30.9.02

Podia rolar uma ameaçazinha de leve aqui em SP e fechar os bancos por uns três dias, que nem no Rio, não? Tá bom, tá bom... eu vou trabalhar amanhã.

E por falar em três leitores, aproveito para registrar uma queixa. Cadê os "comentadores" do meu blog? Sem comments não tem blog, belê? Greve. Afinal de contas, eu dependo de vocês. Há muito tempo isso aqui deixou de ser um diário e se tornou uma lista de discussão, caramba. Vamos, escrevam. Contem seus sonhos. Dividam suas experiências. O espaço é de vocês três.

Uma das criaturas mais engraçadas que eu conheci foi o Marcos. O sujeito fez o curso pré-banco comigo e foi o responsável por algumas das gargalhadas mais escandalosas que soltei durante as 567 palestras. Por isso, me sinto na obrigação de dividir com meus três leitores um trechinho de um e-mail que ele me enviou hoje, com a melhor definição de gerente geral que eu já vi:

"Não dá pra entender o que um gerente geral faz na agência. Ele é uma espécie de Rainha da Inglaterra engravatado, que só serve para assinar papéis e dizer "não, máquinas de xerox não são brinquedo". Não que meu gerente seja inútil, mas se o substituíssem por um cone, daqueles amarelos e pretos do CET, daria na mesma."

29.9.02

Sim, o alinhamento das fotos está parecendo um caminho de rato. Dane-se, tô sem saco pra consertar. Preguiça mortal. Vou ali ver se há alguma lata de cerveja *da mais barata* no boteco da esquina e já volto.

Eis aqui a minha família:

Essa é a Maria José. Vocês podem notar que ela, assim como sua dona, não é lá muito simpática. Seu ar contrariado ao ser clicada demonstra que a bichinha acordou num mau humor do cão. Literalmente.






Essa é a Frances Beam. A foto é "de rosto" porque o corpinho dela não anda em condições muito boas. Aproveitem para observar o picote na orelha, resultado de uma mordida. Uma mordida dela mesma, é bom que se diga.




Essa é a Juna. O cão mais velho da casa, com dezessete anos. Parece um Gremlin e costuma morder qualquer coisa que não consiga identificar. Como ela é cega, isso significa tudo, de pés de mesa a mangueiras, passando por mim.

Meu maldito imediatismo é impressionante. Decidi ontem que precisava de uma webcam. E não sosseguei enquanto não comprei aquela coisinha minúscula e caríssima. E, claro, passei a noite toda brincando de fotografar coisas estranhas como o meu pé e a minha mesa. Não publicarei fotos minhas aqui (acho), porque não pretendo afastar os três ou quatro leitores que ainda perdem tempo passando por esse blog. De mais a mais, show de horrores costuma ser pago e ninguém me ofereceu um centavo por isso...

Mas como prêmio de consolação, vou colocar o resultado de algumas horas de brincadeiras com a câmera e aproveitar para apresentar as minhas famosas cãs: Frances Beam, Maria José e Juna. Faltou o Elton, mas o filho da puta decidiu provar sua virilidade com a cachorra da vizinha exatamente quando eu saí para fotografá-lo. Como esse é um blog familiar e de respeito, não publicarei as fotos da cópula.

27.9.02

Ah, eu quase ia esquecendo. Eu e o Mava tiramos vááárias fotos estranhas nos últimos dias. Fui autorizada por ele e talvez publique as tais fotos aqui. Veremos se elas estão decentes. Por decentes, entendam vestidos e em posições não muito comprometedoras. As outras são do acervo particular e só serão exibidas após o pagamento de uma tarifa que eu ainda não decidi o valor. Quem quiser fotos gratuitas de sacanagem, procure no Google pela tal festa da GV. Não, eu não estava lá, mas fiquei sabendo que o negócio foi bom. Alguém estava na tal festa e pode contar pra gente? Gradicida.

Meus pés são pequenos pedaços esfarelados de paçoca rolha, sabe? Aceito ofertas de massagem ou amputação. Os interessados devem escrever para mim dizendo quais são as suas condições para prestar tais serviços.

Porta giratória - A saga continua
E dia desses um cliente chegou lá na agência para falar com o rapaz dos seguros, o André, e não conseguiu entrar. Tirou chaves, moedas, celular, cinto e nada. Descobrimos que o problema estava sob a roupa do sujeito e a única forma do cara entrar seria tirando um casaco cheio de botões gordos de metal. O cara se recusou. Subi e chamei o André, já que o cliente era dele. O problema não foi tê-lo chamado e sim a minha explicação para o caso:

Eu - André, desce lá que seu cliente tá com um objeto de metal enfiado no rabo e precisa da sua ajuda.
Ele - Pra tirar o objeto?


Depois de quase uma semana, os outros funcionários ainda perguntam para o André se foi bom para ele. E se eles usaram KY. Ô mente podre...

