teve algum problema psiquiátrico?
Eu - Não. (Mas eu estou no caminho: já escrevo um blog.)
Ela - Alguém da sua família já teve problemas psiquiátricos?
Eu - Não. (A menos que você considere um problema um avô que jogava paciência com as partes do seu corpo. O ...ahn... órgão sexual era o ás de copas. E tem a minha mãe, que recolhe embalagens da Nestlé pela rua. E a minha tia, que conversa com objetos e espera resposta.)


E o mais incrível de tudo é que eu acho que passei. Não sei se ela tinha o poder de ler a minha mente e espero que não, mas até que a manhã não foi totalmente perdida: até consegui estacionar meu carro direitinho em uma vaga minúscula. Tá, não era tão minúscula assim, mas era pequena. Tá, era meio grandinha. Tá, cabiam dois carros lá, mas eu sou mulher, porra.

27.8.02

Teve uma rebelião em uma cadeia de Santo André, num teve? Pois é, foi aqui em frente de casa. Eu vivo aparecendo na tevê sem querer. Hoje me viram no programa do Datena. Se pelo menos fosse na Globo, pô...

Sabe o comercial do Palio Weekend? Lembra do que passava há três anos, onde o peixinho ficava chorando enquanto o carro passava pela estrada? Pois é, eu chorava.

26.8.02

Se continuar do jeito que está, a novela Esperança vai terminar sem nenhum ator vivo. Mais um acidente. Não que eu lamente, na verdade...

Ah, puta merda... por que não enfiam esses arquivos pps onde o sol não brilha?

E o pior de tudo é que depois de anos e anos em que meu único exercício foi com os dedos (no mouse, porra. Já pensaram bobagem, né...), decidi pegar o programa completo. Musculação, ginástica localizada, step, GAP, spinning, aero boxe e mais um monte de frescuras. Pelo menos duas horas por dia enfiada naquelas calças de lycra ridículas. Deus me defenda.

Malhação
Eu - Bom dia, moça. Quero saber quais modalidades de ginástica vocês têm aí e os preços.
Ela - Ah, nós temos localizada, step, GAP, spinning, body combat, body pump... além da musculação, claro
Eu - E como são as aulas de localizada? E os preços?
Ela - As aulas são muito animadas, muitos alunos, professores conceituados, blá, blá, blá... por que você não vem assistir uma aula?
Eu - Tá bem, a que horas eu posso ir?
Ela - Agora às onze tem uma aula.

Eu fui. E tocava axé na aula. Saí da academia correndo, para nunca mais voltar. Liguei para outras dez academias, mas já estava preparada:
Eu - Bom dia, moça. Toca axé nas aulas?
Ela - Toca.
Tututututututututu

Até que a recepcionista de uma academia jurou que não tocavam axé por lá. Satisfeita com a música, o preço e os horários, fiz minha inscrição e começo as aulas na semana que vem. A recepcionista ainda perguntou por que eu queria saber se tocava axé nas aulas. Expliquei que prefiro continuar sendo uma cachalote grávida a ouvir axé.

Então é isso. Se eu começar a emburrecer, são as influências malignas. Se eu começar a falar glúteos em vez de bunda, é a minha maldita obsessão. Se eu não voltar, é porque esqueci como se escreve. Se vocês lerem alguma notícia sobre um peso que caiu na cabeça de uma aluna de academia, sou eu.

25.8.02

E eu acabei nem contando que o cara da kombi veio me pedir desculpa por quase me matar. Eu continuo com medo. Ainda mais agora, que ele tá se fazendo de amigo... pode ser um truque.

E depois tenho umas conversas pra colocar aqui, mas tô pensando. Eu ainda tenho (tenho?) uma reputação a zelar.

E um dos exames que eu fui fazer era na Liberdade. Eu realmente tenho uma coisa com japoneses. Estava traumatizada com o lance do japa da kombi que tentou me matar, me distraí e enfiei o pé em um buraco. Depois de rolar aquela rua Galvão Bueno (olha o nome da filhadaputa da rua) por dois quarteirões, quebrar o salto do sapato e estacar centímetros antes de cair em um bueiro, eu reparei naqueles milhares de japonesinhos me olhando. Acho que eles nunca viram nada tão ridículo quanto uma mulher sem sapato (sim, o sapato ficou no buraco) rolando pela rua. Oh céus.

E vou ter um curso de uma semana, dia inteiro. Essa é a pior parte.

Hoi. Quanto tempo, né? Bom, eu estava ocupada. E agora posso até falar o que é. Arrumei um emprego. Quer dizer, lembram do concurso? Pois é, eu passei. E me chamaram. E agora eu tô correndo com exames e mais exames, cada um em um canto diferente de SP. O meu medo é empacar num tal exame psiquiátrico que eu vou fazer na semana que vem...

24.8.02

Amanhã eu volto. Prometo.

22.8.02

O japa da kombi tentou me matar. Isso é muito sério. Há seis meses ele veio, se instalou aqui na porta de casa com sua kombi azul e fez fortuna vendendo caldo de cana. A kombi fica parada em frente à janela da sala e não é raro eu ver o japa olhando fixamente para a tal janela. O japa observa minha rotina, meus horários, meus amigos com aquele meio sorriso, como se dissesse "eu vi o que você fez e sei quem você é".

Minha mãe já tentou brigar com ele. Ela tenta brigar com todo mundo, mas no caso dele, não conseguiu. Enquanto ela dizia "retire o lixo que você jogou na minha calçada", o japa sorria daquele jeito estranho. Quando ela começou a gritar, ele balançou a cabeça de um lado para o outro, sempre sorrindo. Depois desse dia, nunca mais ficamos tranquilas: agora o japa traz a esposa e ficam os dois sorrindo e balançando a cabeça quando nós passamos por eles. Ameaçadores, os dois.

E hoje eu acordei cedo e fui dar uma caminhada. Atravessei a rua, passei em frente à kombi e nesse exato momento, o japa ligou o veículo e tentou me atingir. Pulei para a calçada e olhei para ele: foi a primeira vez que o vi gargalhar. Eu não sei muito bem o motivo desse ódio todo. Por precaução, roubei um pedaço de cana que estava caído na calçada e trouxe para casa: se ele tentar novamente, juro que enfio a cana em um orifício não apropriado. Nele, não em mim.

