31.10.02

Enquete
Isso aqui tá chatinho, num tá? Então... cês três preferem que eu continue escrevendo essas bobagens uma vez ou outra ou que eu acabe com esse blog de uma vez? A maioria vence, belê? Pelo menos com número ímpar não corre o risco de empatar.

Dia da minha avaliação, acordei até mais cedo para o caso de Murphy estar sentado sobre o meu ombro. Saí de casa com quarenta minutos de antecedência, entrei no carro e tomei o caminho do banco. No meio do caminho, uma buzinada e um grito "seu pneu está no chão". Era tudo que eu precisava naquela hora. Por sorte, tinha uma borracharia cinquenta metros adiante e eu larguei meu carro ali, dizendo que voltaria depois para pegar o maldito.

Andei, andei, andei. É claro que faltavam uns dois quilômetros para chegar ao banco. E é claro que eram dois quilômetros ladeira acima. E também é claro que eu cheguei à agência com metade da língua para fora, toda descabelada e suando. E é mais claro ainda que eu tropecei no degrau e quase me estabaquei bem na frente do banco.

Mal tive tempo de pegar meu crachá na bolsa e perceber que o dito cujo tinha um borrão de pasta de dentes bem em cima da foto. Limpei com um guardanapo velho e desci para o meu suplício diário.

Eu - Senhor, agora o senhor tem que colocar o seu cartão.
Ele - É. (balançando a cabeça para cima e para baixo)
Eu - O cartão, senhor.
Ele - É. (ainda balançando)

Contei até dez e tentei pegar o cartão da mão dele. Não consegui.

Eu - Senhor, o cartão.
Ele - É. (parando de balançar a cabeça e me olhando como se eu estivesse louca)
Eu - Osenhortemquepassaroseucartãoparaodinheirosair.
Ele - Ah, por que você não me avisou antes?

Nessa hora eu já estava quase aos gritos. E foi então que meu avaliador resolveu sair para ver a quantas andava o atendimento. A fila gigantesca me observava com ódio. Uma criança começou a chorar. Uma mulher ameaçava arrancar a roupa na porta. Comecei a estudar a hipótese do suicídio.

Ainda não sei qual foi a minha nota na tal avaliação. Se todos os meus dias forem iguais ao de ontem, chego a preferir que tenham me reprovado. Mas uma coisa me consola: só existe um dia 30 no mês. E um dia 01. E um dia 05. E um dia 10. E um dia 15. E um dia 20. E eu posso morrer atropelada atravessando a rua.

28.10.02

Os que ainda não compraram as garrafas de JW podem escolher outra coisa: minha lista de presentes está na H Stern.

E por falar em bebidas, semana que vem (terça-feira, dia 5) é meu aniversário. Pensei em fazer uma festa, mas desisti da idéia assim que olhei meu saldo, hoje. Mas não vou fazer desfeita: sei que todos vocês já compraram várias garrafas de Johnny Walker para me presentear, então precisamos marcar algum dia para a entrega da mercadoria. Escolham algum boteco pé sujo de São Paulo e me avisem com algumas horas de antecedência, que eu estarei lá. Cada um paga o seu, claro.

Alguém pode me explicar por que diabos toda vez em que estão reunidos uma cambada de bêbados e várias garrafas de qualquer substância etílica, o papo sempre descamba pra putaria? E alguém pode explicar por que diabos as pessoas não perdem a memória no dia seguinte, principalmente quando os assuntos são esses? É um horror ter que olhar pro machão que confessou usar calcinha de renda para dormir e não poder cair na gargalhada.

A expressão: massagem fálica.

Nunca uma punheta foi descrita de forma tão didática.

Eu estou quase me tornando uma moça respeitável, de família, decente, essas coisas. Alguém tem que me salvar antes que a coisa não tenha mais volta.