Porta giratória
Várias pessoas têm entrado aqui procurando por "porta giratória" no Google. Não, aqui não há controle de acesso. Vocês podem entrar portando objetos de metal sem nenhum problema. Sim, eu também odeio a tal porta por vários motivos. O principal deles é que eu venho sendo ameaçada de morte pelos clientes emputecidos com a "insensibilidade" da tal porta, que não sabe que eles são pessoas honestas.

Hoje uma mocinha teve um chilique na porta do banco. Gritou, esperneou, arrancou a blusa, jogou no chão, gritou mais, esperneou mais e não adiantou nada. Quem funciona no grito sou só eu. A porta, não. No fim do show dela, minha vontade era perguntar se ela costumava fazer aquilo profissionalmente. A habilidade com que ela tirou a blusa foi uma coisa impressionante. Os guardinhas ficaram todos babando diante da cena e até o gerente se preparou para aplaudir.

Se serve de consolo, eu já tive que tirar até um cinto para poder entrar na minha própria agência, simplesmente porque tinha rolado uma troca de turnos dos guardinhas e os novos não me conheciam. Conformem-se com isso ou deixem suas malditas bolsas cheias de porcarias de metal em casa e não me encham o saco, plis. Tolerância menos quatro, hoje.

26.9.02

A minha mais nova diversão é ficar andando em círculos no saguão de auto-atendimento. Giro, giro, giro, até cair. As metas são altas: pretendo chegar a vinte e oito voltas completas antes de desabar.

Hoje consegui treze, mas uma velhota me atrapalhou passando atrás de mim justamente quando eu começava a entrar em transe. Hipnose, sabe? Eu me auto-hipnotizei com aqueles rodopios.

Ontem fui atrapalhada pelo gerente. O cara resolveu chegar ali quando eu completava a 11ª volta completa. Fiquei nervosa, peguei o documento que ele queria me entregar e enfiei a testa na porta de vidro.

Com mais alguns meses de tentativas, acho que consigo atingir minha meta sem destruir todas as mesas e portas do saguão e sem ferir gravemente nenhum cliente. Quanto à minha própria integridade física, essa já está comprometida desde que eu rasguei a bunda (isso é sério) brincando de escorregador no capô de um fusca.

Eu - Tô morrendo de fome. Vamos jantar?
Ele - Ah, eu... eu não tô com fome...
Eu - Vamos lá, pô. Eu tô desmaiando, ainda não comi nada hoje.
Ele - Hum... ehr... ahn... então tá. Eu vou te fazer companhia, ok?

Cinco bifes depois...

Eu - Ué. Acabou a comida?
Ele - É, eu te acompanhei...
Eu - Você é um ótimo acompanhante. Vai passar mal do tanto que comeu. Imagino se estivesse com fome.
Ele - E aquele chocolatinho? Rola?
Eu - ... !!!! ...

Cuidado, pessoas. Não convidem o Mavinha para o almoço. Pode ser perigoso.

Sessão piegas-tiro-no-saco-chute-no-rabo-incompreensível de hoje
Ô pedaço. Você faz falta, viu?

Então tá. Vamos fingir que está tudo bem e tocar o barco. Tem que sorrir?

23.9.02

Osso do ofício
Estava eu no Auto Atendimento, hoje, quando uma senhora se aproximou das máquinas para sacar seus trocados. Olhou, olhou, olhou... De repente fez uma careta estranha e soltou um espirro daqueles que destroem cinco quarteirões de uma vez só. O alvo, claro, foi a pobre máquina 2, a única que realiza todos os tipos de operação.

Depois do espirro, a madame olhou para trás e me chamou:

Ela - Mocinha, por favor.
Eu - Pois não, senhora?
Ela - Eu quero sacar 100 reais, já digitei o valor e tudo, mas aparece 190.


Olhei para a tela e entendi o que estava acontecendo...

Eu - Pode confirmar, senhora. Ali está escrito 100 reais mesmo.
Ela - Não é. É 190.
Eu - É 100.
Ela - É 190!
Eu - É 100!
Ela - É 190. Olha lá a perninha do 9...
Eu - Senhora, aquilo é uma meleca.


Tá bom, tá bom. Eu sei que prometi não apelar para a escatologia aqui, mas enquanto este blog estiver em operação tartaruga, postarei todas as histórias escatológicas a que tiver direito. De mais a mais, a meleca era da própria mulher. Se fosse uma meleca desconhecida, aí sim, seria nojento. Era uma meleca com identidade.

21.9.02

Ehr... Será que alguém vai reparar se eu sumir por uns dias?

Lembram do Mava? Pois é, ele voltou. Aparentemente, o cara não consegue mais viver sem mim. Veio com bagagem para passar uns seis meses e sua primeira pergunta foi "O que tem para comer?". Das duas, uma: ou essa casa tem jeito de restaurante ou existe algum sentido oculto naquela pergunta. Veremos.

Já contei da minha travada na cadeira abdutora da academia? Pois é, eu travei. Estava lá empurrando quilos e quilos com as pernas, quando ouvi um "crec" e percebi que o som saía das minhas costas. Parei de empurrar os pesos e tentei sair da cadeira. Nada. Eu não conseguia mover pernas, braços, pescoço, olhos, nada.