21.8.02

Engolir sapos tem um lado bom e um ruim. O bom é que dá pra seguir a dieta, já que eles não engordam. O ruim é que não dá pra soltar um arroto daqueles estrondosos depois. Bah!

Update: Não são os sapos que não engordam. Somos nós. Dã.

Algumas pessoas conseguem, com meia dúzia de palavras bem escolhidas, destruir todos os seus sonhos. Essas pessoas parecem escolher os piores momentos para dar as caras e exercer o "poder" que elas têm sobre a sua vida para te afundar um pouco mais. No começo dói demais. Você tenta entender os motivos de tanto ódio, de tanto rancor, e não consegue. Simplesmente não há justificativa para a agressão gratuita.

Eu cansei de carregar as culpas do mundo nas costas. Cansei de ser compreensiva, boazinha, idiota, sonsa. Quero descanso, quero sossego. Eu quero perto de mim as pessoas que me dão algum valor. Não vou mais dar a cara à tapa para ninguém, não vou mais tentar manter a compostura. Bateu, tomou. Se não servir para resolver, pelo menos me ajuda a desabafar. Isso é uma promessa.

E agora entro em greve por tempo indeterminado. Depois respondo os comentários lá de baixo.

20.8.02

Com licença.

dieta filha-da-puta
dieta filha-da-puta
dieta filha-da-puta
dieta filha-da-puta
dieta filha-da-puta


Pronto, passou.

Ah não, eu tenho mais uma coisa pra contar. Sabe, eu posto as coisas aqui que é pra nunca esquecer do quanto eu sou desastrada. A intenção é boa: talvez um dia eu me corrija, mas eu duvido. Então é isso. Hoje fui ao Bradesco. Toda vez eu enrosco na porta giratória e fico dando voltas e mais voltas, isso quando o maldito sensor não acusa minhas várias moedas espalhadas por todas as divisões da bolsa. E hoje, além de me desentender com o sensor, eu ainda derrubei a maldita bolsa e espalhei moedas, canetas, chaves, agendas, papéis e drops por todo o chão do banco.

E meu celular faleceu em virtude do tombo. Também, já tava na hora. O pobre coitado já passou por fortes emoções nesses dois anos em minha companhia. E no fim disso tudo eu dei duas voltas completas na porta giratória (é sério, porra, eu fico com medo de sair e a porta bater em mim, sei lá. Eu também tenho medo de escadas rolantes, mas outra hora eu conto isso). E tem mais: eu descobri na hora que fui catar os bagulhos no chão que tinha ido ao banco de havaianas. Eu jurava que tinha colocado um sapato, mas não coloquei. Não sei por que as pessoas me olham tanto...

E agora deixa eu ir pra mais uma sessão de tortura. Hoje não está sendo um bom dia. Essa não está sendo uma boa vida.

Ah, bom dia, né? Não, eu não tenho educação mesmo. Ainda assim, eu não entendo por que o Mava (sem link, porque o blog faleceu) ficou tão chocado quando eu mandei aquelas catorzeanistas comerem alfafa, no shopping. Porra, prestatenção. Plena terça-feira braba e elas passeando no shopping sem pressa alguma e atrapalhando o tráfego? Ah não. Tudo bem que eu também não tava fazendo nada, mas elas não precisavam ficar sambando na minha frente. Bem, provavelmente isso era a única coisa que elas sabiam fazer.

"I've been looking so long at these pictures of you
That I almost believe that they're real
I've been living so long with my pictures of you
That I almost believe that the pictures are all I can feel"

Pictures of you - The Cure

Baixem essa música. Nesse instante.

19.8.02

Dizem as más línguas que quando eu era pequena, eu era duas orelhas com um pequeno rostinho no meio. Agora eu sou duas bochechas com um pequeno rostinho em volta. E quando eu falo que sou desproporcional, minha mãe diz que é bobagem...

Os arquivos desse blog estão desaparecendo umas três vezes por dia. Até o Blogger sabe que meu passado me condena.

Como destruir sua imagem - Capítulo 514
Não há mau humor matinal que resista a uma sessão lavagem de roupa ao som de Cake. E meu vizinho deve concordar com isso, já que ele está ali pendurado no muro há quarenta minutos gargalhando do meu balé descoordenado pelo quintal. Espero que ele não filme isso para vender no mercado negro como parte do pacote "seja feliz cuidando do seu lar".

18.8.02

E Murphy estava pendurado no saleiro do bar... eu, que odeio palmitos, consegui comer CINCO malditos pastéis de palmito da porção mista. E a Silvia conseguiu comer o ÚNICO pastel de espinafre com ricota, que ela odeia. E depois ainda perguntam porque eu bebo...

Chegay. Eu fui ali encontrar a Dona Silvia, do Boteco. Achei conveniente postar logo essas coisas aqui antes que ela destrua a minha reputação de vez por lá. Bem... eu tenho aquele tipo de pontualidade às avessas que me faz chegar nos lugares com meia hora de antecedência, então fiquei lá na praça, esperando a doida chegar e passeando na feira hippie. Aí uma velhinha de 75 anos, viúva, com três filhos e quatro netos (sim, ela me contou tudo isso) resolveu puxar papo e eu até me distraí um pouco. Se a Silvia demorasse mais cinco minutos, eu teria ido à casa da velhota jogar uma partida de buraco.

Bem, ela chegou, entramos no boteco e conseguimos a proeza de sentar na mesa em frente a um senhor de nacionalidade desconhecida, que falava sozinho e ria das próprias piadas. Confesso que prestei muita atenção àquela conversa estranha entre um homem e seu isqueiro. E por falar em isqueiro... consegui escapar umas cinco vezes de ter minha sobrancelha incendiada pelo prestativo garçom. Definitivamente, não há algo que eu odeie mais do que isqueiros ameaçadores na minha direção.

Mas foi bom, foi sim. Mais um encontro com blogueiros no meu currículo e tal. O problema é que a Dona Silvia "decidiu" que eu sou normal. E eu não sou, né? Bom, tudo bem. Pelo menos ela não disse que eu sou afetada. E eu estava muito afetada por cinco chopes e vários pastéis de palmito.

PS - only for men: Ei, você. Está à procura de uma mulher bonita, inteligente e disponível? Vá lá no blog da Silvia. Aqui você não vai encontrar beleza nem inteligência e muito menos disponibilidade (tá, essa parte é mentira), mas lá você terá tudo isso. Mande e-mail, ofereça casamento, envie flores, faça qualquer negócio. Eu "agarantio". (Silvia, deposite a grana na conta combinada, tá bem?)