25.10.02

Não, esse blog ainda não morreu. Tô curtindo um pouquinho a vida, mas em breve estarei de volta. Agora dá licença que eu vou ali na praia me fantasiar de camarão à milanesa e volto já já. Té amanhã, meus três leitores.

21.10.02

Eu fiz aquilo
Talvez a confissão me redima um pouco. Eu sei que não há justificativa para o que eu fiz, mas preciso desabafar. Ontem eu estava entediada, sem ânimo para nada e decidi sair um pouco. Quando dei por mim, já estava lá. Entrei, estava tudo escuro, abafado e barulhento. Fiquei esperando que ele aparecesse.

Depois de uns quarenta minutos, ele entrou. E eu fiquei só olhando enquanto ele gemia frases de amor que eu não compreendia. Achei estranho, mas logo estava empolgada com aquele homem pulando e se contorcendo. Resolvi tomar alguma coisa para descontrair e foi então que eu percebi que outras pessoas também estavam lá, olhando para ele. A coisa era coletiva.

Tive medo de ser reconhecida e escondi o rosto no peito de um morenão que insistia em me abraçar e cantar no meu ouvido. Estendi a mão para um copo com um líquido que eu esperava que fosse cerveja, bebi e comecei a relaxar. Joguei minha bolsa longe, abri meus braços para ele e comecei a gritar: "Ô Djavan, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver!"

E foi assim que eu assisti um show do Djavan. Assisti, cantei, pulei, suei e me envergonhei. Espero que vocês possam me perdoar por isso. Cantemos todos juntos: "Corre e vá dizer pro meu benzinho um dizer assim: O amor é azulzinho".

17.10.02

Amanhã eu quero tomar um porre de Sangue de Boi no Parque Celso Daniel. Quero acordar com formigas andando pelo meu rosto e com o pé enfiado no lago. Quero que uma tartaruga morda meu dedão do pé. E se alguém quiser tocar Legião com o meu velho violão sem cordas, eu juro que não me oponho. As inscrições estão abertas via e-mail.

Amigo é pra essas coisas
Van - Ju, hoje eu vi dois cachorros cruzando lá na Praça da Sé e lembrei de você.
Eu - Posso postar isso? E por que você lembrou de mim ao ver dois cachorros trepando? (medo de perguntar...)
Van - Lembrei de você porque os dois estavam ali naquela briga louca por sexo, parecia que não trepavam há uns dez anos, assim como você.
Eu - Hahahahahahahha... puta merda, eu não posso postar isso!
Van - Porra, Ju! Mas isso foi uma piada, as pessoas sabem que não é verdade. Na realidade, faz só nove anos que você não faz sexo!
--x--
Eu - Ele merece alguém melhor que eu.
Van - Ah, eu não acho. As pessoas têm aquilo que merecem, mesmo que "aquilo" seja uma pessoa pervertida e bêbada como você.

Ela é ou não é genial? Além de discutir minha vida sexual, destrói a minha já avariada reputação. E eu dou risada, o que é pior.

Trecho de e-mail enviado hoje
"O meu nome verdadeiro não é Juliana. Fui batizada de Tereza Gonzallez e atendo por Tetê. Na minha vida paralela, sou muambeira e trago canetinhas coloridas e cigarros do Paraguai. Já fui casada com Romualdo Arantes do Nascimento, um irmão bastardo do Pelé e tenho uma cadelinha pequinês chamada Toulouse. É óbvio que quando eu acordo, volto a ser Juliana, a bancária cabaça."

Só esqueci de dizer, no e-mail, que minha melhor amiga é Walleska Crystinah Belchior, a filha perdida do Miéle. E depois eu ainda acho que aquele tombo de cabeça aos dois meses de idade não fez mal...