Depois de dez minutos de tentativas frustradas, o Urso viu o meu suplício e me tirou daquela posição ginecológica. E então eu fui colocada de quatro em um dos bancos da academia, onde fiquei exposta à visitação pública até que meu corpo voltasse à mobilidade natural.

Eu sempre digo que exercícios físicos são perigosos. Consulte um médico antes de realizá-los.

18.9.02

Hoje eu desci a escadaria da agência de bunda. E chutei o gerente que estava lá embaixo. Formidável.

Dia desses, minha mãe chegou em casa com uma cara estranha. Quer dizer, a cara estranha faz parte dela (assim como de todos os outros integrantes da família, inclusive eu), mas ela estava ainda mais estranha. Perguntei o que tinha acontecido e ela contou que estava chocada com uma notícia que havia recebido. A mãe de uma amiga dela tentou se suicidar.

Isso não seria nada de mais, caso a velhota não tivesse oitenta e quatro anos e não fosse cardíaca e diabética. Ou seja, ela já estava na hora extra há tempos e caso esperasse mais um tempinho, conseguiria uma tranquila e sadia morte natural. Mas o pior ainda estava por vir. Não contente com sua decisão de acabar com a própria vida, a doce senhora escolheu uma forma um tanto inusitada para tentar atingir seus objetivos: ela se jogou de uma janela do térreo.

O resultado foi bem prevísivel: quebrou a bacia, um dos pés e um braço. Foi para o hospital e passou alguns dias internada, em observação. Mas a velhinha era determinada: em um momento "Paulo Coelho", com a força do pensamento, conseguiu pegar uma infecção hospitalar daquelas e passou mais de três meses entrando e saindo da UTI. Por fim, suas preces (as dela e as dos parentes, que não aguentavam mais tamanho transtorno) foram atendidas e a velhota morreu de falência múltipla dos órgãos.

A família pranteou a defunta sem muito estardalhaço e com um visível alívio. A única que sofreu de verdade pela morte da bezerra (no caso, a velhota) foi a irmã da falecida. Com medo de possíveis tendências suicidas por parte da outra senhora, os filhos decidiram colocar grades nas janelas no dia seguinte ao enterro. Mas sempre restam as armas brancas e os remédios faixa preta. Aguardemos, então.

17.9.02

E para amanhã, prometo a história da velhinha suicida. Agora vou, quer dizer, fui tomar uma dose de cianureto.

E só para não passar em branco, é lóóóógico que eu tinha que aprontar alguma. Tentei passar no detector de metais da tal porta giratória com um grampeador na mão. O resultado é um galo na testa e a observação atenta de todos os guardinhas quando eu resolvo entrar ou sair da agência.

Primeiro dia de serviço mesmo (tudo aquilo que não é um curso divertido, cheio de pessoas legais, bla bla bla), superprodução às oito da manhã, café da manhã reforçado, medo de ter um piriri, etc. Semanas antes, mamãe havia me dito que eu trabalharia com alguém que tinha estudado comigo. Não dei muita atenção, só registrei o fato em algum remoto buraco negro dentro da minha cabeça. Voltando do serviço, topei com mamãe parada à porta.

Ela - E aí, e aí?
Eu - Ahn?
Ela - Como foi?
Eu - Ah, legal. Me colocaram como saco de pancadas ao lado da porta giratória.
Ela - Encontrou a Fernanda?
Eu - Quem?
Ela - Fernanda, sua amiguinha.
Eu - Ah, eu vi uma Fernanda lá.
Ela - E aí, vocês conversaram? Ela lembrou de você?
Eu - Conversamos. Ela também é da ala dos fumantes.
Ela - Noooossa... a Isilda nunca me contou.
Eu - É bem provável que ela não saiba que a filha fuma. E não é você que vai contar, certo?
Ela - Não, não... mas e aí, você lembrou dela?
Eu - Não, mãe. E nem ela de mim. Na verdade, eu não lembro de muitas coisas de quando estava no Maternal II, com três anos de idade.
Ela - Mas vocês conversaram? Ficaram amigas?
Eu - ...

Tudo bem, tudo bem. Eu até aceito ter câimbra na boca de tanto sorrir (com muita falsidade) para clientes, mas não me peça para fazer o mesmo com colegas de serviço. Da última vez que eu tentei "fazer amigos" no ambiente de trabalho, acabou virando um processo por danos morais. Eu, hein.

15.9.02

E por falar em TV...
Eu nunca joguei velhinhas da escada. Eu nunca roubei pirulito de criança. Eu nunca passei rasteira em garçom. Então, alguém sabe me explicar qual o motivo de eu ter que pagar penitência assistindo Gugu durante a tarde?

A polenta
Um desejo estranho me fez acordar hoje com disposição para os trabalhos domésticos. Como lavar roupas e louças nunca foi o meu forte, decidi enfrentar o fogão e todos os seus mistérios. Comprei os ingredientes e comecei a preparar um frango com polenta.