Tudo bem que eu nunca tive a pretensão de ser normal, mas começar dieta em um domingo é jogo sujo. Bah!

Tudo bem, tudo bem. Miojo genérico, tudo bem. Groselha Wilson, eu aceito. Mas papel higiênico em fardo (vulgo espalha-bosta) é de foder. Agora sim eu acredito que estamos falidos. Vou ali comer aquele arrozinho cor de rosa para ratos e já volto.

17.8.02

E a noite de ontem acabou com uma espécie de turismo sexual. Conseguimos passar por todos os pontos de prostituição conhecidos em São Paulo, Santo André e São Bernardo. Valha-me Deus.

Café Concerto Uranus - A lenda
A história
Não acreditei nos relatos sobre um lugar estranho que existia em São Paulo, onde eram realizados shows de pessoas como Rosana (a deusa). Pensei que fosse mais um delírio daquele japinha que se revela pelos comments desse blog. Resolvi tirar a prova e fui até aquele lugar quase místico na noite de ontem.

Liguei para o Pikachú às dez da noite e disse "Você tem que me acompanhar. O lugar é perigoso e eu tenho medo de não sobreviver. Pra piorar, vou encontrar uma louca por lá... é arriscado. Você é meu amigo, não?". Ele, aventureiro que é, topou na hora. E então fomos.

A casa
Assim que coloquei os pés dentro do bar-café-teatro-concerto Uranus, me arrependi: uma primeira porta preta dava acesso a uma salinha escura, onde um recepcionista (?) nos aguardava. Aquele breu, eu, o Pikachú e o homem. Lembrei na mesma hora da Casa do Terror, no Playcenter. Se o cara perguntasse algo como "vocês têm certeza que querem prosseguir?", eu sujaria minhas calças.

Passamos pela segunda porta e fomos recebidos por uma nuvem de gelo seco. A decoração era fantástica: poltronas velhas, mesas com velas em cima, um chafariz (!!!!) e um piano de parede. Garçons com bandanas de pirata na cabeça passeavam entre os (seis ou sete) clientes. Isso pra não falar do banheiro misto com paredes vermelhas...

O público
Quarentões grisalhos interessantíssimos dividiam a mesa com seres estranhos de idade e procedência desconhecida. Uma dessas criaturas era o cruzamento do Bart Simpson com um bode depois da sessão de bronzeamento artificial. Terrível.

Encontramos a Paula sentadinha, esperando, completamente de porre com uma caipirinha. E lá ficamos, bebendo, conversando, ouvindo músicas estranhas e tirando fotos. Até que a madame doida resolveu ir embora e nós fomos levá-la em casa. Não, eu não vou queimar o filme dela e contar que precisamos parar em plena Consolação para "desova" de substâncias. Eu não contaria uma coisa dessas.

Foi assim a minha noite. Voltei para casa cedo, sóbria e encantada. Virei frequentadora assídua do tal Café Concerto Uranus e mal posso esperar pelo próximo show esquisito ou pela próxima visita da louca a São Paulo.

16.8.02

Hoje, a menos que atropelem uma velhinha de cabelos azuis aqui na rua de casa, não postarei nada. Quer dizer, eu acabei de lembrar uma coisa "postável", mas tô com preguiça e vou cuidar da vida. Meus cinco (sim, aumentou a lista de doidos) leitores compreendem, né? Tia Ju agradece pela paciência.

15.8.02

Coisas que eu recebo por e-mail

Nem Jesus salva

Haja fé!

A propósito, a música abaixo ganhou um apelido carinhoso: melô da ex-virgem. Tudo por conta do pedacinho em que diz "doeu, doeu, agora não dói, não dói, não dóóói".
...
Tá, eu sei que isso foi péssimo. Mas eu vivo inventando apelidos para as músicas que detesto.

Isso imediatamente me fez lembrar da minha viagem pra Cafundolândia (nome fictício de uma cidade no centro-nordeste de Minas). Foi a primeira vez em que eu... ahn... travei contato com um grupinho que toca aquela coisa que eles insistem em chamar de forró. E eu bebia, sabe? Eu bebi muito todas as noites daquelas duas semanas. Pela manhã, eu era pouco menos que uma pipoca mastigada. E então vinha a musiquinha.

"Tô numa boa, tô aqui de novo
Daqui não saio, daqui não me movo
Tenho certeza, esse é o meu lugar, aaaah"


E, bom, esse "meu lugar" da música era estratégico: embaixo da minha janela. Lógico que havia um candidato a prefeito por trás dessa brincadeirinha cretina. E eu nem podia xingá-lo, já que a cidade era do tamanho de um ovo e eu corria o sério risco de ofender um primo ou tio da minha anfitriã. E depois ainda me perguntam porque eu odeio forró e política, não necessariamente nessa mesma ordem.

Acordei hoje com uma musiquinha estranha tocando na rua. Naquele meu estado habitual de semi-consciência, identifiquei a música e fiquei tentando entender o que se passava na rua.

"Aumenta o rádio, me dê a mão
Você precisa de um homem pra chamar de seu
Mesmo que esse homem seja eu
Um homem pra chamar de seu
Mesmo que seja eu"


Então falavam o nome do sujeito, um médico respeitável de Santo André, que achou genial a idéia de fazer campanha política às nove da madrugada no meu bairro. E ao som da belíssima composição de Erasmo Carlos. Faz algum sentido?

14.8.02

Primeiras lições de hardware
Então chegou o tal do gravador e o primeiro passo para a instalação era pegar uma chave de fenda (para abrir a "casca" do micro). Legal. Onde diabos tem uma chave de fenda nessa casa? Serve faquinha? Então tá. Depois de estourar a ponta de três facas, consegui enfim abrir a máquina do tempo, morrendo de medo que aqueles japonesinhos que vivem ali dentro fugissem.

O segundo passo era enfiar o gravador no buraco apropriado. Depois de quinze minutos forçando a entrada do objeto (ops!) pelos fundos (ops!) da máquina, descobri que... ahn... pela frente era mais fácil. E era o correto, claro. Agradecendo a todos os santos por ninguém ter visto o mico, continuei o trabalho. Conectei todos os malditos fiozinhos, aproveitei pra calçar (sim, com um pedaço de papel) o meu cooler, que estava prestes a sair voando, e fechei a máquina.