O amigo bebaço mal dava conta de manter seus olhos abertos. Ventava forte na cadeira dele - apenas lá - e o cara balançava para todos os lados. Ao tentar orquestrar três ou quatro palavrinhas e formar uma frase, uma chuva de perdigotos se espalhou pelo meu rosto.
Eu - Késser, você cuspiu em mim.
Ele - Tô marcando território.
Pa - Poderia ser pior.
Eu - ... é, poderia ser bem pior.
Pa - Já pensou se ele estivesse sóbrio o suficiente para erguer a perninha?
Ele - Au.
Deitou a cabeça sobre a mesa e dormiu o sono dos justos. Acordou no dia seguinte com uma coleira em volta do pescoço e um osso entre as patas. Oh céus.

16.10.02

É o melhor momento da minha vida. Profissionalmente, tá tudo bem, obrigada. Tô progredindo, recebo elogios, tenho grana pra pagar minhas contas e trabalho com pessoas ótimas. Emocionalmente também. Já me recuperei dos tombos, tô feliz, tô relativamente apaixonada, tudo ok. Em casa tá tudo tranquilo. Minha mãe decidiu só me importunar umas duas vezes por dia.

As cachorras estão bem. Frances não sarou, mas leva sua vidinha do jeito que dá e Juna está quase boa do probleminha do coração. A Maria tem uma saúde de ferro. Meus amigos estão tocando suas vidas. Mesmo aqueles que não estão bem de verdade, estão se cuidando. Meu corpo vai bem. Nenhuma gripe de começo do calor, nenhuma dor de estômago, dez quilos a menos, disposição para trabalhar e me divertir... tudo ótimo!

Então, alguém sabe me dizer por que diabos eu não estou feliz? E alguém sabe me explicar de onde vem essa insônia que já tem onze dias? E alguém pode me informar por que eu não sei aproveitar a tal felicidade? Por que eu fico procurando mais encrenca e querendo as chibatadas e torcendo por algum problema que dê um pouco de movimentação à minha vida? Que merda, porra. É muito mais difícil acostumar com a felicidade do que com a tristeza. Que tédio.

Você percebe que chegou ao fundo do poço quando sua crise de abstinência de coca-cola te faz beber toda a coleção de latinhas temáticas. O gosto da bebida fica bem exótico com o tempo.

14.10.02

Coisas que eu não tenho, mas ainda quero ter
- Uma máquina de latinhas de coca-cola.
- Uma máquina de fliperama.
- Uma mesa de bilhar.
- Um freezer horizontal.
- Um garçom vestido de pinguim.
- Uma mesa de armar.
- Um cachorro sarnento.
- Um balcão com banquinhos giratórios.
- Um bêbado caído sobre o balcão.
- Um pedaço de mussarela embolorado.
- Um banheiro dominado por baratas.

Pensando bem, acho que vou ali ver se o Mauro quer vender o boteco dele. O cara tem tudo isso e não é feliz... tsc, tsc.

13.10.02

Só tenho uma coisa a dizer sobre o show: caralho. Mas como eu sempre fui verborrágica, vamos aos detalhes.
- Cansei de ver bundas masculinas expostas no alto de pirâmides humanas. Bundas brancas.
- Toda a maconha que eu não fumei na minha vida, eu cheirei nesse show.
- Ao contrário do que eu pensava, o Anthony Kiedis não ficou do tamanho de uma uva, no palco. Ficou do tamanho de uma maçã.
- Deus abençoe os telões. E Deus carregue os cabeções na minha frente.
- Eu não tenho mais idade pra ficar pulando que nem um canguru ao som de Give it away.
- A companhia foi muito boa, obrigada.
- Eu não me arrependi. De nada.
- Eu esqueci meu carro no estacionamento. Nem pergunte...

12.10.02

11.10.02

Não, não acabou. Tenho que dizer: tá rolando uma guerra entre meu cérebro prejudicado e meu fígado em fase terminal. Um dos dois vai ter que morrer. Eu não duvido que seja o cérebro, já que o fígado provou ser bastante resistente nesses últimos anos.

Chega de abobrinhas por hoje? Chega. Vou ali dormir.