O primeiro pedaço de frango estava vivo, acho, e se rebelou contra mim logo que eu o joguei na panela: um pedaço de tomate refogado e um balde de óleo quente voaram no meu nariz. Lavei o rosto e continuei com minha missão. Sem maiores problemas, terminei de refogar o frango e passei à polenta.

Essa foi um pouco mais complicada. Aquela massaroca pulava como louca na panela e eu, em pânico, não tinha como controlar a situação. Depois de quase meia hora mexendo aquela pasta, concluí o serviço e pude respirar de novo.

O almoço ficou uma delícia e eu comi até passar mal. O problema é que agora não dá para assistir TV na cozinha, já que existe um pedaço de polenta grudado na tela e não há limpa-vidros que consiga tirar o troço de lá.

14.9.02

Dia desses o Nishi comentou na página da Van que sentia saudade das surubas que rolavam nos comments do meu antigo blog. O comentário pode ser lido aqui. Pe-pe-peraí. Eu tenho uma reputação a zelar, pô. Aconteciam alguns comentários surubais por lá, mas era tudo com muito respeito.

Reputação intacta, convido vocês, meus cinco leitores, a participar de mais uma suruba de comments, agora nesse blog. Todos são bem vindos nesse evento que vai entrar para o anais (ops!) do mundo dos blogs. Respeitando algumas regras básicas de convivência, podemos fazer desse post uma experiência divertida. Tomem banho, não vistam cuecas e calcinhas rasgadas e tenham cuidado com objetos pontiagudos. Divirtam-se, ninguém é de ninguém e o último a sair, apague a luz.

Meu reino (ou todas as minhas economias - cerca de quarenta centavos) por uma latinha de coca-cola. Crise de abstinência.

As pessoas me enxergam como confidente, mesmo que eu não as conheça. Isso é meio assustador e provoca situações bem estranhas. Dia desses eu estava na fila da Casa do Pão de Queijo e um senhor à minha frente começou a conversar.

Ele - Dia bonito, não?
Eu - É.
Ele - Eu pensei que fosse esfriar, então trouxe uma blusa, mas acho que não vou precisar disso.
Eu - É.
Ele - A semana passada foi estranha. Um dia quente, um dia frio... na quarta-feira eu peguei um resfriado por causa dessa mudança de tempo.
Eu - ...
Ele - O pior é que eu estou desempregado e tive que gastar um monte de dinheiro com injeções, sabe? E nem melhorei, ainda tô com uma tosse...
Eu - Arrã.
Ele - Eu já te contei como foi que perdi o emprego? O meu chefe tinha uma namorada, sabe? E ela ia sempre lá na firma e ficava conversando comigo. Ele pensou que eu estivesse tendo alguma coisa com ela e me mandou embora.
Eu - Hum...
Ele - Mas fazer o quê, né? A vida é assim mesmo. Hoje eu fui ver uma vaga com um salário bem menor do que o que eu ganhava, mas nem assim... parece que eles queriam uma pessoa mais jovem...
Eu - Ah...


Nesse ponto eu peguei meu pão de queijo e me afastei para comer. Em poucos segundos o mala estava ao meu lado de novo.

Ele - O pão de queijo daqui é bom, né?
Eu - É.
Ele - Pena que é caro. Sabe que minha mãe faz um pão de queijo delicioso? E a receita é bem simples, eu posso escrever para você...
Eu - ...
Ele - Eu conheço a receita porque quando era pequeno, eu a ajudava a fazer. Ela até vendia para as vizinhas, sabe?
Eu - Ahn...
Ele - A minha mulher não gosta de pão de queijo. Ela diz que é muito pesado.
Eu - ...
Ele - Bom, foi um prazer conversar com você. Agora tenho que ir, porque as crianças saem à uma da escola e eu fiquei de buscá-las. Você é muito simpática, viu? Até mais!
Eu - Até.


Simpática, eu? Não, eu não sou simpática. Ele é que era distraído. E o pior de tudo é que agora eu conheço até os dotes culinários da mãe de um sujeito que eu nunca vi mais gordo. Bah.

O retorno
Uma parte do curso acabou ontem. Metade do meu grupo foi embora para suas cidades de origem e eu fiquei com-ple-ta-men-te abandonada ontem. Impressionante como eu, a antipática, consegui manter conversas quase amistosas com o resto do povo. Vou sentir falta.

11.9.02

Alguém aqui já recebeu e-mail do Prof. Mandão? Eu recebi. Abaixo, a reprodução.

PROF. MANDÃO

Oi como vai, sou de Jundiaí-SP e gostaria de saber se você gostaria de se corresponder por emai comigo. Procuro pessoas que gostem realmente de manter contato por emai.

Gostaria de se comunicar?

Legal. Visite minha página e me conheça melhor.
Lá você encontra tudo sobre mim e muita informação e bate papo.