Agora é que vinha a parte difícil. Será que estava tudo certo? E se um CD voador saísse daquele buraco e me degolasse? Arrisquei, liguei o micro e tchanam! Tudo perfeito. Um conflitozinho bááásico entre o gravador e o drive de CD era esperado, não? Inverti os cabos e ficou tudo bem.

Eu disse tudo bem? Estaria mesmo, se eu não tivesse largado uma fatia do meu dedo médio (sim, aquele) no buraco (ops!) do gravador. E bom mesmo foi que eu só percebi quando meu teclado já havia se transformado em uma piscina de filme de terror. Exagero? Três pontos no PS, juro.

Então, rapaziada, agora eu já posso instalar qualquer coisa na máquina de vocês. CDs, Zips, qualquer negócio. Pela módica quantia de 50 reais, eu faço o serviço. E não venham me dizer que é caro, porque meu dedo vale bem mais que isso (ahn...) e a promoção é limitada: só sobraram nove dedos.

Ops... acabou de chegar o gravador de cedê. Eu que vou instalar essa coisa. Se eu não voltar até amanhã, procurem nos jornais a notícia de uma explosão ou algo assim aqui pros lados do ABC. Mandem flores. Façam uma festa. Bebam vinho barato e comam coxinhas em minha homenagem. Fui.

Recebi hoje por e-mail (graças ao Nishi) uma notícia fantástica. Leiam.

AZARADO: Homem morre soterrado por ervilhas na Suécia
Um sueco morreu hoje ao ser enterrado vivo debaixo de 13 toneladas de ervilhas em um silo de um armazém. A informação é da imprensa local. O homem, de cerca de 30 anos, estava fazendo uma instalação elétrica em uma fazenda próxima da cidade de Mjolby, sudeste da Suécia, quando as ervilhas caíram sobre ele. Equipes de resgate retiraram o homem do depósito, mas não conseguiram reanimá-lo.


Um dia eu ainda consigo aparecer nos jornais dessa forma. Mas pelo menos eu quero ser soterrada por azeitonas, que são bem mais interessantes que as ervilhas.

Sonhei que estava me afogando e acordei assustada, com dificuldade para respirar e... molhada! Abri os olhos e vi um homem de vestido marrom e sandálias. Deduzi: "hoje vai ser um daqueles dias surreais" e falei oi pro velhinho barbudo que me observava e jogava água em mim. Lembrei de Noé e do dilúvio.

Percebi que minha mãe estava na porta do quarto e ainda pensei: "puta vida, esse sonho não acaba mais? Até ela?". E foi então que mamãe me apresentou ao Frei Antonio Carlos, que passava de casa em casa benzendo pessoas, animais e objetos. Pensei por um instante na pedofilia, aí lembrei que não era mais uma criancinha, virei pro lado e dormi de novo sobre o travesseiro encharcado.

Mas a dúvida persiste: a tal benção não era dada com umas gotinhas de água benta? Por que diabos o velhote jogou um litro de água em mim às oito da manhã? Tratamento de choque? Tentativa de assassinato? Vingança pelos pedaços de bolo roubados na quermesse da igreja? O mau humor matutino virou pecado capital?

13.8.02

Os dois lados do Mundo Perfeito
A Dani lá do Mundo Perfeito passou por aqui hoje para prestar condolências pelo meu falecimento (no post abaixo eu anunciei minha morte iminente por ingestão de refrigerantes e groselhas genéricos, leiam lá). Passou, linkou e trouxe uma porrada de cliques para essa página. Tenha dó dos seus leitores, Dani!

Apesar disso, tenho que defender a moça. Mesmo sendo tão cruel com seu público, ela é responsável por algumas das campanhas geniais estampadas em vários blogs por aí, como a do assassinato da língua portuguesa (veja lá na Publicidade Perfeita). E além disso, ela carrega em sua bolsa garrafas de vinho que fazem a alegria do povão na noite paulistana. Eu atesto: a garota tem suas qualidades.

No início eu tive dúvidas. Agora eu tenho certeza: minha própria mãe está tentando me assassinar. Nas compras que ela trouxe para casa hoje, há duas garrafas de guaraná Simba e uma groselha Wilson. Depois dos miojos genéricos (sem marca e sem nenhum controle de qualidade), os refrigerantes. Vida cruel, essa.

Era uma manhã de sábado, eu estava exultante com a chegada iminente de uma visita (a primeira) em minha casa (a primeira, também). E melhor, visita interestadual, que era para contar para toda a família como meu corticinho era arrumadinho, tinha até panelas, copos, bananas na fruteira e coisas assim. Cinco da manhã, eu e a tal visita dentro do ônibus (tá pensando o que? naquela época eu nem sabia dirigir, pô), cochilando e acordando a cada solavanco. Chegando no meu bairro, descemos ao lado do cemitério e demos início à caminhada de quatro quarteirões ladeira abaixo.

Não é que na minha empolgação, resolvi passar uma das malas pelo pescoço? Absoluta falta de bom-senso, esqueci da inclinação natural da rua e quando percebi, estava cambaleando. Uma cena e tanto: a mala bateu no chão, eu passei rolando sobre ela. Mais uma pirueta da mala e eu rolando novamente sobre ela. Era apavorante: eu esparramada no chão e aquela mala passando por cima da minha cabeça. O meu grande medo era que em determinada hora a mala não conseguisse pegar o impulso necessário para me ultrapassar e caísse bem na minha cabeça.

Isso se estendeu por dois quarteirões, até que trombei com um hidrante. Aí parei e a mala fez sua última viagem, voando sobre a minha cabeça e arrastando meus braços para cima. Do jeito que parei, fiquei. Só mexi a cabeça o suficiente para perceber que estava viva e que a pista de aterrissagem era em frente a uma igreja e era o fim do culto. Quando olho para a esquerda, todos aqueles fiéis se aproximando, preocupados, decerto tinham observado todo o meu trajeto, desde o alto da rua. Já do lado direito, vinha correndo a visita, já pensando em passar o final de semana cuidando de uma pessoa em cacos.