A única parte divertida do meu dia é quando eu começo a prestar atenção nos nomes que aparecem na tela. Hoje tivemos uma Miribel e um Urivaldo por lá. Adorei. Meus próximos dois cachorros serão chamados de Mirivaldo e Uribel em homenagem àquelas pessoas.

Eu ouço cada coisa naquela fila que dá até medo. Quero crer que eles são a exceção, porque se forem a regra, tô lascada. Diálogos de hoje no auto-atendimento:

Eu - Agora a senhora digita a senha.
Ela - A minha?
(resposta mental: Não. A minha. Aproveita e transfere todos os milhões da minha conta para a sua.)

Eu - O senhor vai sacar?
Ele - Não, eu vou pegar dinheiro.
(resposta mental: O silêncio. Não há nada que se possa dizer para uma criatura dessas.)

Ele - Essa máquina faz pagamentos?
Eu - Isso. É só clicar em pagamentos.
Ele - Moça, mas por onde sai o dinheiro?
Eu - Mas o senhor não quer fazer um pagamento?
Ele - Não, eu quero receber o meu pagamento.
(resposta mental: Olha aqui o seu pagamento, tó.... TABEF)

E ainda querem que eu termine o tal curso "Sob Controle"...

E eu consegui convencer o mocim bonitim do banco a ir comigo ao show. Resta saber se ainda há ingressos. Amanhã cedo eu penso nisso.

Mais uma campanha genial.

Sobre ontem à noite
Então teve a tal festa do Nishi e foi bom, muito bom. Algumas considerações:

- Vodka com Clight é muito bom.
- Dirigir de volta pra casa até que é fácil. Difícil é lembrar que o carro tem espelhos laterais, ao entrar na garagem.
- Nunca, mas nunca mais me convidem para uma festa em dia de semana. Eu posso aceitar.
- Open bar é um risco.
- Trabalhar no dia seguinte é um castigo.
- Ai. Tô com dor na sobrancelha.
- Aquela mancha vermelha na minha blusa era baba que escorreu do pirulito que ganhamos de brinde. Juro.
- Preciso dormir.

9.10.02

E eu já falei que o Anthony Kieds (eu disse Kieds e não Garotinho) tá a cada dia melhor? Não? Pois é. Ele está a cada dia melhor. Repitam comigo: O Anthony Kieds está a cada dia mais gos... ahn... tá bom, não precisa. Mas que ele está, isso está.

E talvez eu não vá ao show. Depois que o Nishi debandou, estou procurando alguma pessoa - qualquer pessoa - para me acompanhar e nada. Nem precisa ser uma pessoa, pô. Vasos de samambaias também servem. Talvez eu convença o meninim bonitim do banco a ir. Talvez eu vá sozinha. Talvez eu corte os pulsos.

Cabelo - o homem
Ele era praticamente uma lenda na escola onde fiz o colegial (sim, porque eu desconheço essa frescura de Ensino Médio). Quando entrei no Vila (a escola), lá para mil oitocentos e guaraná com rolha, o garoto já era conhecido por viver dentro da escola há seis anos. Alguns diziam que eram sete. Manhã, tarde, noite, ele sempre estava lá, passeando por todas as salas, roubando coxinhas na cantina, fabricando bombas caseiras e as colocando no banheiro... A diretora dizia não poder expulsá-lo porque ninguém sabia o nome do Cabelo. Era só Cabelo, por motivos óbvios.

Terminei o colegial e ele continuava empenhado em sua tarefa de desorganizar a escola. No último dia de aula, ajudei o Cabelo a se esconder no alto da caixa d'água, porque queriam tirá-lo de lá à força. Ele chorava e dizia "aqui é meu lugar, não vou, não vou". Ele tinha laços profundos com aquela escola.

