20.3.03

Getúlio
Eu já devo ter falado por aqui sobre o meu problema com os japoneses chamados Getúlio, não? Falei sim, tenho certeza. Mas vamos lá. Conheci, quando eu era do tamanho de um Yakult, um japonesinho chamado Getúlio. Me apaixonei por ele e o enfiei no porta-malas do carro voltando de uma viagem para Serra Negra (isso eu tenho certeza que já contei aqui). Pensei que fosse uma homenagem dos pais de Getúlio (o japonês) ao outro Getúlio (o Vargas), algo a ver com a imigração da família e tal, sei lá.

Até hoje não conheço muita coisa da história recente do Brasil, mas supus que Getúlio (o Vargas) havia facilitado as coisas pro pessoal de olhinhos puxados, porque algum tempo depois de conhecer Getúlio (o japonês), conheci outro Getúlio japonês, meu vizinho.

Há dois meses, atendi no banco um senhor já com uma certa idade. Era Getúlio, o japonês dono da quitanda. Isso levou a minha tese a respeito do fanatismo getulial das famílias de Getúlio (o japonês) e Getúlio (o vizinho) para o buraco. A menos que a família de Getúlio (o quitandeiro) tivesse o dom da premonição e soubesse que um dia Getúlio (o Vargas) se tornaria um ícone japonês e resolvesse antecipar a homenagem, esse novo Getúlio (o quitandeiro) era uma farsa.

E hoje conheci um outro Getúlio japonês (o bancário), o que me fez elaborar uma nova teoria. Não acredito mais em homenagens. Creio que os Getúlios japoneses formam uma sociedade secreta e na verdade se chamam Eduardos, Ricardos ou Marcelos. E quando os chamamos de Getúlio, eles exibem aquele risinho superior que nunca sabemos o que quer dizer, se eles estão rindo porque não entenderam o que dissemos ou se estão rindo de nossa inocência, porque eles vão dominar o mundo.

E até hoje eu tenho as minhas dúvidas se Getúlio (o Vargas) se suicidou mesmo ou na verdade comeu um pastel estragado na barraca de feira de Getúlio (o feirante).