Levantei, com o resto de dignidade que ainda tinha, pensando se seria melhor fingir estar desmaiada, para que ninguém risse de mim, ou então para que pensassem que antes mesmo de cair eu já estava passando mal. Olhei para todos com aquele sorrisinho amarelo, agradeci a atenção, inclusive daquele moço que insistia para que chamassem uma ambulância e caminhei até minha casa. A visita? Passou três dias ali e desapareceu, provavelmente com medo de novos acidentes.

PS: Texto de 1998, sem revisão. Dane-se a concordância. Dane-se tudo.

12.8.02

E baixem Golden Brown (The Stranglers). É muito boa.

E isso tudo é pra não falar dos comerciais, viu? Puta merda, tem um comercial do Johnny Walker com um alpinista ou sei lá o que bem próximo dos sessenta anos. A propaganda tem uma mensagem "linda" sobre "como se deve ir ao fundo das coisas". Juro que quando vi o sujeito, achei que fosse o Maradona. É idêntico. Já ia soltar a piadinha imperdoável sobre como o Maradona tinha ido ao fundo (do poço) quando apareceu o nome do cara...

E tem a da Telefonica... mostra o sujeito ligando pra reclamar dos serviços telefônicos prestados e se embananando todo com a confusão de operadoras. O que será que eles querem dizer? Que fazendo interurbano pela Telefonica você não perde tempo quando for reclamar de cobranças indevidas? Bem prático. Eles sabem que o serviço é péssimo, mas querem facilitar a sua vida fazendo com que você só tenha que ligar para uma operadora.

Céus, preciso de um drinque.

Eu pensei que já havia visto todos os filmes sobre aviões caindo e sobre prisioneiros sendo transportados. Aí resolvi assistir Tela Quente na Grobo e, que surpresa, lá está o filmão sobre um avião caindo com prisioneiros dentro.

Mas isso até que não seria tão interessante assim, já que quando um assunto se esgota, os caras logo tratam de criar mais dificuldades parar "melhorar" a história. Bom mesmo é conseguir rir do começo ao fim das situações mostradas no filme. Ahn... não era comédia? Tá bom, desculpa.

Eu vou passar uns dias "não sendo eu" aqui nesse blógue. Sentimentalismo barato, lágrimas e mensagens suicidas. Ou seja, nada que não seja muito mais bem feito nas novelas da Grobo. Então, não percam tempo aqui: liguem a TV e divirtam-se, porque aqui a coisa é bem mais séria (e chata) e eu não sei por quanto tempo vou continuar não sendo eu. Ou sendo completamente eu. Ah, dane-se, vocês três entenderam.
--x--
Isso não significa que eu não possa exercitar meu humor negro por aqui. Talvez eu requente textos antigos. Talvez eu escreva mesmo os tais contos pornográficos. Talvez eu me embriague por dias e dias. Talvez eu arrume um marido velho e rico. Talvez eu mate alguém. Prometo contar tudo isso em detalhes, se for o caso.

- Meu bem, você pode pegar algo para eu beber?
- O que você prefere? Cerveja...? Refrigerante...?
- Sangue. Mas tem que ser O negativo.
- ...
- Eu tô brincando...
- Ufa!
- ... pode ser de qualquer tipo.

Conversa real extraída de uma mesa de bar na tarde de ontem. Ahn... não, eu não consegui o sangue que queria.

11.8.02

"But I let the dream go
And the promises broke
And the make-believe ran out"


Quando eu conseguir parar de ouvir A letter to Elise (e as alucinações desaparecerem), eu acho que volto. Amanhã.

Saldo
- Várias cervejas
- Duas confissões
- Uma frase ambígua
- Um arrependimento pra vida toda
- Um tropeção na cachorra aleijada
- Um pé torcido
- Uma orelha rasgada

Eu nunca mais resolvo parar de beber e decido sair pra comemorar, ok? Isso é uma promessa.

Meu horóscopo de hoje mandou que eu fizesse uma retrospectiva da minha vida. Então tá. Já separei um caderno de 200 folhas e umas quatro Bic pro trabalho todo. Se não for muito assustador, eu posto tudo aqui.
...
Tá bom, tá bom, não vou postar nada.

10.8.02

Não que eu tenha algo a dizer, mas se eu tivesse, eu gostaria de ser ouvida.
--x--
Bleh, esqueça. Se eu entrar em crise existencial de novo, passo a publicar contos pornográficos de quinta categoria.
--x--
Tá bom, tá bom. Já larguei a gilete. Já saí da banheira de louça branca. O que mais eu tenho que fazer agora? Dormir.

E eu tô querendo postar a letra de uma musga aqui, mas sei que isso não fica bem para uma pessoa na minha posição (hahaha). Então, procurem aí a letra de "O mundo é um moinho", do Cartola. Ou então cliquem aqui.

Fuçando nos armários da minha mãe, encontrei uma vela perfumada com a frase "sendo bom para ambas as partes" assinada pelo Celso Russomano. Ótimo slogan de campanha, o dele. Para quem não sabe, o dito cujo foi candidato à prefeitura de Santo André e felizmente perdeu. E acabei de lembrar que não é Russomano e sim Russomanno, com dois "enes" por causa da numerologia. Oh céus, esse mundo está perdido. Vou ali acender a tal vela e já volto.

Desabafo
Se eu quero me preocupar com você é porque eu te amo. Se eu aceito ser apedrejada vez ou outra não é por falta de amor-próprio e sim porque sua importância é maior que o meu maldito orgulho. E se isso te incomoda, eu sinto muito. Não tem nada de obsessivo nisso, é só a minha forma de dar valor às pessoas. Agora vê se me deixa gostar de você em paz, tá bem?

Me sacanearam, só isso. Deixaram essa residência sem energia elétrica pelas últimas doze horas. E o pior é que dessa vez não foi por falta de pagamento. Nunca mais ofereço bolo de chocolate para o funcionário da Eletropaulo, aquele corno.

Não, eu não morri.

Oi.

8.8.02

A minha árvore genealógica é, na verdade, um musgo genealógico. Sim, porque como se chamam as plantas que crescem na horizontal? A explicação é bem simples: meu pai é uma pessoa que aos 59 anos continua tentando "acertar" no casamento e a cada tentativa (já está na quarta) deixa um bando de filhos, uma casa e uma pensão para a ex-mulher. Ou seja, esqueçam a idéia de uma herança consistente, um vasto patrimônio ou algo assim. Está tudo espalhado por aí.