Ontem eu estava no meio de um bocejo digno do negão de À espera de um milagre quando entrou um cabeludo no banco. Reconheci aqueles nós, aquela massa confusa que teimava em esconder o rosto da figura, mas ainda não sabia de onde ele era. E então eu vi uma pequena protuberância saindo do ninho: era o nariz. Sim, porque se o Cabelo não se chamasse Cabelo, ele certamente se chamaria Nariz. Então ele me viu. E me reconheceu também. E aí conversamos.

Eu - Oi, Cabelo. E aí, comé que tá?
Ele - Belê... na mesma de sempre.
Eu - O que tá fazendo de bom?
Ele - Tô lá ainda...
Eu - Lá...?
Ele - Isso. Lá no Vila.


Pelamordedeus, o cara precisa entrar pro Guiness Book. Dezessete anos na mesma escola, sem evoluir, por gosto. Não trabalha, não estuda, não faz nada a não ser corromper grupos inteiros de alunos bem intencionados. Não me atrevi a perguntar o que o mantém tão ligado ao Vila, mas suponho que ele esteja comendo a tiazinha da cantina desde aquela época, em troca de enroladinhos de presunto e queijo e refrigerantes. De toda forma, melhor encontrar o Cabelo do que encontrar outras figuras lendárias daquela época. Qualquer hora eu conto.

Cabelo - o adorno da cabeça
Começou na semana passada, quando eu resolvi comprar um creme para cabelos encaracolados (que eu nunca tive, a não ser na minha fase hippie, lá pelos dois anos de idade). Passei o tal creme e notei o surgimento de uma moita sobre a minha cabeça. Como eu decidi há tempos não adestrar mais meus cabelos, relaxei e curti a novidade. Gostei do resultado até o momento em que um dos meninos do banco me usou como ponto de referência: "Os documentos estão logo ali, atrás daquele poodle".

Agora eu tenho cachos esquisitos, nos mais variados formatos, nas mais diferentes direções. Na verdade, eu acho que estou criando um ser extraterrestre alimentado com ceramidas e gérmen de trigo (que eu, na infância, acreditava serem vermes do trigo). Quando começarem a olhar para os meus pés para descobrir onde é a frente e onde é a traseira, eu corto a juba.

8.10.02

Aquela mulher dentro da Superbanca sorria tanto que eu me surpreendi com sua simpatia. Sorri de volta. Ela continuou com aquele ar satisfeito e eu dei um tchauzinho. Nada. Aquilo começou a me incomodar. Eu sorrindo para a mulher e nada. Olhei para trás procurando alguém que ela pudesse estar cumprimentando. Ninguém. E então eu entrei na loja. Era uma foto em tamanho real.

Orações
Senhor,
Eu juro que tentarei ser uma pessoa educada, desde que o Senhor tire os malditos velhinhos surdos da fila do caixa, desde que os terminais com defeito se auto-destruam em 10 segundos, desde que as pessoas que tentam passar na porta giratória com sombrinhas tenham as mesmas devidamente inseridas em seus rabos, desde que a gerente filhadaputa morra enforcada pelo crachá e desde que meus tickets continuem em minha bolsa. Só isso. Agradicida.
--x--
Senhor,
Tirai os frentistas de posto, seguranças, atendentes da C&A e pedreiros do meu caminho. Se é pra fazer merda, que seja ao menos para elevar meu status.

7.10.02

Não me crucifiquem.

E eu não sou de ferro. Então, aqui vai uma das músicas mais bregas que eu conheço (e gosto, o que é pior), Sob Medida. Fim de noite, voltando embriagada pra casa, sempre tem show meu e da Pa ao som de Fafá de Belém (letra de Chico Buarque). A letra:

"Se você crê em Deus, erga as mãos para os céus e agradeça.
Quando me cobiçou, sem querer acertou na cabeça.
Eu sou sua alma gêmea, sou sua fêmea, seu par, sua irmã. Eu sou seu incesto.
Sou igual a você, eu nasci pra você, eu não presto, eu não presto.