WWW.PROFMANDAO.HPG.COM.BR

"...tudo que você quer, somente você tem o poder de realizar leve sua imaginação ao estremo, crie, invente e seja feliz."
(MINHA AUTORIA)


Nota: Assim que eu descobrir o que é um "emai" e "estremo", escreverei para ele. Quero me corresponder com o Professor Mandão. Deve ser uma "esperiência" e tanto.

Ainda não será hoje que vocês três lerão alguma coisa que preste por aqui. Essa semana estou empenhada na árdua tarefa de passear de metrô com um crachá pendurado e equilibrar pastas lotadas de papéis. E recolhê-los quando caem no chão, ou seja, todos os dias. Mas tem uma vantagem: estou ficando hábil em captura de insetos com bocejos, especialmente durante as 15.683 palestras diárias. E como ler coisas imprestáveis é algo a que vocês estão acostumados, ao menos por aqui, creio que não faz diferença. Orem por mim, quem sabe eu tenho um lampejo de criatividade amanhã?

9.9.02

E eu nem falei sobre a festa de sábado. Leiam o relato aqui. Posso dizer que eu era a pessoa mais normal naquele lugar, o que foi bastante estranho. E ainda não espalharam, mas eu vou confessar logo: eu dancei funk. E a letra do treco era algo como "que tapinha, que nada, no meu homem eu dou porrada". Decadência pouca é bobagem.

Isso pra não falar no meu primeiro mico profissional: apagaram as luzes e passaram um vídeo de boas vindas aos novos funcionários. Eu fiquei emocionada, porra, chorei. Chorei que nem criança que perdeu o sapatinho da Barbie na privada. E exatamente na hora em que eu solucei alto, desligaram o vídeo e acenderam as luzes.

Primeiro dia de curso, palestras, homenagens, a posse. Tudo lindo, tudo maravilhoso. Isso se eu não tivesse chegado atrasada, certo? Pois eu consegui chegar atrasada pela primeira vez em toda minha vida a um compromisso.

Faltavam dez minutos pro maldito curso no fim da Paulista e eu ainda estava na Vila Mariana, tudo parado. Minha mãe (eu a subornei para me levar até o metrô) entrou em pânico, parou um motoboy e deu cinco contos para ele me levar até o metrô Ana Rosa. E eu fui, cagando de medo.

Cheguei ao curso com uns dez minutos de atraso e com um cabelo que era "apenas" um pinheiro. Tinha graxa na minha calça. Eu cheirava a gasolina. Por um triz não me mandaram para a manutenção, achando que eu tinha vindo consertar o elevador que, claro, estava quebrado. Dezessete malditos andares pela escada.

Como diz o Mava, eu ando fazendo sexo selvagem com Murphy.

- Perdi minhas 412 músicas. (HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA)
- Perdi fotos importantíssimas. (HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA)
- Perdi e-mails essenciais. (HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA)
- Perdi todos os meus bookmarks. (HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA)
- Perdi meus últimos quatro anos de vida. (HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA)
- Perdi meus contatos do ICQ. (HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA)

Já ouviram falar da hiena? Pois é. É mais ou menos assim que eu estou me sentindo. Até o Urso me deu folga hoje, escapei de 60 abdominais por conta dessa histeria toda. Eu não tenho mais identidade, sabe? Esse HD acabou com a minha vida.

Ah, não vejo mais ninguém no ICQ. Quem achar que deve falar comigo, mande mensagem. Mas eu já aviso: sou uma hiena.

8.9.02

A porra do meu HD foi pro beleléu. Essas letrinhas saem diretamente de um Compaq de um maldito cybercafé e eu tenho só mais dez míseros minutos. Então é isso. Acho que volto amanhã à noite, se Murphy sair de cima de mim. Divirtam-se com os blogs da coluna da esquerda, ok?

Recados especiais:
Mavinha, já li tudo. Conversamos depois.
Van e Nishi, vocês perderam a festa de sábado.
Paulas, Ranzinzas, Moes e Maridos, vocês são ótimos.

Beijo, crianças, vou voltar ao mundo dos vivos, agora.

7.9.02

Sabe a ventania que teve aqui em SP essa madrugada? Que destelhou casas, derrubou árvores, etc, etc, etc? Pois é, eu tava no meio do quintal esperando passar o efeito da maldita cerveja que a Pa trouxe pra cá. Depois de me agarrar em uma árvore e dar três voltas completas nela, consegui entrar em casa e então lembrei que a cã doente tinha ficado no meio do quintal. Voltei para buscá-la, dei mais três voltas ao redor da árvore, peguei a cachorra e entramos. Agora mesmo eu encontrei um galho da pitangueira escondido nas profundezas do meu cabelo.

E por falar em Goiânia, foi lá também que eu conheci um tal de arroz com piqui. A primeira coisa que me disseram foi "não morda o piqui, porque ele tem espinhos dentro". É claro que eu mordi. E, com lágrimas nos olhos, percebi que minha boca tinha se tornado um borrão vermelho inchado. A Angelina Jolie depois do Vietnã, sabe?