Para piorar as coisas, a última mulher dele (última no sentido de "mais recente". Duvido que ele pare por aí) já tinha quatro filhos do primeiro casamento. Quando todos se reúnem (eu, os quatro de lá, meu irmão daqui, a irmãzinha nenê), pode alugar um ônibus. Carros normais não comportam sete filhos mais casal mais ex-mulheres mais ex-maridos com conforto.

Isso tudo aí em cima foi só para explicar porque eu não posso ser crucificada por ser tão má com meus irmãos. Não dá, porra. Uma pessoa como eu mal consegue se concentrar em gostar de uma pessoa de cada vez. Imagine gostar de uma família gigantesca, com "filiais" em diversos estados do país? Famílias têm pai, mãe e dois ou três filhos, geralmente. Isso aqui é praticamente uma invasão.

Chamada a cobrar. Para aceitá-la, continue na linha após a identificação. Prururúúúú.
- Alô.
- Ju, é o Eduardo.
- Eduardo...?
- É, o seu irmão.
- Irmão... ehr... processando a informação... ah, o Eduardo! Oi, Du, comé que tá?
- Tudo bem. Olha só, eu liguei pra perguntar sua data de nascimento e número de RG. Tô fazendo uma ficha de emprego e eles querem saber até a cor da minha cueca.
- Tá, você ligou a cobrar no meu telefone pra isso? Mas o que eu tenho a ver com a sua cueca? Anota aí os dados...
- Valeu, Ju. Ah, ontem eu liguei pro pai e cê acredita que ele não sabia a sua data de nascimento?
- Acredito. Qual a novidade? Quando ele me liga, a cada seis meses, sempre pergunta se eu vou fazer 27 ou 28 anos.
- Imagino. Ele perguntou se eu tinha feito 38, pode? (obs: meu irmão acabou de completar 33 anos)
- Então tá. Aparece aí.
- Falou, Ju, té mais.

Esse foi o meu diálogo com meu irmão. Ele é aquele que me botou pra dentro do camarim do Mike Patton. Eu até poderia ser grata, caso ele não tivesse me arrastado, anos depois, para um show dos Travessos. Sim, é verdade. Eu fui a um show dos Travessos. Eu cochilei durante o show, mas o fato é que eu fui. Por culpa dele. E eu passei a data de nascimento errada, hoje. (HAHAHA)

Sobre a nuvem negra
A nuvem negra que fica constantemente sobre a minha cabeça já é conhecida de todos que me cercam. Murphy explica. Se algo pode dar errado, dará. Eu já me acostumei e posso até prever as situações mais propícias: ficar doente em véspera de viagens, o carro quebrar justamente no dia que eu tô atrasada para uma entrevista de emprego, lavar vinte e cinco copos e quebrar justamente aquele de cristal, que era do jogo da tataravó da minha bisavó e coisas assim.

Ultimamente os Correios têm me ajudado na tarefa de alimentar Murphy. Primeiro foi a encomenda que eu mandei pro meu melhor amigo. Enquanto todas as malditas cartas chegam para seus destinatários depois de um dia, no máximo dois, a minha carta demorou seis malditos dias para chegar. Não contente com isso, a mocinha dos Correios deve ter feito alguma cagada na hora de enviar e a encomenda está largada em alguma agência postal, esperando que o dono vá buscá-la. Eu mereço. Não duvidaria que tivesse sido extraviada.

Mas não é só isso: tem também o lance do tal gravador de CDs. Pesquisei por meses nos sites de leilão pra comprar aqueles produtos mais baratos (e novos). Achei um bem razoável. Preço bom, vendedor recomendado, tempo de entrega pequeno... Li de cabo a rabo as 196 avaliações. Todas positivas. Fiz o depósito na conta da figura e... lá vem Murphy. O meu depósito simplesmente sumiu da conta da mulher.

Depois de quase chorar no telefone, achamos o tal depósito e ela prometeu enviar o produto. Dois malditos dias depois do combinado. Como o prazo para os Correios entregarem aqui é de 2 a 4 dias, suponho que eu vá receber dentro de uns 15 dias, contando com minha sorte. Isso se eu receber o produto certo, né? Porque pode muito bem chegar um walk-talk pré-histórico em vez de um gravador de CDs.

7.8.02

O peixe
Se há uma coisa que eu abomino nesse mundo, essa coisa tem um nome: peixe. Não adianta. Pode ser frito, assado, cozido, o diabo da comida me enoja demais. O peixe em si não tem nada de mais. O problema é o cheiro que o acompanha. Cheiro de feira livre, cheiro de coisa estragada, sei lá. Se eu conseguisse comer com um prendedor de roupas no nariz, estaria tudo bem. Afinal de contas, peixe não tem gosto de nada.

Cansei de passar a sexta-feira santa caçando batatas no meio do bacalhau. Enjoei de comer a "casquinha" da pescada empanada. Agora eu me recuso: na minha casa, peixe não entra. E tenho dito. Pra piorar as coisas, quando o maldito peixe vem inteiro, ele fica com aqueles olhos parados, me acusando de assassinato, sabe? Um horror. Vê lá se eu tenho esse tipo de problema quando como uma boa picanha...

E hoje minha mãe apareceu com um peixe aqui em casa. Não perguntem o nome: eu me recusei até a olhar pra ele enquanto estava cru. Depois que foi assado, até me arrisquei a comer. E então eu estava ali na mesa, criando coragem para cortar o bichão quando vi uma linha amarela costurando a barriga do peixe. Ah não, pô. Presta atenção. Além de matar o peixe e espalhar aquele odor agradabilíssimo pela casa, ainda costuram o pobre coitado? É muita sacanagem junta. Eu não gosto deles, mas precisa dessa crueldade?

Eu olhava com ressentimento para o peixe. Ele olhava com ódio para mim. É sério. Ele me olhava da assadeira. Fixamente. Nem piscava. Fechei os olhos, enfiei a colher com força na barriga do peixe, coloquei no prato e dei a primeira garfada. Eu suava frio. Ele suava quente. Sem mastigar ou respirar, tratei de engolir aquele troço e foi então que eu engasguei. Sim, eu engasguei com a linha amarela. O peixe, o maldito peixe, tentou me assassinar a sangue frio. Vingança. Nessa casa, peixe não entra. E agora é pra valer.

E hoje não tem simpatia que melhore o meu dia, beleza? O tratamento da Fran encerrou sem resultados. Fim.