Traiçoeira e vulgar, sou sem nome e sem lar, sou aquela.
Eu sou filha da rua, eu sou cria da sua costela.
Sou bandida, sou solta na vida, e sob medida pros carinhos teus.
Meu amigo, se ajeite comigo e dê graças a Deus.

Se você crê em Deus, encaminhe pros céus uma prece
E agradeça ao Senhor, você tem o amor que merece"

Diálogos 3
Coleguinha - E aí, tá gostando do serviço?
Eu - Do serviço, sim. Eu não gosto é das pessoas que tenho que atender.
Ele - Ah, eu tive o mesmo problema. Aliás, eu fui proibido de atender o público porque sou muito grosso.
Eu - Pois é. Eu me controlo, mas chego em casa mordendo a parede.
Ele - Você é de escorpião, né?
Eu - Sou... cadiquê?
Ele - Nada, eu também.

Mais um.

Diálogos 2
Chefinho - Juliana, você viu uns depósitos que eu perdi ali em cima?
Eu - Não, chefe. Onde você deixou?
Ele - Aí é que tá. Não lembro.
Eu - Então fica difícil. Quando você lembrar, me avise e eu pego, tá bem?
Ele - Não, mas... eu preciso disso agora. Encontre.
Eu - Mas...
Ele - Agora.

Eu encontrei. No banheiro masculino, apoiados sobre o espelho. Pelo menos ele deixou ali perto da pia antes de fazer o serviço sujo. Ehr... quer dizer, eu prefiro acreditar nisso.

Diálogos
Hora do almoço, consegui quinze minutos para comer um lanche (isso é raro). Uma outra funcionária comia sua marmita de macarrão com salsicha e meu estômago se revoltava. Peguei minha companheira fiel, a barrinha de cereais, e comecei a comer.
Eu - E aí, Aninha, tudo bem?
A funcionária - Tudo sim. Tô cansada, esse final de semana eu tive uma pilha de roupas pra lavar...
Eu - Ah... você é casada?
Ela - Não, eu sou sapata.
Eu - ...
Ela - ...
Eu - Eu vou ali...

Não, eu não tenho preconceito de espécie alguma. Só fiquei tão desconcertada com a sinceridade dela que perdi o rumo. O que a gente responde depois de uma dessas? "Legal, minha tia também" ou "Puxa, que barato. Me dá um autógrafo"?

Então eu estava deprimida, ontem, e decidi beber pra esquecer. Algumas horas depois, eu me animei e decidi beber pra comemorar. Terminei a noite jogada ao chão do bar do Mauro (aquele mesmo velho boteco sujo, frequentado por cachorros sarnentos e homens mais sarnentos ainda), discutindo com um sujeito que dizia uma frase, qualquer frase, e completava com "Alô Rio de Janeiro, aquele abraaaaaço", tudo isso aos gritos. Quando foi embora de carro, o homem derrubou uma moto que estava estacionada. Espetáculo.

Para melhorar, o dono do bar me convocou para varrer a calçada cheia de santinhos da eleição. Eu, Alê, Clau, Pa, Conrado e Bob varrendo a calçada e o bêbado cantando "Alô Rio de Janeiro, aquele abraaaaço". Cheguei em casa estragada, claro, e consegui discutir por um motivo que eu nem lembro com meu Mavinha. E hoje meu estômago passou o dia todo esperneando. Puta merda, eu nunca mais quero comemorar nada.

Momento filosófico-banheiral
Encontrei meu carro coberto de pitangas. Deve ser um sinal.

6.10.02

Ah sim. O mais importante: Dia 10/10 tem comemoração do aniversário do Nishi e da Ana Cris (amiga dele), a partir das 22h, na Rua Aspicuelta n. 42, Vila Madalena, São Paulo. O esquema é o seguinte: música, comidinhas e OPEN BAR até de madrugada, mediante o pagamento da módica quantia de vinte e cinco reais. Apareçam.