Passei uns três dias sem conseguir fechar a boca e a consequência mais grave dessa experiência (além do inchaço e da dor, claro), foi ver meu pai implorando por uma feijoada. Aqueles beiços imensos deixaram o velho com vontade...

Blergh
A primeira vez que comi tamarindo (a fruta, não aquele patêzinho laxante) na vida foi em Goiânia, em um sítio. Puta merda. Literalmente.

6.9.02

Ai, ai, ai, ai. Vai chegar amanhã e o hoje não passa. Ô dia comprido.

Mas também, o que mais se pode esperar de uma pessoa que vai dormir às duas da manhã, acorda às quatro, volta pro computador, descobre que seu speedy está capenga e depois não consegue mais dormir pensando em como vai sobreviver durante um final de semana inteiro sem net? Era alarme falso, craro. Se eu tivesse lembrado de ligar o modem, nada disso teria acontecido.

Essa semana teve power training lá na academia. O que diabos é power training? Começa com o tal de body combat (quase uma hora disso) e depois passa para uma corrida pela cidade de mais uma hora. Fizeram uma puta pressão para que eu fosse. Eu, a sedentária. Eu, a fumante. Eu, a bêbada. E eu fui.

Meu novo-amigo-da-academia foi também. Chegamos os dois atrasados (isso foi meticulosamente calculado), pegamos só metade do body combat e saímos para a tal corrida. Alguém aí duvidou que eu encontraria um boteco no meio do caminho e ficaria por lá, abastecendo a pança de cerveja? E ainda levei meu novo-amigo-da-academia junto.

Papai do céu,

Por favor, da próxima vez em que eu decidir comprar/ganhar/achar um cachorro, faça com que seja um cachorro que funcione. Três animais com defeito na mesma casa é muita coisa, sabe? Não dá. Eu vivo por conta desses bichos. Qualquer dia desses, eu começo a erguer a perninha pra fazer xixi, entende? A propósito, aquele Biscrok novo de vegetais é uma delícia. Au.

Juliana

5.9.02

Puta merda... olha as coisas que a gente conta para não fechar as portas de um blog...

Há cinco anos, tivemos uma empregada aqui em casa. A menina, uns dois anos mais nova que eu, era filha de uma antiga empregada nossa e a família toda nos conhecia há bastante tempo. Aquelas coisas de funcionários que viram amigos e acabam vindo tomar café na nossa casa, sabe? O nome da garota era Fabiana.

Pois bem, depois de uns seis meses, comecei a notar o sumiço de algumas coisas no meu quarto. Primeiro foram uns CDs. Eu nem me preocupei muito, pois os CDs que sumiram eram daqueles que a gente ganha em amigo secreto de firma, brinde na compra do sabão em pó, essas coisas. Procês terem uma idéia, os primeiros sumiços foram um CD do Araketu e um do Fábio Jr. Pensei que alguma alma caridosa estava tentando me salvar desses lixos.

Algumas semanas depois, sumiu uma blusinha. E depois começaram a sumir calcinhas. Porra, eu nunca imaginaria que aquela menininha magrela roubaria roupas minhas: caberíam duas Fabianas dentro de uma calcinha minha, caramba. Mas comentei o assunto com a minha mãe e ela resolveu falar com a mãe da garota. Bolamos um "plano secreto" para revistar o quarto da menina quando ela estivesse fora e o executamos em um sábado.

No tal dia, fomos à casa dela e eu encontrei, além dos CDs e das calcinhas, mais uma porção de quinquilharias minhas: um caderninho de recordações da quarta série, vários chaveiros promocionais, batons com nome de deputado na embalagem, canetas, canetas, canetas, metade da minha coleção. O absurdo é que a menina se deu ao trabalho de mudar todas as vezes que o nome "Juliana" aparecia no caderninho para "Fabiana". Acho que o próximo passo dela seria me matar.

Veja que coisa engraçada. Eu levava uma vidinha de merda, tinha um milhão de problemas de saúde, grana e relacionamentos e uma doida queria ser eu. Peguei meus badulaques de volta e fui para casa satisfeita. Deixei os CDs: aquilo era castigo suficiente para ela. Pensei em várias formas de contar isso aqui e colocar "moral da história" no fim, mas o único ensinamento que pude tirar disso tudo foi: tenha sempre CDs vagabundos à mão. Eles podem salvar sua vida.

Recado
Não vou ficar me lamentando em público. Compreendo o que está acontecendo e respeito seu silêncio. Mas você sabe que isso está me incomodando, certo? Então é isso. Amo você e estou do seu lado. Quando precisar, tô por aqui.

4.9.02

Eu sempre disse que sou compulsiva. Nunca neguei isso. Mas agora já é demais: só porque o Red Hot Chili Peppers fará um raio de um show aqui, um único show, e eu não sei se poderei ir, tenho ouvido músicas deles dia e noite. Até minha cachorra já decorou as músicas e late no ritmo de Soul to Squeeze.