Coisas que me deixam apavorada
- Pessoas palitando os dentes
- Homens complicados (ok, pleonasmos são permitidos)
- Pessoas que falam como o Cebolinha
- A Xuxa
- E-mails de pessoas que não dão notícias há séculos
- A Ivete Sangalo
- O atendimento telefônico do UOL
- A Ivete Sangalo abraçando a Xuxa
- Conversas sobre o meu futuro
- Conversas sobre o meu passado

6.8.02

Ganhar um gravador de CDs tem suas desvantagens. Mal encomendei e a louca que vai pagar o presente já me passou a listinha de músicas. Primeira "banda"? INXS. Deve ter sido praga da Van.

Não fosse minha paciência quase inesgotável, eu teria terminado aquele telefonema bem mais cedo. Afinal de contas, depois de perguntar oito vezes se eu não estava interessada nas tais piteiras do Ratinho, onde a mulher esperava que eu mandasse enfiá-las? O rabo me pareceu a melhor opção.

Confissão e utilidade pública
Eu, que sou politicamente incorreta, já estou com as músicas novas do Coldplay aqui. O lançamento do CD é em 26 de agosto (e sabe-se lá quando chega no Brasil), mas as músicas já estão espalhadas por aí. Devo dizer que me decepcionei um pouco.

Esperava mais, em vista do que foi o Parachutes (valeu, Van, por me apresentar algumas das melhores músicas de todos os tempos). Mas algumas músicas são muito boas, como Amsterdam e A Rush of Blood to the Head. E as outras são bem razoáveis, só não é o Parachutes.

Quem quiser ouvir as músicas, mas tiver preguiça de procurar no Kazaa, é só se cadastrar nesse site e ouvir uma música nova por dia. Vai lá, o que cê tá esperando?

Eu - Pa, como é o nome daquele bichinho virtual que era vendido por "cinco reau" na 25 de março?
Pa - Macintosh?
Eu - Não, Pa. Esse é o computador.
Pa - Então é Tamagotchi. Eu sempre confundo os dois.
Eu - ...
Pa - Ah, eles são bem parecidos, vai.
Eu - Toma seu remedinho, toma...

Eu contei essa história aqui em casa outro dia e exigiram que eu postasse. Então tá. Não que eu ache engraçado. Penso que é trágico. E vergonhoso. E terrível. E acaba sendo engraçado, então.

Mamãe, além de frequentar bingos e festas de políticos, vai a bailes da terceira idade vez ou outra. Toda moderninha, faz um puta sucesso com suas saias curtinhas e seu (péssimo) gosto musical. Os velhotes ficam babando. Mas ela vai com o objetivo de encontrar o "homem da sua vida" e invariavelmente volta frustrada.

Dia desses ela chegou meio revoltada em casa, lá pelas sete da noite (sim, porque os bailes da terceira idade são a prova concreta de que na velhice nós voltamos à infância. Só matinês, porque pode ser perigoso aquele bando de senhoras desprotegidas andando pelas ruas durante a noite), bufando e reclamando da sua má sorte. Perguntei o que tinha acontecido e ela contou.

Estava mamãe sentadinha no fundo do salão quando sua amiga sugeriu que fossem embora do tal baile. Mamãe já ia pegando sua bolsa quando viu um quarentão de branco entrando no salão. Calça, camisa e sapatos brancos. "Olha, Bel, vamos ficar mais um pouco... deve ser médico...". A Bel concordou e não demorou muito para que o homem se aproximasse das "gatinhas" do baile.

A Bel foi primeiro, dançou com o homem e voltou com cara de quem tinha tomado um choque. Quando mamãe foi, descobriu o motivo: medicina é o escambau. O homem era pai de santo. Ainda tentei animar aquela senhora desconsolada ao chegar em casa, mas não teve jeito. E quando eu disse que poderia ser pior, que o homem poderia ser bicheiro, não entendi porque voou aquela panela de pressão na minha cabeça. E eu nem contei sobre o homem cinza, mas fica pra próxima.

5.8.02

O balé - Parte II
Não contente em dançar com um garoto de nome McCloud, eu tive que participar também do mico coletivo. Todas as aluninhas na faixa dos oito anos vestindo roupinha xadrez e uma calcinha com um coração na bunda. O nome do show era "Passeio no campo". Em cerca de um minuto se transformou em "Pesadelo no campo".

E dessa vez a culpa nem foi minha. Tinha a Aline, a menina mais paparicada do grupo, a princesinha. E tinha mais umas vinte garotas que vinham logo depois dela, em fila indiana, de mãos dadas. Só que a Aline tropeçou assim que entrou no palco. No tombo, arrastou todas nós para o chão. Em vez de conservar a calma, a menina teve um ataque de choro e saiu correndo do palco, deixando a bomba na mão de quem? De quem? Na minha, claro, que era a seguinte da fila.

A cesta de piquenique que ela carregava em uma das mãos caiu e o resultado foi uma invasão de maçãs alucinadas espalhadas pelo palco, o que causou mais tombos durante a dança toda e me fez gargalhar desbragadamente por uns cinco minutos, enquanto a professora gesticulava desesperada, pedindo que eu continuasse o serviço sujo.

Talvez tenha sido por isso que a professora procurou minha mãe, uns dias depois, para dizer que eu deveria me matricular em alguma aula mais produtiva. O balé não era para mim (nem para a Aline) e talvez o boxe fosse o caminho. Até hoje eu não me recuperei do trauma.

O balé - Parte I
Já falei sobre o McCloud? McCloud era um garotinho que fazia balé clássico junto comigo. A situação já era estranha porque eu, a descoordenada, me arrisquei a fazer balé por longos três anos. Mas ficou ainda mais complicada quando entrou para a minha turma o tal McCloud. O garoto era importado de Rondônia. No início, achei que o nome e a dança eram um castigo dos pais por alguma arte que o menino tinha feito. Depois descobri que o nome era artístico (o verdadeiro era Rodney) e a dança era a grande paixão do garoto de dez anos de idade.

Até aí tudo bem. O problema foi quando, na apresentação de fim de ano, me escolheram para fazer par com o McCloud em uma das danças principais. A música? Purple Rain, do Prince. A coisa toda era tão brega que eu não me arrisco a contar em detalhes aqui. Basta que vocês saibam que eu vestia um tutu(*) branco e um saiote de tule, além das inevitáveis sapatilhas de ponta. Deus do céu, com 537 japonesinhas elásticas no grupo, eles foram escolher justo a mais desastrada das criaturas para dançar com o McCloud...