Sobre os tickets eu não quero falar nada. Sobre a traição, menos ainda. Basta dizer que quanto mais eu conheço os homens, mais admiro os ratos. FO-DA.

E sobre as eleições, eu tenho que contar mais uma coisa. Acordei bem cedo depois da bebedeira com o Teófilo. Me vesti com a cabeça latejando, peguei meu título e fui para a escola. Só ao chegar lá é que percebi que tinha ido um dia antes.

Tudo isso será explicado. Ou quase tudo. Vamos à primeira explicação: não bastasse a feira mudar de lugar por conta das eleições e vir parar bem na minha rua, adivinha só qual foi a barraca que se acomodou em frente à minha garagem. A do peixe, claro. Formidável.

Bem vindos ao meu inferno astral - Show anual
A diversão está apenas começando. Aguardem traições impensáveis, roubos misteriosos de tickets da minha bolsa, torções no pé, encontros com pessoas que deveriam estar mortas, salários que não são creditados na conta, barracas de peixe em frente à minha casa e outras brincadeiras do gênero. Sorriam, amanhã será pior!

4.10.02

Amanhã tem papo calcinha. E agora fui ali beber com o Teófilo e mais uns renegados do banco.

Momento filosófico-banheiral
Nesse calor até elefante na bunda sua.

E por falar em banco, eu passei as últimas três semanas chamando o caixa de Teófilo. Isso não seria um problema caso o tal caixa não se chamasse Otoni.

Yeah! Então nozes vamos ao show do Red Hot. E nozes vamos ser felizes no meio de uma multidão suada, levando cotoveladas e tomando pisões no pé. E nozes pretendemos sobreviver, mas se nozes morrermos, ao menos morreremos felizes. Por nozes, entenda-se eu.

Mas esqueçam que um dia nozes tivemos celular. Durante essa semana nozes recebemos uns três avisos de corte por falta de pagamento e, tchanam, a grana pra pagar o celu é a grana que nozes gastaremos no ingresso, que já aumentou de preço. Mas nozes vamos assim mesmo.

Quem quiser ir com nozes ao show, mande um e-mail. Não telefone (óbvio). E as nozes não têm nada a ver com o show, isso é só um vício de linguagem que eu peguei de uma criatura que me alugou por quase duas horas no banco, hoje.

3.10.02

Momento filosófico-banheiral
Filosofia banheiral são aquelas frases que a gente solta em um momento qualquer que dizem respeito apenas a nós mesmos, parecem não significar nada, ninguém mais entende e ninguém consegue gostar. Por isso o banheiral. É praticamente um número dois da casinha de força. Inauguro hoje o momento filosófico -banheiral com algo dito na cozinha do banco e que ninguém entendeu, claro.

É...

Voltamos às atividades normais desse blog.

Eu já falei alguma coisa sobre a minha insegurança? Não, né? Já? Foda-se, vou falar de novo. Insegurança é um pequeno roedor que consegue acabar com minhas noites de sono. Quando isso acontece, acordo assustada com algum sonho e não volto a dormir. Não, não dura só uma noite: quando a insegurança vem, eu passo cerca de duas semanas sem dormir um segundo sequer.

Essa noite eu acordei com medo. Um sonho ruim me fez ver o quanto meus planos estão apoiados em bases frágeis, o quanto eu posso me machucar se continuar apostando neles. Se eu vou tentar mudar os planos? Claro que não. Eu adoro quebrar a cara.

O foda é quando eu percebo que essa base poderia ser muito mais sólida se eu recebesse uma maldita palavra de encorajamento, um toque na mão, um abraço. Mas não, eu não tenho isso. Porque eu escolhi me apoiar em alguém que não me oferece nada disso, então tenho que arcar com as consequências e, acreditem, não é nada fácil.