E por falar em cachorros musicais, tenho que contar que a Maria José chora um monte quando eu canto a música da Celine Titanic Dion. Tá, eu sei que é sacanagem minha, mas é tão bonitinho ver aquele cão uivando durante a música... Só falta descobrir se ela chora por causa daquela música horripilante ou por causa da minha voz desafinada.

Eu já falei mal dos homens hoje? Não? Então vamos lá. Homens são seres estranhos que ficam se lamuriando no seu ouvido e quando você vai consolá-los, ouve um "Deixa de nhem nhem nhem e sentimentalismo. Isso não vai me ajudar.". Homens são animais esquisitos e sem um pingo de sensibilidade, que te fazem ir dormir com dor de cabeça e muita, muita raiva. Homens são monstros sem coração que escolhem sempre as palavras erradas para te dizer. Homens, bah. Por isso é que eu prefiro os chocolates. Ao menos eles não falam.

Pronto, passou.

Mais uma
Urso - Ei, Ju, cê tá legal, hein? Decorou todos os exercícios.
Eu - Pois é. Meu condicionamento físico tá péssimo, mas a memória tá uma beleza. E eu não vou me esquecer desses trinta e cinco quilos, ok?

Já que ontem teve enxurrada de posts, hoje não tem nada. Gastei. Eu não tenho método e organização, por isso jamais serei um sucesso, esqueçam.

3.9.02

Agora que o Nishi virou blogger, quem vai ser o commenter oficial dos meus posts?

E já que é pra baixar o nível, mesmo, alguém aqui já reparou que o João Kléber tá ficando a cara do Gugu, só que moreno? Separados na maternidade. Poderiam ter sido assassinados na maternidade, mas quem iria divertir minhas tardes?

Não, isso é imperdoável. Liguei a televisão na cozinha (não vou me justificar: aquela porra tava no programa do João Kléber, sim) e uma história me surpreendeu. A chamada era "Homem abandona esposa para ficar com égua". Depois de gargalhar por quinze minutos, consegui prestar atenção à história.

Não, o problema não era ele querer casar com uma égua. Quanto a isso, o sujeito estava muito bem resolvido, muito tranquilo. O problema é que o dono da égua queria 500 contos pelo "passe" do animal e o apaixonado não tinha essa grana. E tentou roubar a égua. Não consegui ouvir a opinião da ex-esposa, mas deve ser uma vaca. E bicho por bicho, ao menos o cara escolheu um que serve como meio de transporte, também...

Como destruir sua imagem - 567ª parte
Hoje eu acordei, olhei no espelho e me achei bonitinha. Pensei que tinham me trocado durante o sono, mas aí percebi que eu ainda estava adormecida. Foi só acordar completamente e vi que aquilo era ilusão.

E já que os meus únicos assuntos nesses últimos dias têm sido academia e animais (o que dá praticamente na mesma), tenho que falar sobre o "ambiente". É o seguinte: toda academia tem a seção dos gordinhos e a seção dos que malham de verdade. Na seção dos gordinhos, ficam as bicicletas e as esteiras. Na seção dos que malham, ficam os outros aparelhos todos. Pode reparar: bicicletas e esteiras ficam todas em um canto da academia, para evitar que os gordos transitem entre os "normais" e atrapalhem o tráfego com seu porte avantajado.

Eu, com meu físico invejável de uma orca com cólicas, supus que seria jogada ao canto dos bolotas, mas eis que o fabuloso Urso (o instrutor) decidiu que eu poderia brincar com os outros aparelhos. E então eu passo metade do meu tempo naquela área com piso reforçado para suportar o peso e a outra metade com os mocinhos e mocinhas saídos de um comercial de biotônico Fontoura. Sob protesto, já que os gordinhos são muito mais simpáticos.

- Urso, deixa eu fazer mais meia hora de esteira.
- Quieta, Juliana. Rosca direta, três séries de vinte.
- Urso...
- Agora!


E eu vou. Mas a mudança é quase física: se no lado dos gorduchos eu sou a simpatia em pessoa, no lado dos magrelos eu sou o monstro do pântano. Sorrisos, só os que forem provocados por contrações involuntárias. Diz a lenda que eu tenho um transtorno de personalidade. Se isso for verdade, só posso pensar que o problema se agravou durante esses passeios entre o mundo dos gordinhos e dos magrinhos.

É, não teve jeito. Ontem eu interagi com um garotão da academia. Não, nós não rolamos pelo chão entre os aparelhos. Não, nós não fizemos nada que pudesse ser visto de forma... hum... errônea. Nós apenas conversamos. Sinto lhe decepcionar, Dani, mas eu não consegui escapar.

Na verdade, o garoto era meu conhecido dos tempos de colégio e eu fingi não perceber isso na semana passada. Mas ontem ele fez questão absoluta de sentar na bicicleta exatamente ao lado da minha e trocamos algumas palavras:

Ele - Conheço você.
Eu - Ahn... você vai contar isso para alguém?
Ele - Fique tranquila.
Eu - Não espalhe.
Ele - Ok.