Mas até que fui bem, sabe? Não caí nenhuma vez, não pisei no pé do McCloud nenhuma vez e não caí na gargalhada diante daquele cenário ridículo (que parecia uma ilha deserta... tinha coqueiros e tal. Imagino o que diabos duas pessoas fariam dançando balé em uma ilha deserta). Terminei a dança sem uma das sapatilhas e sem dignidade nenhuma. Pagar mico no Teatro Municipal não é exatamente a minha idéia de diversão.

(*) Tutu é o nome daquele maiôzinho que as bailarinas vestem.

E da próxima vez que eu perder o sono (como hoje) por algum motivo idiota, prometo não ficar rolando na cama por horas e horas. Vou contar os objetos da casa, que ganho mais. Humor zero, aqui.

Ah sim. Sobre a Achiropita, não tenho muito a dizer. Só que foi bom demais. Leiam os relatos aqui e aqui. Obrigada pela companhia, crianças.

Ahn... será que alguém em plena posse de suas faculdades mentais acredita que um candidato à presidência que mereça o seu voto? Eu, sinceramente, não sei em quem votar. Só sei em quem não votar.

4.8.02

Ontem teve a tal de Achiropita. Depois eu falo sobre isso. Agora preciso dizer outras coisas que estão entaladas (ui), mas não por aqui. Vou ali, já volto.

3.8.02

A propósito, essa reuniãozinha aqui em casa não teve fins sexuais (a despeito dos apelos do Nishi). Foi apenas uma forma de receber o espírito de Vó Tiaga, a entidade que nos acompanha há tempos. Depois da cerimônia do batismo de Ponessa Tiaga, tivemos a honra de presenciar o espírito macacal incorporando na mesma.

Uma Ponessa imitando um macaco pela casa, cena praticamente indescritível, mas eu vou tentar. Imaginem uma criatura vestindo uma camiseta azul-bebê de mangas compridas. Era a parte superior de um pijama, claro. E imaginem essa mesma criatura pulando da cadeira com uma das mãos sobre a cabeça, andando com as pernas abertas e gingando de um lado para o outro. Aquela figura longilínea espraiando os seus membros por todos os recônditos daquela sórdida cozinha que, embora sórdida, nunca imaginara uma cena assim. Essa era Ponessa Tiaga, depois de meio copo de vinho.

Impressionante, minha gente, impressionante... os seus olhos esbugalhados percorriam todos os cantos daquele cômodo, causando pavor e temor nas pessoas em volta... seu corpo se remexia como se estivesse dançando um mambo inclinada pra frente, enquanto as pernas se moviam como as de um jogador de futebol tentado cobrar um lateral na grande área. E os braços estapeavam quem estivesse por perto, dando a exata noção do tipo de espírito que se apossara daquele corpo.*

*Colaboração: Nishi

E eu tenho que dizer que o tal vinho barato era vinho barato mesmo. E vinha em uma garrafinha de plástico como as de suco de laranja. Não queiram saber a procedência.

Vida de cão
Quando as pessoas falam "mundo-cão" referindo-se às agruras da vida, eu sempre fico um pouco revoltada. A vida dos cães - ao menos os meus - não é tão dura assim. Eles comem, bebem, reproduzem-se, brincam, recebem carinho e cuidados e são, no geral, mais felizes do que eu.

A família canina aqui de casa é grande: temos a Maria José, a Frances Beam, a Juna e o Elton. O Elton é um vira-latas filhodaputa que apareceu aqui em casa há oito anos e foi alimentado com duas coxas de frango e duas colheres de arroz velho. Pelo visto gostou do cardápio e decidiu ficar. Hoje o Elton é mais independente: vive pelas ruas do bairro e só aparece aqui de sexta-feira ou quando chove.

Ontem era sexta-feira. E chovia. Era dia do Elton aparecer. E eu com visitas em casa. Botei o Elton na garagem e fui cuidar da pizza, do vinho barato e das visitas. Lá pelo meio da noite, lembrei que meu carro estava na rua e decidi dar uma espiada. Desci as escadas e... "cain". Era o Elton, aquela massa disforme, o cão torto e capenga.

E então ele me mordeu. E eu tentei pular o cão. Consegui cair de joelho no chão, embolada com o Elton e enfiei a cabeça no portão de alumínio. O acidente teve conseqüências graves: além do meu joelho ralado, o Elton passou a mancar da perna direita e o portão tem um afundado. Mas ao menos eu me livrei do flagrante. As visitas (Nishi e Van) não viram nada disso, só ouviram os ruídos.

Agora entendo os problemas de ser cão em um mundo cruel como esse.

2.8.02

Sem posts por hoje. Sem tempo e sem vontade. Depois respondo os comments, acho...

Desculpe, ok?

1.8.02

Sejam bonzinhos com a tia Ju e deixem comments dizendo que me adoram e me amam e não vivem sem mim hoje, ok? O remédio começou a fazer efeito e eu já quebrei dois copos, hoje. Só não lembro na cabeça de quem. Não me contrariem.
...
Tá bom, eu compreendo. Não precisam dizer nada.

Eu nunca dei uma ordem expressa aqui. Mas agora vai. Ouçam Angel (Massive Attack) imediatamente.

Eu - Se eu disser que estou ouvindo Johnny Rivers você vai me crucificar?
Ele - Não, crucificar não. Só não conte para ninguém.
Eu - Ok.

10 motivos pelos quais minha vida não é perfeita
1) Eu fui jogada no vento duas vezes só esse ano. E pior, pela mesma pessoa.
2) Eu perdi o mesmo emprego duas vezes só esse ano.
3) Minha mãe olha para mim todos os dias com aquela cara de “céus, o que será que fizeram com o bebê?”.
4) Eu tenho quatro outros blogs além desse. E tenho tempo para escrever em todos, o que é pior.
5) Eu virei especialista em lavagem de copos e fritura de bifes.
6) Meus amigos sempre concordam comigo. "Melhor não contrariar".
7) O gerente do banco sabe minha data de nascimento sem olhar no cadastro.
8) Nem as minhas cachorras me obedecem mais.
9) Meu celular só toca com o aviso de cobrança da BCP.
10) Eu não tenho uma máquina de coca-cola e um fliperama no corredor. Merda.