E quando eu estendo a mão e peço ajuda, eu não recebo, porque essa pessoa está tão acostumada a me ver como muleta que não acredita que eu possa precisar de apoio. Culpa minha, de novo. Se eu não tivesse sido tão forte no início, agora eu poderia ser fraca. Mas não, eu não tenho o direito de ser fraca. Eu não tenho o direito sequer de ser, eu não posso reagir, eu não posso cobrar, eu não posso nem mesmo chorar.

Eu tô cansada. Eu tô muito cansada de ser engraçadinha, de ser corajosa, de ser fria, de ser racional, de não me permitir sentir as coisas. Eu quero ser mais eu e menos o que esperam de mim, eu quero que sintam pena de mim, sim, porque não é vergonha nenhuma eu me sentir digna de pena uma vez ou outra. E por enquanto eu ainda tenho crédito nessa área, já que nunca usei a piedade alheia.

Descobri hoje que tenho que fazer um curso chamado "Sob Controle". É óbvio que eu caí na gargalhada, já que controle é uma coisa que ninguém por lá tem. Pessoas babam verde, outras estrebucham em frente aos terminais, alguns mordem e muitos planejam assassinatos.

A outra coisa que eu descobri é que minha agência tem três pessoas de Escorpião. Três pessoas entre doze. Três malditos escorpianos e eu sou um deles. O outro é o gerente geral. Caso vocês três leiam alguma notícia sobre uma rebelião bancária, saibam que eu estava envolvida. Não sei se alguém vai sobreviver.

2.10.02

O nariz
Quando vi aquele senhor simpático entrando na agência, não poderia imaginar o risco que correria prestando umas poucas informações a ele. Minha natureza educada (hahaha) fez com que eu me aproximasse do distinto cavalheiro e perguntasse se ele queria ajuda. Ele aceitou. E só depois disso é que prestei atenção à cara do tal homem.

Sob dois olhinhos miúdos, abriam-se duas gigantescas crateras, exatamente onde deveria ficar o nariz. Não, não eram buracos como os do Michael Jackson. Eram duas cavernas no sopé de um morro. Esconderijos de catota, mas esconderijos gigantescos, sabe? Um estacionamento para uma betoneira produtora de meleca.

Quando a máquina acusou problemas na identificação do cartão, o homem inspirou fundo e eu me senti sufocada. Corri para abrir os janelões de vidro, pensando que isso resolveria o problema. E então ele espirrou. O espirro fez com que a máquina desse um solavanco e quase tombasse para trás. Imaginando a tragédia, corri para avisar o pobre funcionário que fica sentado exatamente atrás da máquina. Travei na porta giratória, claro.

Conformada com o desastre iminente, esperei em vão pelo segundo espirro. Já não conseguia me concentrar no atendimento: me segurava forte no pilar, rezando para que ele fosse à prova de tornados. Só consegui parar de tremer cerca de duas horas depois que o homem saiu da agência, agradecendo muito e balançando a cabeça para cima e para baixo. Ele não demonstrou nenhuma surpresa ao me ver grudada ao pilar, então suponho que ele conheça os efeitos devastadores de suas fossas nasais.

PS:Essa história tem uma boa dose de ficção, mas aquelas crateras eram tão assustadoras que estimularam minha imaginação. Talvez eu sonhe com isso. Talvez eu peça demissão. Talvez eu me case com o cara.

O Chapeleiro Maluco pediu que eu divulgasse um absurdo cometido contra os professores da cidade de São Fidélis, no estado do Rio de Janeiro. O prefeito de lá tirou uma série de benefícios dos caras e além disso tudo, deixou de pagar os pobres coitados. E depois ainda reclamam que a educação no país está uma merda... se os caras não recebem, comé que podemos cobrar eficiência no Ensino?

O mais importante nisso tudo é notar quais as influências políticas do cretino. Ele é lambe-saco do Garotinho. Será que é do salário dos professores dessa cidade minúscula que Little Boy pretende tirar a grana para aumentar o salário mínimo e resolver todos os problemas do Brasil? Quem quiser ler a notícia completinha, dá uma passada lá no blog do Chapeleiro.