E foi assim que terminou nossa conversa. E na hora de ir embora, eu disse tchau para ele. Preciso mudar o meu horário lá. Preciso.

2.9.02

Qualquer hora eu conto do papagaio agonizante. E do pássaro ferido. E dos outros animais que marcaram a minha existência.

Eu tive também uma tartaruga. Seu nome era Thuga e ela era uma graça. Certa vez, fomos viajar e deixamos a Thuga na casa da minha tia. Quando voltamos, a tartaruga tinha desaparecido. Sim, ela fugiu e ninguém naquela casa percebeu. Isso foi um trauma. Não o sumiço dela, mas perceber que meus familiares eram tão lentos a ponto de perder uma tartaruga.

Aproveitando o gancho de um comentário da Nadynne e de uma conversa na noite de ontem com a Dona Silvia, vou citar os animais estranhos que eu já criei.

- Lagartixas: era uma família. Tixa, Tixo, Tixinha e Tixinho. Eu os pegava na parede e levava para o tanque com o objetivo de dar banho.
- Besouros: Um dos meus besouros prediletos era o Sandoval. Tinha o tamanho de um rato (sério) e morava dentro de uma caixa d'O Boticário cheia de areia.
- Aranhas: A melhor aranha que eu tive era uma daquelas pretas enormes, que se alimentava de insetos vivos. Eu gastava horas e horas caçando moscas.
- Rãs: Meu primo tinha um ranário e eu adotei um bebê-rã, certa vez. Todo final de semana eu ia cuidar da mocinha, mas um dia ela foi vendida para um restaurante chique e eu chorei.
- Sapos: Essa foi uma adoção parcial. O sapo na verdade morava com meu pai, mas ele gostava de mim. Quando eu ia visitá-lo, aos sábados, ele estava me esperando na porteira. Seu nome era Euclides e ele morreu assassinado pela Lua, nossa cadela "marca" fila.
- Ostras: Hum... pretensão minha, eram meras conchinhas. Mas eu as criava. O problema é que não sabia do que elas se alimentavam e as bichas acabavam morrendo em poucos dias.

Puta blog chato.

1.9.02

Amigos
Ju - Se der eu vou hoje, mas não acredite muito nisso...
Van - Eu nunca acredito em você, pode ficar tranquila.

--x--
Ju - Mavinha, eu vou fazer o almoço. Bife a milanesa. Quer?
Mava - quero... ce me arruma?
Ju - Venha pra cá. Bom, vou lá, té mais.

Uma hora depois...
Ju - Arrout.
Mava - É o irmão dele que tá aqui agora. Daqui a pouco ele volta.
Ju - Tá bom, desculpa! Eu não costumo arrotar na cara de quem não conheço. Té mais!


Alguém aí achou a minha dignidade?

Contei que a Juna está doente? Juna é a anciã das cachorras aqui em casa. Aos 17 anos, ela é chamada de Vera Fischer nas clínicas veterinárias por estar inteirona, ainda. Aliás, as cachorras aqui de casa são todas artistas. A Frances é a Feiticeira (por conta dos músculos que desenvolveu no pescoço depois da paralisia das patas), a Maria é a Elisângela (porque vira e mexe faz papel de puta).

Mas não era isso que eu ia contar. Eu ia falar da doença da Juna, certo? Pois é. Agora eu tenho uma cachorra paralítica e uma cardíaca. E elas fazem revezamento: quando uma grita de dor, a outra fica quieta. Mas na quarta-feira não foi assim: a Juna gritou, a Maria e a Frances avançaram nela e eu, claro, estava exatamente entre elas. Ou seja, eu aparei todas as mordidas e unhadas.

E no fim de tudo a Juna saiu da briga com um olho avariado. Além da velha surdez e do problema no coração, agora ela é cega. E essa casa parece um asilo canino: cachorros em estado de decomposição por todos os lados. Tem o Elton com sua velhice, suas pernas mancas e sua surdez (também), tem a Juna com todos os problemas anteriores, tem a Fran com sua paralisia e tem a Maria, a única ainda saudável. Não é nem bom falar, sabe...

Devo dizer que não sei se sobrevivo à próxima sessão de musculação "pesada". Não consigo mover meus braços. Não consigo pentear os cabelos. Levantar da cama é um sufoco. Se alguém anotou a placa daquela betoneira, favor me avisar.

Papagaio agonizante? É sim. Eu imito animais. Eu já sou esquisita com minha cara normal, imagina imitando animais...

Ui. É rápido. Eu tô viva, certo? E ontem fomos (eu e a Pa) ali conhecer esse moço e beber. E... ahn... eu bebi. Mas antes mesmo de começar a beber "de verdade", eu já tinha derrubado um copo na mesa, arrebentado meu dedo com um movimento brusco, imitado um papagaio agonizante e coisas assim. Eu acho que ele ficou com um pouco de medo, sabe...